“Ué… para onde foram eles?!?!” – perguntou o burrico azul com olhar triste e orelha murcha.

“Você não ouviu as conversas desses últimos dias? Estão viajando. Só ficou o pai, aquele mais velho, grisalho e barrigudo” – respondeu a princesa de cabelos cor-de-rosa e coroa dourada, a mais perspicaz das bonecas esquecidas. “Ontem aquela mulher engraçada dos cabelos enrolados estava à noite, aqui na sala, passando roupas enquanto assistia televisão. Vi hoje bem cedo uns movimentos de malas. Acho que foram para a tal Belo Horizonte, segundo ouvi a filha dizendo para as amigas pelo celular. Ela foi ontem, um dia antes. Hoje foram a mãe e o filho mais novo, o alto e magro, o que só assiste esportes. O pai ficou sozinho”.

“Mas não é deles que estou falando não. Esses sempre estão aqui” – retrucou nervosamente o burrico, confirmando as suspeitas dos sinais de bipolaridade. “Eu falo é daquela menininha que brincava com a gente todos os dias. Aquela fofurinha, gordinha, lindinha… Como sinto falta dela…” – fungou com tristeza o quadrúpede de pelúcia.

“Maria… Maria… Esse é o nome dela”.

O intrometido na conversa, que parecida íntimo da família, não era ninguém menos que o pequenino boneco de construtor da Lego. Ele se achava muito importante por ser um trabalhador na construção civil. Com barba por fazer, capacete branco, roupas zebradas de amarelo e preto, parecendo uma fita que delimita zonas de perigo, ficava o tempo todo dando ordens. Embora fosse o menor de todos, achava-se o máximo. Os compridos cangaceiros de madeira que ficavam ao lado da televisão já haviam dado o diagnóstico: aquela dureza toda era uma forma de compensação pela baixa estatura. No entanto, a graciosa Maria havia conquistado o coração do durão com suas longas e intermináveis mordidas e babadas. As quinas duras do construtor era um prato cheio para aliviar as coceiras dos dentes por nascer da menina. Ele havia se tornado um dos brinquedos preferidos nos últimos dias.

“Ela foi embora com seus pais de volta para a Inglaterra. Parece que é um lugar muito longe… Mais longe do que o lugar de onde o burrico veio” – disse o Lego para irritar o boneco que se gabava de ter vindo da Disney.

“Pois é… ela e seus pais estão fazendo uma falta, né não? Desde que chegaram a casa ficou cheia de alegria, movimentada. Vocês viram o tanto de outros brinquedos que apareceram? Cada dia chegavam novos amigos: a girafinha metida a besta, o gatinho gorducho, a Mônica que ficava dando uns olhares estranhos pra gente, um montão de mordedores. Veio brinquedo até do Camboja! E aquele tapete macio e colorido?!? Como tenho saudades dele… Depois que eles foram embora dobraram o pobre do tapete, colocaram na sacola e o deixaram ali no canto, encostado, tristonho”.

O burrico não se conformava com a situação.

“Realmente eles fazem uma falta…” – disse uma voz num tom bastante meloso, típica de uma menina mimada.

Todos riram nessa hora. Era a princesa se manifestando. Ela havia ficado algumas vezes muito contrariada com a menininha Maria. Achava que ia chegar chegando, arrasando, porque era de um tecido não alérgico, toda maciazinha, com pernas e braços longos e bons de apertar. Além do mais era cor-de-rosa. Nenhuma menina, por mais novinha que fosse, resistiria a uma boneca cor-de-rosa. Ainda mais sendo uma princesa, com coroa de ouro, colar de pérolas, pingente em coração dourado e sapatilhas de bailarina.

Pois bem. No dia que a princesa chegou, embalada como um belo presente, a menina simplesmente ignorou a boneca e ficou vidrada na etiqueta que veio presa a ela. Aquele pedaço de papel com os dizeres “Quero ser a melhor amiguinha da…” virou a sensação da pequenina. O papel traz até hoje as marcas das mordidas dos seus dois únicos dentinhos. A princesa ficou indignada com aquele desprezo. Desde então fechou os olhos, empinou o nariz e fingia não dar bola para a situação.

Mas um dia alguém pegou a princesa e a fez dançar diante da menina, aproveitando os longos braços e pernas, num movimento de bailarina que encantou a garota. Ela então soltou um grito e engatinhou às pressas para pegar a boneca. A princesa naquela hora se derreteu todinha. Era tudo o que ela queria. Ser amiga da Maria. Orgulhosa como é, continuou com os olhos fechados mas, sem conseguir dominar seus sentimentos, abriu um sorriso de felicidade. A princesa virou outra desde aquele dia.

Mas e agora?!?! A menina já não estava mais ali e levou consigo praticamente todos os brinquedos. Só deixou o burrico azul, o Lego, o ratinho amarelo e… para o espanto de todos… a princesa cor-de-rosa. Ela não teria conquistado o coração da menina?

Por conta disso não parava de chorar. Na verdade, ela não era a única. Praticamente todos os demais bonecos, o tapete macio e colorido, os sofás, a televisão, a mesa, o berço desmontável e os bisavós, os avós, os tios, os amigos, todos choravam a ausência da menina Maria e dos seus pais. Foram uns poucos dias, mas eles haviam enchido a casa de uma alegria que há muito não se via por ali. Durante aquele mês aquele ambiente parecia ter recebido uma romaria, um entra e sai de amigos e parentes que vinham vê-los, abraçá-los e tomar a menina nos braços, nem que fosse por uns poucos minutos. Era uma festança interminável!

“Eu não imaginava o quanto eles são queridos! Really!!!” – disse o ratinho que chegava das baixas temperaturas, não da Europa, mas da cozinha. Ele viera com os “ingleses” de Cambridge em dezembro. Ficava o tempo todo na sala, junto aos outros bonecos. Mas, por um inexplicável acidente, acabou sendo esquecido na geladeira da cozinha. Isso mesmo… na geladeira. No outro dia cedo quando alguém foi à procura de um copo de suco, deu de cara com o amarelinho de orelhas cor-de-rosa e pés azuis assentado no gradil do refrigerador. Ele estava curtindo bastante a temperatura mais baixa, parecida com o inverno europeu, bem diferente do insuportável verão brasiliense. Mas jamais imaginaria que seria deixado para trás.

(Um detalhe: apesar de se gabar e posar de intelectual, morador de Cambridge, o rato havia sido fabricado na China, muito embora nunca admitisse isso. Mas bastava um olhar minucioso e logo toda farsa caía por terra: de maneira quase imperceptível podia-se ler embaixo de sua base “made in China”.)

“Ué… por que você está dizendo isso, ratinho inglês? Eles não tem amigos na Inglaterra? – perguntou surpreso o burrico.

Yes! Claro que têm. Eles sempre se encontram para um friendly relationship. Já receberam em casa friends japoneses que falam português, um africano, portugueses, english friends, obviamente… e muitos outros. Isso além desse pessoal que mora aqui. Eles estiveram por lá também. A funny grandma with curly hair já foi duas vezes. Os outros grandparents da Maria e outros tios e priminhas apareceram por lá também. Mas de longe a casa de lá tem o movimento que teve a casa daqui nesses dias. Era muita gente. I’m very impressed!!!”

“Pois é, mas tudo agora acabou…” – disse deprimido o burrico fungando o focinho róseo.

“Apesar de tudo o que ela me fez, sinto uma falta imensa da Maria” – cooperou em lágrimas a orgulhosa princesa.

“Alto lá… parem com isso!!!” – retrucou bravamente o Lego com olhar de quem não pede, mas ordena, como a funcionários sob sua gerência. “Eles precisavam ir. Os pais da menina têm muito trabalho pela frente. É com o trabalho que a gente cresce. O nosso apego à pessoas e lugares não pode ser um atrapalho para que cresçamos. Se aprendemos a amar a Maria e seus pais de verdade, então é importante deixá-los ir. Para que construam novas experiências e novos conhecimentos! Amor que engaiola não é amor. É prisão!”

“É verdade, amigo Lego. I agree with you! Eles precisavam ir” – guinchou o ratinho inglês, já com a voz fraquinha, dando sinais que a pilha já estava quase no fim. “Eles precisavam ir… E eu, até que fiquei feliz de ter sido esquecido por aqui”.

Todos assustaram com aquela afirmação. O ratinho não teria saudades da menina e dos pais? Não sentiria falta do país e das baixas temperaturas? E antes que alguém dissesse algo, já foi explicando:

“Esses dias aqui foram maravilhosos. Eu via os três se preparando para a viagem e ficava imaginando: como deve ser esse sentimento de viver em uma família maior? Eu percebia o amor dos três: do pai, da mãe e da menina. Vi como tudo foi acontecendo, desde o nascimento dela. No dia da viagem, pouco antes de fecharem a mala, me colocaram lá dentro, junto com outros poucos brinquedos. Fui um dos escolhidos para ver essas coisas que vi aqui. Nesses dias aqui eu entendi um pouco mais do que seja amor. Um sentimento que a distância não apaga… ao contrário, às vezes até inflama. Pude ver a maneira como os tios, que não conheciam a menina, a receberam, como se brincassem com ela todas manhãs desde o nascimento, como eu brinquei. Vi a alegria e os sorrisos da chegada e a tristeza e o choro da saída. Mas vi também que o amor é algo maior do que toda tristeza que fica. Essa passa, até o reencontro. E, pelo que vejo, será em breve. Quem sabe, quando eles forem vê-los, me levam de volta pra casa. Aí terei aprendido um pouco mais sobre o que é amar, apesar da distância. To love despite the distance”.

Todos os bonecos estavam calados com lágrimas nos olhos. A televisão também estava muda. Só o barulho dos carros e motos do eixinho não paravam. O mundo lá fora continuava correndo freneticamente. Eles não tinham tempo. A pressa e a correria os impedia de entender o que é amar.

“Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei, a fim de redimir os que estavam sob a Lei, para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gálatas 4.4).

O cosmos inteiro se preparou para receber Jesus. Ele não nasceu por um acaso, de qualquer maneira, num improviso de última hora. Talvez o fato do parto ter se dado num estábulo nada higiênico, e o menino ter sido posto numa manjedoura nada confortável, possa parecer que não houve planejamento. Mas não é isso que a Bíblia nos mostra. Ao contrário: Jesus nasceu “na plenitude dos tempos”. Seria o mesmo que dizer que Ele nasceu no momento exato, para a inauguração da nova dispensação, para revelar a graça de Deus aos homens, no tempo determinado pelo Pai.

            Naquela altura praticamente todo o mundo conhecido estava dominado pelo imponente Império Romano. Fruto da força imperialista havia uma língua predominante falada em todo lugar, o grego. Haviam estradas pavimentadas conectando as principais cidades da época, as “curas viarium”, facilitando o deslocamento das tropas e rapidez na comunicação. Havia paz, muito embora mantida pela força das armas do império, a “Pax Romana”. Tudo foi preparado para outros fins, mas por elas as notícias do nascimento, vida, ministério, morte e ascensão de Cristo se espalharam rapidamente por todo o mundo. Jesus nasceu num momento histórico inigualável. A Eternidade invadiu o nosso espaço-temporal, foi revelada diante dos olhos dos homens no tempo apropriado.

Paulo proclamou a pré-existência de Jesus ao narrar que Ele foi enviado por Deus. O Evangelho de João confirma isso: “Ele veio do Alto”, “entrou no mundo”. No entanto se manifestou a nós por meio da encarnação, nascido de mulher. Mateus e Lucas ainda acrescentariam, “nascido de uma virgem”. Lucas registra a visita do Anjo a Maria: “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus” (Lc 1.35). A humanidade de Jesus remete à Maria, sua mãe humana; a Sua ausência de pecados e Sua divindade remetem ao Espírito Santo que cobriu Maria.

Mas, para que Jesus nasceu? Essa pergunta quase ninguém faz no Natal. Ela é fundamental e dá sentido e significado a esta celebração. Diria John Stott, “Jesus nasceu para morrer”. Em seu ministério o tempo todo ele previu a Sua morte, dizendo que era a “hora” para a qual havia sido enviado (Jo 12.27). Na sua última noite instituiu uma ceia em sua memória: o pão e o vinho que falam não do seu nascimento, nem de sua vida, muito menos de seus milagres e curas, mas de sua morte violenta em uma cruz. Os credos escritos pela Igreja no correr da história, inclusive, passam direto do Seu nascimento para a Sua morte: “Nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”. Jesus nasceu para morrer.

Jesus nasceu em tempo determinado para que a glória encarnada de Deus fosse vista por nós, e através de Sua morte pudéssemos contemplar a glória de Deus na Eternidade, quando essa vida transitória se desfizer. Jesus morreu para que fôssemos salvos.

“Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2.10,11).

Tenha um Feliz Natal!

img_8047Encontrei-me recentemente com o Marcos Almeida. Ele veio fazer um show em Brasília e me convidou a aparecer por lá. Foi um show incrível: ele e Lorena Chaves – dois shows em um. Casa lotada!

Ao final passei no camarim para dar um abraço neles e agradecer pela noite tão agradável. Foi quando o Marcos me disse: “Meu pai compôs uma canção muito bonita. Gostaria de te apresentar. Quem sabe você inclui em seu repertório”. De imediato respondi: “Quem sabe gravamos ela juntos?!?!”.

O certo é que um mês depois estávamos juntos no estúdio Refinaria, em Brasília, acompanhado do seu Ubaldo, pai do Marcos e autor da canção. Foi a primeira música que ele compôs, aos 68 anos de idade. Talento adormecido que brota pelo incentivo do filho artista. Muito bonito isso! Uma demonstração da amizade, do carinho e do zêlo – coisas do relacionamento pai e filho, quando agraciado por Deus.

Na noite da gravação prevalecia uma atmosfera de gratidão e louvor. Todos ali estavam emocionados de participar de um projeto com essas características tão distintas.

capa-felicidadeO instrumental foi gravado com o apoio generoso dos músicos-amigos-irmãos da banda que caminham comigo, sempre me auxiliando: Cláudia Barbosa (flauta), Felipe Viegas (piano e como quem dividi os arranjos), Ismael Rattis (percussão), Leo Barbosa (percussão), Enos Marcelino (acordeom) e Dido Mariano (baixo). A mix e a master foram feitas pelo amigo-irmão-parceiro do Marcos, o talentoso Jordan Macedo, que fez o nosso som soar lindo demais. Muito obrigado a todos vocês.

Aí está o clipe oficial, produzido pela Agência M.I.H. Ficou muito bonito e captou com beleza detalhes daquela noite memorável. As fotos são de Déborah Mendes. A identidade visual foi criada pela Máquina do Bem. Que povo talentoso… Espero que gostem.

Aproveito e desejo a vocês um Feliz Natal e um abençoado 2017!

 

Versão 2Com imensa tristeza compartilho a notícia do falecimento do querido Elben Lenz César. Um homem de Deus, piedoso, humilde, simples, profundo, comedido, sensato, alegre, engraçado, amigo, pastor, conselheiro, professor, orientador, apoiador, apaixonado pelo Reino de Deus, evangelista, missionário, bíblico, ético… Tive o privilégio, como outros, de usufruir de sua generosa amizade, bem como da convivência com sua preciosa família.

Essa foto tiramos em nosso último encontro, em maio desse ano, em sua residência, na cidade de Viçosa. Fomos visitar o casal. Dona Deja recuperava-se de uns problemas de saúde. Ele, sempre animado, nos contou detalhes de sua recente passagem por São Tomé das Letras, que depois virou matéria de capa da Ultimato. Depois, conversamos um pouco na sua enorme biblioteca, meio bagunçada, mas riquíssima de preciosidades históricas. Ali diariamente ele escrevia seus artigos, livros e sermões à lápis. Concluindo a visita descemos as escadas e nos mostrou com grande expectativa a construção de onde seriam as novas instalações do seu escritório. Conversamos, rimos, sonhamos, oramos juntos. Um encontro inesquecível.

Hoje o Supremo Pastor o levou, o tomou para Si. Nesse momento, sobre a mesa do escritório, repousam inúmeros projetos que o visionário Elben ainda ansiava realizar. Seus sonhos de servir a Jesus, seu Senhor, jamais se estancaram, mesmo durante uma inesperada depressão que o afligiu por uns tempos. Os sonhos eram tantos e tão intensos que a família precisou intervir em alguns momentos, porque o peso da idade não o conseguia conter.

Confesso que me sinto órfão, como tantos nesse momento. Mas, ao mesmo tempo, absolutamente convicto de que em breve nos encontraremos, no reino vindouro. A morte e a ressurreição de Cristo nos dão a certeza disso. Essa é a mensagem de esperança do Evangelho. E essa era a mensagem que o Reve insistentemente pregava:

A respeito do evento relacionado com a ressurreição dos crentes, diz-se que “o último inimigo a ser destruído é a morte” (1Co 15.26). A morte é a última pedra de dominó a cair. Quando virmos os outros inimigos de Deus e do homem caírem, poderemos estar certos, absolutamente certos, que o último também vai cair!”

Rev. Elben Lenz César em “Refeições Diárias no partir do pão e nas orações”, Ed Ultimato, página 18.

Johny ChanJohny Chan é um jovem empresário de São Paulo. Brasileiro, descendente de taiwaneses, é cristão e apaixonado por música de todos os estilos – do erudito ao pop contemporâneo. Ele é o criador do Brasilidade Cristã, um ministério de apoio que divulga os artistas cristãos brasileiros através das mídias sociais. O Brasilidade acaba de lançar seu aplicativo na internet. Numa manhã de domingo, nos encontramos em Suzano para um bate-papo.

 

Novos Acordes: O que é Brasilidade Cristã?

Johny Chan: É um ministério que Deus colocou no meu coração. O objetivo do Brasilidade Cristã é simplesmente propagar a musica cristã brasileira, em suas diversas vertentes, através das mídias sociais – Facebook, Youtube, Twitter e Instagram. Esse ministério nunca teve como propósito comercializar alguma coisa. O tempo que eu gasto, os deslocamentos que eu faço, tudo vem do meu bolso. Quase sempre as pessoas me convidam a ir aos eventos para cobrir. Estando lá eu gravo com meu celular e depois posto na rede.

 

NA: Como surgiu?

JC: No começo não tinha a ideia de começar algo assim. Eu tinha interesse em gravar os cantores que gosto e depois postava no meu canal particular no Youtube. Depois passei a divulgar a agenda dos artistas na minha página, no Facebook. Isso foi em 2008. O Jorge Caetano, esposo da cantora Ju Bragança, viu isso e sugeriu que eu fizesse algo diferenciado, criando uma página que reunisse todo esse material. No começo eu relutei. Não via como conciliar minha agenda pessoal familiar e de trabalho com algo assim. Mas um tempo depois acabei cedendo. O Brasilidade Cristã está no ar há dois anos e meio. Hoje divulga as agendas dos artistas e vídeos com canções dos diversos segmentos da música cristã no Brasil.

 

NA: Você começou com qual estilo musical?

JC: Eu sempre segui os artistas da MPB cristã e gostava de gravar suas apresentações. Fui percebendo que era um grupo fechado, não muito conhecido do público em geral. Depois passei a transitar em diferentes espaços e tive contato com vários outros estilos mais populares que levam milhares de pessoas em shows grandões. Então tive a idéia de ampliar os horizontes e reunir essa diversidade de estilos num mesmo local. Entendi que à medida que fosse divulgando um artista ou grupo, pessoas que só ouviam determinados estilos teriam a oportunidade de conhecer diferentes vertentes da musica cristã. Muitos não tem acesso a outros tipos de música porque a divulgação não chega até eles. À medida que você mescla os mais populares com os menos conhecidos, as pessoas vão se abrindo para novas sonoridades. Assistem um trecho das apresentações no Brasilidade Cristã e, a partir daí, podem chegar ao site do artista.

 

NA: E como tem sido essa experiência?

JC: Eu nunca imaginei que fosse transitar no meio da black music, do pessoal do rap, do soul, dos corais no estilo americano do negro spiritual. Eu, descendente de taiwaneses, transitando no meio desses grupos, antes desconhecidos por mim… Tem sido muito legal. Aprendi que se quero música negra, vou num lugar; se quero MPB, vou em outro lugar, e assim por diante. Hoje você encontra shows grandes com uma diversidade enorme de estilos. Musica de adoração, de conscientização social, música “cristocêntrica” (como alguns a chamam), uns voltados para o mercado, outros para a arte… É difícil unir todas essas vertentes. Não dá para juntar tudo e dizer – isto é musica cristã brasileira. É um conceito muito difícil de ser definido atualmente.

 

NA: Que tipo de vídeo que você posta?

JC: Algumas pessoas me procuram para dizer que está na hora de eu ter uma equipe com duas ou três pessoas, várias câmeras e uma bela edição. Eu digo que esse nunca foi o enfoque do Brasilidade Cristã. Eu busco fazer o melhor, mas não faço clipe. Apenas faço o registro de algumas apresentações ao vivo, como uma pessoa que vai a um evento e filma em seu celular. Tento captar da melhor maneira possível aquele momento. Com o tempo fui adquirindo mais experiência, aprendendo a enquadrar e a focar melhor. Mas é um vídeo sem edição, um registro do momento. Sempre tenho a consciência de pedir autorização aos artistas antes de subir para as mídias sociais. Já fui em eventos que não me autorizaram postar musicas completas, mas pequenos trechos das canções. Levo isso a sério e sempre procuro respeitar os direitos autorais dos artistas.

 

NA: Recentemente o Brasilidade Cristã lançou um aplicativo para celulares.

JC: Pois é, foi uma surpresa para mim. É algo bem recente. Eu tenho um vínculo com o pessoal de uma empresa especializada em comunicação via mídias sociais, a Pippa. Essa empresa criou a logo do Brasilidade e faz as artes para mim. Sempre recorro a eles e acabaram tornando parceiros do projeto. O aplicativo foi um presente que eles me deram. Eu agradeço ao Nio Felipe, o diretor responsável. Sabendo da minha visão como ministério, ele quis abençoar o Brasilidade me presenteando com esse aplicativo que está disponível no Google Play e na Apple Store. Sem dúvida é um caminho, uma porta que Deus abriu. O aplicativo reúne todas as informações do Brasilidade no Facebook, Instagram e a biblioteca do canal no Youtube. Toda vez que posto um novo material, ele é atualizado automaticamente no aplicativo.

 

 

PS_20160509132707Anuacy Fontes passou 16 anos de sua vida em Recife trabalhando como músico, onde teve a oportunidade de gravar com alguns importantes nomes da música popular brasileira, como Dominguinhos, Nando Cordel e Elba Ramalho. Anos depois, voltou para o Maranhão, sua terra natal, e atualmente dedica-se como ministro de música na Igreja Presbiteriana do Calhau. Segundo ele, o ministro de música é “uma função não muito observada na Igreja Presbiteriana em geral em nosso país, mas de total relevância e de apoio importantíssimo ao ministério pastoral”. Além de ser o regente do coro, Anuacy é o responsável pelo repertório e os arranjos das músicas para o tempo de adoração comunitária.
Atualmente desenvolve um projeto bem interessante: a produção do álbum TULIP – o famoso acróstico que designa os cincos pontos do calvinismo. A Novos Acordes conversou com Anuacy sobre o projeto:


Novos Acordes: Como surgiu o projeto TULIP?

Anuacy Fontes: O projeto surgiu a partir da inquietação que eu sentia ao ouvir algumas músicas evangélicas com letras antropocêntricas, com teologias e doutrinas inconsistentes no ponto de vista bíblico, sem criatividade poética e musical. Entendi que, como ministro de música, produtor e arranjador musical, poderia também contribuir para mudar este quadro, apresentando algo que viesse a ser notado e experimentado diante da pluralidade artística em que estamos inseridos.

 

NA: Mas, por que os cinco pontos do calvinismo?

AF: A doutrina reformada é muito clara e consistente biblicamente, e tem como aspecto mais visível os cinco pontos do calvinismo. Como compositor, me saltaram aos olhos as possibilidades poéticas da TULIP e o que este acróstico comunica em verdades bíblicas. E quando me detive aos detalhes históricos, especialmente da vida de João Calvino, sua influencia na arte, na música como conceito de graça geral e específica, me maravilhei com as possibilidades deste projeto.

 

NA: São quantas músicas ao todo?

AF: O projeto consta de oito canções. Além das cinco referentes aos pontos da TULIP – Total depravação (Total Depravity), Incondicional eleição (Unconditional Election), Expiação limitada (Limited Atonement), Irresistível graça (Irresistible Grace ) e Perseverança dos santos (Perseverance of the Saints ) – gravei o Hino 88, do Hinário Novo Cântico, “Amor Perene”, de Guilherme L. dos Santos Ferreira. Tomei conhecimento de uma primeira estrofe inserida nele, composta pelo presbítero Solano Portela, que particularmente ficou perfeita, dando a completude que faltava para os cinco pontos da TULIP. Compus e gravei uma canção de abertura que fala que “antes de tudo é preciso escutar e examinar as escrituras! Se nelas julgais ter a vida eterna, estão seja Deus quem vos convencerá”. E para fechar, uma canção que conta sobre a vida de João Calvino.

 

NA: Como os interessados podem ter acesso a este trabalho?

AF: No momento o projeto está em sua fase final, aguardando os trabalhos de prensagem. Porém, já pode ser adquirido pelo e-mail anuacy@gmail.com ou pelo WhatsApp 098 996177075.

 

NA: Você tem outros projetos em mente?

AF: Sim, em mente muita coisa para realizar musicalmente, outros na prancheta aguardando o tempo certo, e alguns já com repertório definido e arranjos escritos como: “Graça e Misericórdia”, que trata da teologia destes dois conceitos em dez canções, “Encontros com Jesus”, que relatam alguns encontros de Jesus com personagens bíblicos em uma musicalidade bem brasileira. Tem ainda o álbum “Grão” que está em fase de finalização das composições, o projeto “Palavra Cantada”, onde além da TULIP, tem os salmos musicados, cantados literalmente na versão corrigida e atualizada de João Ferreira. O Salmo 119 (que gerou 22 canções), os de Romagem e Penitenciais já estão prontos e podem ser enviados a quem se interessar em aprender os salmos de forma musical. Este projeto, particularmente, tem sido apoiado pela Renovar, na pessoa do empresário Isaque Alves que me desafiou e tem me animado a prosseguir neste caminho. Tenho ainda em andamento, em fase de gravação, o CD “Os cinco ‘solas’”, que deve estar a disposição até o fim do ano. Este ministério, apesar de ser musical, sempre é acompanhado de palestras, estudos e oficinas nas áreas de ministério de música na igreja, cultura e sonorização, este último como experiência profissional em estúdio.

 

Abaixo inserimos a faixa Irresistível Graça, de Anuacy Fontes, integrante do CD “TULIP”.

 

Depois de um tempo parados, voltamos a produzir os podcasts Novos Acordes. Dessa vez com algumas mudanças. Iremos mostrar e comentar trechos dos CDs citados na coluna da revista Ultimato, impressa, que chega até os nossos leitores. A idéia é tornar a nossa coluna ainda mais atrativa.

Nesse primeiro programa da nova série, apresentamos os CDs “Deus no Interior”, de Eliseu Eduardo, “Cântaro”, de Melina Prista, e “Vila Nova”, de Eder Duarte.