img_8047Encontrei-me recentemente com o Marcos Almeida. Ele veio fazer um show em Brasília e me convidou a aparecer por lá. Foi um show incrível: ele e Lorena Chaves – dois shows em um. Casa lotada!

Ao final passei no camarim para dar um abraço neles e agradecer pela noite tão agradável. Foi quando o Marcos me disse: “Meu pai compôs uma canção muito bonita. Gostaria de te apresentar. Quem sabe você inclui em seu repertório”. De imediato respondi: “Quem sabe gravamos ela juntos?!?!”.

O certo é que um mês depois estávamos juntos no estúdio Refinaria, em Brasília, acompanhado do seu Ubaldo, pai do Marcos e autor da canção. Foi a primeira música que ele compôs, aos 68 anos de idade. Talento adormecido que brota pelo incentivo do filho artista. Muito bonito isso! Uma demonstração da amizade, do carinho e do zêlo – coisas do relacionamento pai e filho, quando agraciado por Deus.

Na noite da gravação prevalecia uma atmosfera de gratidão e louvor. Todos ali estavam emocionados de participar de um projeto com essas características tão distintas.

capa-felicidadeO instrumental foi gravado com o apoio generoso dos músicos-amigos-irmãos da banda que caminham comigo, sempre me auxiliando: Cláudia Barbosa (flauta), Felipe Viegas (piano e como quem dividi os arranjos), Ismael Rattis (percussão), Leo Barbosa (percussão), Enos Marcelino (acordeom) e Dido Mariano (baixo). A mix e a master foram feitas pelo amigo-irmão-parceiro do Marcos, o talentoso Jordan Macedo, que fez o nosso som soar lindo demais. Muito obrigado a todos vocês.

Aí está o clipe oficial, produzido pela Agência M.I.H. Ficou muito bonito e captou com beleza detalhes daquela noite memorável. As fotos são de Déborah Mendes. A identidade visual foi criada pela Máquina do Bem. Que povo talentoso… Espero que gostem.

Aproveito e desejo a vocês um Feliz Natal e um abençoado 2017!

 

Versão 2Com imensa tristeza compartilho a notícia do falecimento do querido Elben Lenz César. Um homem de Deus, piedoso, humilde, simples, profundo, comedido, sensato, alegre, engraçado, amigo, pastor, conselheiro, professor, orientador, apoiador, apaixonado pelo Reino de Deus, evangelista, missionário, bíblico, ético… Tive o privilégio, como outros, de usufruir de sua generosa amizade, bem como da convivência com sua preciosa família.

Essa foto tiramos em nosso último encontro, em maio desse ano, em sua residência, na cidade de Viçosa. Fomos visitar o casal. Dona Deja recuperava-se de uns problemas de saúde. Ele, sempre animado, nos contou detalhes de sua recente passagem por São Tomé das Letras, que depois virou matéria de capa da Ultimato. Depois, conversamos um pouco na sua enorme biblioteca, meio bagunçada, mas riquíssima de preciosidades históricas. Ali diariamente ele escrevia seus artigos, livros e sermões à lápis. Concluindo a visita descemos as escadas e nos mostrou com grande expectativa a construção de onde seriam as novas instalações do seu escritório. Conversamos, rimos, sonhamos, oramos juntos. Um encontro inesquecível.

Hoje o Supremo Pastor o levou, o tomou para Si. Nesse momento, sobre a mesa do escritório, repousam inúmeros projetos que o visionário Elben ainda ansiava realizar. Seus sonhos de servir a Jesus, seu Senhor, jamais se estancaram, mesmo durante uma inesperada depressão que o afligiu por uns tempos. Os sonhos eram tantos e tão intensos que a família precisou intervir em alguns momentos, porque o peso da idade não o conseguia conter.

Confesso que me sinto órfão, como tantos nesse momento. Mas, ao mesmo tempo, absolutamente convicto de que em breve nos encontraremos, no reino vindouro. A morte e a ressurreição de Cristo nos dão a certeza disso. Essa é a mensagem de esperança do Evangelho. E essa era a mensagem que o Reve insistentemente pregava:

A respeito do evento relacionado com a ressurreição dos crentes, diz-se que “o último inimigo a ser destruído é a morte” (1Co 15.26). A morte é a última pedra de dominó a cair. Quando virmos os outros inimigos de Deus e do homem caírem, poderemos estar certos, absolutamente certos, que o último também vai cair!”

Rev. Elben Lenz César em “Refeições Diárias no partir do pão e nas orações”, Ed Ultimato, página 18.

Johny ChanJohny Chan é um jovem empresário de São Paulo. Brasileiro, descendente de taiwaneses, é cristão e apaixonado por música de todos os estilos – do erudito ao pop contemporâneo. Ele é o criador do Brasilidade Cristã, um ministério de apoio que divulga os artistas cristãos brasileiros através das mídias sociais. O Brasilidade acaba de lançar seu aplicativo na internet. Numa manhã de domingo, nos encontramos em Suzano para um bate-papo.

 

Novos Acordes: O que é Brasilidade Cristã?

Johny Chan: É um ministério que Deus colocou no meu coração. O objetivo do Brasilidade Cristã é simplesmente propagar a musica cristã brasileira, em suas diversas vertentes, através das mídias sociais – Facebook, Youtube, Twitter e Instagram. Esse ministério nunca teve como propósito comercializar alguma coisa. O tempo que eu gasto, os deslocamentos que eu faço, tudo vem do meu bolso. Quase sempre as pessoas me convidam a ir aos eventos para cobrir. Estando lá eu gravo com meu celular e depois posto na rede.

 

NA: Como surgiu?

JC: No começo não tinha a ideia de começar algo assim. Eu tinha interesse em gravar os cantores que gosto e depois postava no meu canal particular no Youtube. Depois passei a divulgar a agenda dos artistas na minha página, no Facebook. Isso foi em 2008. O Jorge Caetano, esposo da cantora Ju Bragança, viu isso e sugeriu que eu fizesse algo diferenciado, criando uma página que reunisse todo esse material. No começo eu relutei. Não via como conciliar minha agenda pessoal familiar e de trabalho com algo assim. Mas um tempo depois acabei cedendo. O Brasilidade Cristã está no ar há dois anos e meio. Hoje divulga as agendas dos artistas e vídeos com canções dos diversos segmentos da música cristã no Brasil.

 

NA: Você começou com qual estilo musical?

JC: Eu sempre segui os artistas da MPB cristã e gostava de gravar suas apresentações. Fui percebendo que era um grupo fechado, não muito conhecido do público em geral. Depois passei a transitar em diferentes espaços e tive contato com vários outros estilos mais populares que levam milhares de pessoas em shows grandões. Então tive a idéia de ampliar os horizontes e reunir essa diversidade de estilos num mesmo local. Entendi que à medida que fosse divulgando um artista ou grupo, pessoas que só ouviam determinados estilos teriam a oportunidade de conhecer diferentes vertentes da musica cristã. Muitos não tem acesso a outros tipos de música porque a divulgação não chega até eles. À medida que você mescla os mais populares com os menos conhecidos, as pessoas vão se abrindo para novas sonoridades. Assistem um trecho das apresentações no Brasilidade Cristã e, a partir daí, podem chegar ao site do artista.

 

NA: E como tem sido essa experiência?

JC: Eu nunca imaginei que fosse transitar no meio da black music, do pessoal do rap, do soul, dos corais no estilo americano do negro spiritual. Eu, descendente de taiwaneses, transitando no meio desses grupos, antes desconhecidos por mim… Tem sido muito legal. Aprendi que se quero música negra, vou num lugar; se quero MPB, vou em outro lugar, e assim por diante. Hoje você encontra shows grandes com uma diversidade enorme de estilos. Musica de adoração, de conscientização social, música “cristocêntrica” (como alguns a chamam), uns voltados para o mercado, outros para a arte… É difícil unir todas essas vertentes. Não dá para juntar tudo e dizer – isto é musica cristã brasileira. É um conceito muito difícil de ser definido atualmente.

 

NA: Que tipo de vídeo que você posta?

JC: Algumas pessoas me procuram para dizer que está na hora de eu ter uma equipe com duas ou três pessoas, várias câmeras e uma bela edição. Eu digo que esse nunca foi o enfoque do Brasilidade Cristã. Eu busco fazer o melhor, mas não faço clipe. Apenas faço o registro de algumas apresentações ao vivo, como uma pessoa que vai a um evento e filma em seu celular. Tento captar da melhor maneira possível aquele momento. Com o tempo fui adquirindo mais experiência, aprendendo a enquadrar e a focar melhor. Mas é um vídeo sem edição, um registro do momento. Sempre tenho a consciência de pedir autorização aos artistas antes de subir para as mídias sociais. Já fui em eventos que não me autorizaram postar musicas completas, mas pequenos trechos das canções. Levo isso a sério e sempre procuro respeitar os direitos autorais dos artistas.

 

NA: Recentemente o Brasilidade Cristã lançou um aplicativo para celulares.

JC: Pois é, foi uma surpresa para mim. É algo bem recente. Eu tenho um vínculo com o pessoal de uma empresa especializada em comunicação via mídias sociais, a Pippa. Essa empresa criou a logo do Brasilidade e faz as artes para mim. Sempre recorro a eles e acabaram tornando parceiros do projeto. O aplicativo foi um presente que eles me deram. Eu agradeço ao Nio Felipe, o diretor responsável. Sabendo da minha visão como ministério, ele quis abençoar o Brasilidade me presenteando com esse aplicativo que está disponível no Google Play e na Apple Store. Sem dúvida é um caminho, uma porta que Deus abriu. O aplicativo reúne todas as informações do Brasilidade no Facebook, Instagram e a biblioteca do canal no Youtube. Toda vez que posto um novo material, ele é atualizado automaticamente no aplicativo.

 

 

PS_20160509132707Anuacy Fontes passou 16 anos de sua vida em Recife trabalhando como músico, onde teve a oportunidade de gravar com alguns importantes nomes da música popular brasileira, como Dominguinhos, Nando Cordel e Elba Ramalho. Anos depois, voltou para o Maranhão, sua terra natal, e atualmente dedica-se como ministro de música na Igreja Presbiteriana do Calhau. Segundo ele, o ministro de música é “uma função não muito observada na Igreja Presbiteriana em geral em nosso país, mas de total relevância e de apoio importantíssimo ao ministério pastoral”. Além de ser o regente do coro, Anuacy é o responsável pelo repertório e os arranjos das músicas para o tempo de adoração comunitária.
Atualmente desenvolve um projeto bem interessante: a produção do álbum TULIP – o famoso acróstico que designa os cincos pontos do calvinismo. A Novos Acordes conversou com Anuacy sobre o projeto:


Novos Acordes: Como surgiu o projeto TULIP?

Anuacy Fontes: O projeto surgiu a partir da inquietação que eu sentia ao ouvir algumas músicas evangélicas com letras antropocêntricas, com teologias e doutrinas inconsistentes no ponto de vista bíblico, sem criatividade poética e musical. Entendi que, como ministro de música, produtor e arranjador musical, poderia também contribuir para mudar este quadro, apresentando algo que viesse a ser notado e experimentado diante da pluralidade artística em que estamos inseridos.

 

NA: Mas, por que os cinco pontos do calvinismo?

AF: A doutrina reformada é muito clara e consistente biblicamente, e tem como aspecto mais visível os cinco pontos do calvinismo. Como compositor, me saltaram aos olhos as possibilidades poéticas da TULIP e o que este acróstico comunica em verdades bíblicas. E quando me detive aos detalhes históricos, especialmente da vida de João Calvino, sua influencia na arte, na música como conceito de graça geral e específica, me maravilhei com as possibilidades deste projeto.

 

NA: São quantas músicas ao todo?

AF: O projeto consta de oito canções. Além das cinco referentes aos pontos da TULIP – Total depravação (Total Depravity), Incondicional eleição (Unconditional Election), Expiação limitada (Limited Atonement), Irresistível graça (Irresistible Grace ) e Perseverança dos santos (Perseverance of the Saints ) – gravei o Hino 88, do Hinário Novo Cântico, “Amor Perene”, de Guilherme L. dos Santos Ferreira. Tomei conhecimento de uma primeira estrofe inserida nele, composta pelo presbítero Solano Portela, que particularmente ficou perfeita, dando a completude que faltava para os cinco pontos da TULIP. Compus e gravei uma canção de abertura que fala que “antes de tudo é preciso escutar e examinar as escrituras! Se nelas julgais ter a vida eterna, estão seja Deus quem vos convencerá”. E para fechar, uma canção que conta sobre a vida de João Calvino.

 

NA: Como os interessados podem ter acesso a este trabalho?

AF: No momento o projeto está em sua fase final, aguardando os trabalhos de prensagem. Porém, já pode ser adquirido pelo e-mail anuacy@gmail.com ou pelo WhatsApp 098 996177075.

 

NA: Você tem outros projetos em mente?

AF: Sim, em mente muita coisa para realizar musicalmente, outros na prancheta aguardando o tempo certo, e alguns já com repertório definido e arranjos escritos como: “Graça e Misericórdia”, que trata da teologia destes dois conceitos em dez canções, “Encontros com Jesus”, que relatam alguns encontros de Jesus com personagens bíblicos em uma musicalidade bem brasileira. Tem ainda o álbum “Grão” que está em fase de finalização das composições, o projeto “Palavra Cantada”, onde além da TULIP, tem os salmos musicados, cantados literalmente na versão corrigida e atualizada de João Ferreira. O Salmo 119 (que gerou 22 canções), os de Romagem e Penitenciais já estão prontos e podem ser enviados a quem se interessar em aprender os salmos de forma musical. Este projeto, particularmente, tem sido apoiado pela Renovar, na pessoa do empresário Isaque Alves que me desafiou e tem me animado a prosseguir neste caminho. Tenho ainda em andamento, em fase de gravação, o CD “Os cinco ‘solas’”, que deve estar a disposição até o fim do ano. Este ministério, apesar de ser musical, sempre é acompanhado de palestras, estudos e oficinas nas áreas de ministério de música na igreja, cultura e sonorização, este último como experiência profissional em estúdio.

 

Abaixo inserimos a faixa Irresistível Graça, de Anuacy Fontes, integrante do CD “TULIP”.

 

Depois de um tempo parados, voltamos a produzir os podcasts Novos Acordes. Dessa vez com algumas mudanças. Iremos mostrar e comentar trechos dos CDs citados na coluna da revista Ultimato, impressa, que chega até os nossos leitores. A idéia é tornar a nossa coluna ainda mais atrativa.

Nesse primeiro programa da nova série, apresentamos os CDs “Deus no Interior”, de Eliseu Eduardo, “Cântaro”, de Melina Prista, e “Vila Nova”, de Eder Duarte.

 

Há poucos anos atrás ouvi pela primeira vez falar desse tal de EP. De início me soou como mais uma das modernidades na indústria da música. Depois, pesquisando, fiquei sabendo que é uma abreviatura de “Extended Play” e que remonta os tempos do vinil. As categorias daquela época, mais conhecidas, eram basicamente os Compactos Simples e Duplos (que cabiam de uma a duas faixas por lado do disco, durando em média até 15 minutos) e o Long Play ou LP (que cabiam quantas faixas pudessem ser administradas naquele espaço – quase sempre de 4 a 6 de cada lado, numa duração média de 60 minutos). O EP era exatamente o formato utilizado entre o Compacto e o LP. Tinha em média de duas a oito faixas, com uma duração de 3 a 40 minutos.

Nos tempos do vinil era uma opção, apesar de não muito utilizada, para aqueles que gravavam uma quantidade de músicas insuficientes para um LP e mais do que pudesse conter num Compacto.

Os tempos passaram. Presenciamos uma revolução com o surgimento da música digital. Uma série de inovações foram incorporadas neste processo, reinventando as formas de captação, edição, mixagem, masterização, fabricação e distribuição, sem falar dos novos formatos disponíveis ao público e das interações artista-artista e artista-público. Possibilidades inimagináveis agora eram realidades disponíveis a um custo acessível.

No meio de tudo isso, vimos o ressurgimento do EP. É claro, debaixo de um novo conceito. Se antes, o que estava em jogo era o espaço físico disponível no vinil, agora o EP ressurge por outras razões.

Eu particularmente entendo que o EP é fruto dessa ansiedade que nos atinge a todos, viventes do mundo pós-moderno. A tecnologia trouxe enormes avanços no que tange a equipamentos e possibilidades de produção de um álbum. Se antigamente, para se produzir um trabalho era preciso pagar caro por algumas poucas horas de estúdio, hoje é possível ter um estúdio de qualidade no quarto dos fundos de casa a um custo razoável (considerando os preços dos equipamentos de anos atrás).

Assim, as possibilidades de gravação foram democratizadas. Existem inúmeras opções para se produzir um álbum, de acordo com o orçamento disponível. Opções que vão do mais simples ao mais complexo, do totalmente eletrônico ao totalmente acústico, do barato e econômico ao caro e sofisticado.

Acho que o retorno do EP surge especialmente como opção para aquele que tem poucos recursos financeiros, insuficientes para bancar a produção de um trabalho com 12 ou mais faixas, mas que tem músicas em estoque. Com o EP ele vislumbra a possibilidade de lançar um álbum por partes. É uma maneira que o artista encontrou para conter a ansiedade que antes precisava ser dominada por longos meses e anos de produção de um álbum completo. Por outro lado o EP é a forma encontrada para saciar um público cada vez mais ansioso por novidades. Talvez em nome dessa ansiedade mercadológica, vemos que artistas renomados também partiram para a produção de EPs, obviamente por razões diferentes do curto orçamento para a produção.

O certo é que o mercado da música se adaptou ao novo momento. O público mais antenado já não compra mais o CD físico, nem mesmo se liga em comprar um álbum completo, se as músicas não lhe agradam. Hoje compra apenas as faixas que lhe interessa nos sites de música digital ou as curte através dos aplicativos que oferecem música em streaming, como o Spotify, Deezer, Rdio, entre inúmeros outros.

É coisa do passado ficar aguardando o lançamento de um novo trabalho do artista preferido a cada ano, ou a cada dois anos. Hoje o mercado é tão dinâmico que algumas poucas canções são produzidas e lançadas em prazo de poucas semanas ou meses, sistematicamente, no mercado fonográfico. O EP se encaixa perfeitamente nisso.

Eu sou artista dos tempos do vinil. Estou nessa praia desde os anos 80, quando participei de minha primeira gravação num estúdio de 4 canais. Confesso que preciso me esforçar, e muito, para acompanhar toda essa evolução.

Foto de Pierre Yves Refalo (Todos os direitos reservados)

Foto de Pierre Yves Refalo (Todos os direitos reservados)

Quando menino, lembro-me sentado na sala dos meus avós tocando violão e cantando as músicas que havia aprendido com a família. O tio Beto, irmão da vó Elza, silenciosamente ouvia. Ele morava na cidade de Goiás Velho e, vez por outra, passava uns dias em Goiânia para visitar os médicos na peregrinação pela saúde já um tanto combalida. Quando terminei uma das canções ele suspirou e me perguntou: “Por que você não segue a carreira musical, vira um Rolando Boldrin?”. Eu sorri respeitosamente e disse: “Tio Beto, isso é impossível para mim, um menino do interior do país”. Não sei porque, mas aquele momento ficou marcado na minha memória.

Os anos passaram rapidamente. Tio Beto faleceu algum tempo depois. Segui tocando minha viola e meu violão. Agora não só cantando as músicas aprendidas na família, mas também compondo e gravando. Viajei por lugares e pisei palcos que nunca imaginei pisar. Tenho plena convicção que tudo isso é graça de um Deus que vai adiante abrindo portas e mostrando por onde passar e pisar, levando minhas canções.

Pois bem… Numa manhã de novembro desse ano abri meu computador para trabalhar e percebi uma mensagem luminosa na minha caixa postal. Tremi nas bases: era um contato da produção do Sr Brasil, programa da TV Cultura, apresentado, pasmem, pelo Rolando Boldrin. Era um convite a gravar. Fui invadido por antigas lembranças, gratidão a Deus e tentando imaginar como seria aquele momento.

Foto de Pierre Yves Refalo (Todos os direitos reservados)

Foto de Pierre Yves Refalo (Todos os direitos reservados)

Na data marcada viajei com a Claudia, minha esposa, e os demais companheiros da banda para São Paulo e gravamos o programa. Parecia um sonho aquilo tudo: tocar no SESC Pinheiros, gravar no Sr Brasil, assentar naquele banco por onde passaram inúmeros artistas que admiro profundamente, ao lado do Rolando Boldrin. Era muita emoção.

Ouço Boldrin desde a minha meninice, quando viajávamos na camionete do vô Nacim para a Barra, ou com meus pais para o Rio Araguaia. Ele era companhia sempre presente, ao lado de Luiz Gonzaga, Tião Carreiro e Pardinho, Cascatinha e Inhana, entre outros. Sempre o admirei. E agora eu estava lá, ao lado daquele ícone da música popular brasileira. Uma honra dada por Deus..

Enquanto preparávamos para a gravação, conversei um bom tempo com ele, no famoso banco de madeira e pude contar-lhe sobre a conversa do tio Beto. Disse o que aquele momento significava para mim. Ele graciosamente respondeu: “Você é muito bem vindo. A honra é nossa recebê-lo nesse programa”.

Nessa semana o Sr Brasil que gravamos foi ao ar e postado no Youtube pela produção do programa. Compartilho com você essa emoção. Espero que goste.

E sigamos adiante, porque tem muita cantoria ainda por fazer.