Olhando para o ano que se finda, chego à conclusão que ele foi muito proveitoso para as artes produzidas em nosso país. Com um papel e uma caneta tentei me lembrar dos acontecimentos que marcaram a caminhada de vários artistas cristãos nesse ano e fiquei surpreso com tanta história boa. Decidi citar apenas aqueles que de certa forma estão mais conectados com a proposta deste blog, ou seja, de promover uma arte que seja feita por cristãos, que tenha um certo padrão de qualidade, que tenha a marca da brasilidade e também seja produzida por iniciativas independentes, sem o apoio de grandes gravadoras e selos comerciais. Por isso, não citarei muitos dos grandes eventos decididamente comerciais. Logicamente corro o risco de me esquecer de vários igualmente importantes acontecidos no correr do ano, mas ainda assim me arrisco. Se alguém se lembrar de algo mais, é só ir acrescentando nos comentários abaixo e assim vamos completando a lista.

"Flamenco Fiesta", de Hyatt Moore.Começo me lembrando dos muitos lançamentos de CDs e DVDs. De cara me vem à mente um dos primeiros CDs que me chegou às mãos nesse ano. Falo do trabalho do Felipe Silveira, muito bom por sinal, trazendo uma linguagem distinta, diferente do que se vê normalmente no meio cristão brasileiro. Felipe se livra dos excessos que caracterizam boa parte das gravações e nos oferece músicas suaves, harmonicamente elaboradas e inteligentes.

Lembro-me também do pulsar firme, baixos seguros e “suingues” característicos da negritude de Ramon Goulart em seu “Fontes de Vida”, segundo trabalho desse artista. Muito legal!

Vem-me à mente o amigo Erlon Lemos e o seu “Simples”, que é, sem dúvida, um trabalho que se destaca por sua riqueza e beleza. Erlon é completo – grande compositor, belíssima voz e uma guitarra impecável. E ainda contou nesse CD com a produção musical do Tiago Pinheiro. Covardia, né não?

Recordo ainda que o Jorge Camargo comemorou seus 30 anos de trabalho musical com um fôlego admirável. Foram pelo menos 4 trabalhos lançados, considerando os três CDs e o DVD. Sim, três CDs quase que de uma tacada só: “Tudo que é bonito de viver”(ainda produzido em 2011), “Definitivo” e “A poesia caminha”, este último saindo do forno nesses dias, feito em parceria com Gladir Cabral.  As canções do DVD do Jorge, “Tudo o que é bonito de viver”, está disponibilizado gratuitamente no Youtube. Mas tem mais: ainda não falei dos outros projetos em andamento e os muitos shows que ele fez pelos quatro cantos, vários deles nas Livrarias Culturas desse nosso imenso país e alguns outros na Europa.

Arlindo Lima nos brindou com uma nova produção, o “Por entre os dedos”. Sobre esse paraense irrequieto e polivalente (além de médico, é músico multi-instrumentista, compositor e criador de Manga Larga), preciso dizer algo; ele não faz canções para simples degustação. Para ouvir o Arlindo tem que estar na dele, corpo e alma, para saborear e digerir sua arte densa e consistente. São muitas sensações e sabores.

E as mulheres? Elas simplesmente arrebentaram em 2012 com produções maravilhosas. Começo por Priscila Barreto que lançou o aguardado “Madalenas”, apoiada por um time de primeira e recursos técnicos de alta qualidade. Um CD que me acompanhou em vários momentos especiais nesse ano.

Carol Gualberto nos brindou com o segundo CD de sua carreira solo, “Lá vem ela”. Seu som está cada vez mais aprimorado e conquistando cada vez mais espaços. Essa merece, não só pela qualidade que tem e por tudo que é , mas também pelo que tem feito em prol da arte no Brasil, como um dos pilares do Som do Céu.

Elen Lara revelou uma grande ascensão na produção de seu novo trabalho “Por você”. Fruto do seu incansável trabalho foi uma das artistas selecionadas pela Prefeitura de Goiânia para percorrer a cidade em shows populares. Muito bom!

Das novidades e gratas surpresas, destaco a mineira Ilma Bréscia e a paulista Laís Venâncio. Conheci a Ilma no Som do Céu. Pelo domínio de palco deu para perceber que ela tem estrada. Estava acompanhada por uma super banda, a mesma que participou da gravação. Dentre os feras, estavam lá o lendário baterista Neném Esdras Ferreira (acompanhou o Clube da Esquina nos áureos tempos), o baixista, Enéias Xavier entre outros.

Laís, ao contrário, é uma garota ainda nova na estrada, mas que demonstrou nos palcos do Nossa Música Brasileira que tem muito talento. Ela acaba de lançar seu primeiro trabalho, intitulado “Abraço”.

Quero fazer um destaque especial para as recentes produções da dupla Sérgio Pereira e Marivone Lobo, o “Baixo e Voz”. Eles foram os primeiros, dentre os artistas cristãos, a se enveredarem pelo arriscado projeto do “crowdfunding”, ou seja, um financiamento colaborativo ou coletivo. Procure saber mais, pois tem se tornado uma ferramenta muito interessante para a produção de projetos de interesse coletivo. Com os recursos adquiridos, acabam de lançar o CD e o DVD “Baixo e Voz ao Vivo”. Eu, assim que soube, entrei nessa onda para apoiá-los e garantir algumas unidades para presentear amigos nesse Natal. Parabéns, Serjão e Marivone. Vocês abriram portas para outros.

Quero me lembrar também dos eventos que são os grandes motores de um movimento que vai aos poucos crescendo. Cito o Som do Céu (BH), Nossa Música Brasileira (SP) e Prosa & Canto (GO). Certamente existem vários outros. Menciono ainda a iniciativa de projetos iluminados como o “Autorretrato”, produzido pela TV Mackenzie, “Papo e Arte” (SP), “Café+Cultura” (DF), “Quinta Aumentada” (DF), “Faca Amolada” (SC) entre outros.

Vamos falar de outras artes? Que tal cinema? Pois o que antes era algo tão distante e difícil de acontecer, agora se tornou realidade. O Espaço Itaú de Cinema abriu as portas para o lançamento do curta-metragem “O diário de Simonton”, dirigido por Joel Yamaji e Jader Gudin e produção de Celsino Gama. Jader, ao lado de Davi Heller, tem se especializado em produzir DVDs, através da Toca de Barro Filmes. Considero uma grande vitória ver esse curta sendo apresentado em importantes espaços como o Itaú.

Para mim, particularmente, esse foi um ano mais que especial. Muitas coisas boas aconteceram. Gostaria de citar algumas das conquistas, como agradecimento a Deus e aos companheiros que estiveram ao meu lado. 2012 foi o ano que fui homenageado no Som do Céu. Foi muito emocionante. Tive ainda o privilégio de participar com o percussionista Leo Barbosa de shows culturais no México, pelo “Projeto Sonidos de la Tierra”, dirigido por Marli Camargo. Eu e Leo fomos acompanhados por Davi Julião e Didi Monteiro. 2012 também foi o ano do CLADE 5, em Costa Rica, onde integrei um movimento de artistas latino-americano de artistas. Apresentei-me ainda em alguns eventos na Inglaterra, dentre os quais destaco o espaço cultural “The Polite Room”, em Newcastle. Conheci o famoso “Festival Fringe”, em Edimburgo, e o impressionante “Greenbelt”, um evento de artes cristãs em Cheltenham, Inglaterra, reunindo cerca de 22 mil pessoas. E para fechar o ano, fui premiado em primeiro lugar no Prêmio Tom Jobim de Música, com a canção “Raiares”, minha parceria com Robson Rodrigues. Muita coisa boa para um ano só! Agradeço a Deus por tudo isso.

Esses foram os fatos que consegui me lembrar em pouco tempo com uma caneta na mão e algumas olhadelas na agenda. Muita coisa, não é não?

Alguns dias atrás, em nossa igreja, o culto se estendeu mais do que o normal. Era muita coisa acontecendo naquele domingo. Ao cumprimentar um visitante, já fui me desculpando: “Hoje avançamos bastante no horário. Perdoa-nos”. Ele me respondeu com um largo sorriso no rosto: “Saio daqui muito feliz com tudo o que vi. Foi muito rico. A igreja está assim porque está viva. Igreja morta não tem nada disso”.

Essas boas palavras me inspiraram, não a elaborar cultos longos, mas a olhar positivamente para os movimentos graciosos de Deus em nosso meio. Assim encerro esse longo texto. Se tivemos aqui tanta coisa a contar, é porque Deus tem nos visitado com muita vida nesses dias. Vamos tirar os nossos olhos daquilo que gera em nós pura crítica e vamos fixa-los na imensa manifestação da graça divina que tem visitado a sua igreja, e especialmente as artes em nosso país. Que tal? Vamos nessa? E que venha 2013!