Hoje o mundo amanheceu mais triste. Ontem, domingo, 26 de fevereiro, às 22h, o nosso companheiro de caminhada e Bispo anglicano Dom Robinson Cavalcanti, juntamente com sua esposa Miriam Cavalcanti, foram assassinados em sua residência, na cidade de Olinda (PE). O país está perplexo com a notícia.

Consulta Regional da FTL Centro Oeste: Ricardo Barbosa, Valdir Steuernagel, Robinson Cavalcanti, Carlinhos Veiga, José Pereira e Orivaldo Júnior.

Dom Robinson trouxe enormes contribuições para a igreja brasileira e para todo o mundo. Ele foi membro fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana, em 1970. Depois, um dos fundadores desse movimento no Brasil. Sempre ativo na FTL foi preletor da última Consulta Nacional, em 2010, no Rio de Janeiro. Apesar dos inúmeros compromissos eclesiásticos, atendeu-nos sempre que possível. No final de março seria um dos preletores de um Encontro Teológico da FTL Campinas e planejava estar em CLADE 5. Sua lucidez, mente aguçada, inteligência incomum, humor latente e espírito de serviço caracterizaram esse impagável ministério. Uma perda imensurável para a Igreja, para a FTL e para todos os amigos que tiveram o privilégio de usufruir de sua amizade e companheirismo.

Dentre os inúmeros momentos marcantes de nosso encontro com Dom Robinson, destaco aquele que se deu na Cidade do Cabo, África do Sul, em outubro de 2010, por ocasião do Congresso Mundial de Evangelização Lausanne 3. Numas das noites, a delegação brasileira foi reunida no hall do hotel que hospedava. Ali tivemos o privilégio de ouvir o único representante brasileiro presente nos três grandes eventos do movimento Lausanne, Robinson Cavalcanti. Como sempre, fez uma exposição brilhante, cercada de apanhados históricos, sobre esse movimento e seus congressos. Saímos dali compreendendo mais o significado do momento que presenciávamos. Uma noite inesquecível que trouxe desdobramentos incríveis para todos nós.

Sentimo-nos pesarosos pela falta que esse homem de Deus fará entre nós. O nosso consolo é a certeza de que a História não cessa aqui. A Esperança futura nos anima a seguir adiante semeando o Reino de Deus.

Com grande pesar.

  1. Não é fácil teologizar e viver sem Robinson Cavalcanti
    Por Marcos Soares*

    Por que Deus permite uma morte tão brutal para um servo d´Ele que “deu sua vida” pelo Evangelho? Essa, geralmente, pode ser uma das nossas primeiras e mais comuns reações diante de um fato tão horrendo: a forma como foi assassinado o bispo anglicano, escritor, professor universitário e escritor Robinson Cavalcanti, 68 anos,, e sua esposa Mírian Nunes Machado Cotias Cavalcanti, 64 anos. Eles foram assassinados a facadas no último domingo, 26/02.

    Quem conheceu a mente do Senhor? Quem possui a capacidade de entender o que Deus pensa sobre as pessoas e os fatos do universo criado por Ele? Nada acontece sem a permissão de Deus?

    Saber da forma brutal e “baixa” como Dom Robinson morreu, desnunda completamente a dura constatação de nossa realidade ante os dramas da vida: somos pó. É isso mesmo: pó. Aparecemos por um pouco e depois sumimos.

    O fato da morte de Robinson Cavalcanti me levou a fazer uma “viagem mental” quanto ao destino de homens de Deus que me ajudaram a “montar” a Teologia que estabelece meus parâmetros de fé e humanidade. Tenho pensado como será a morte de Caio Fábio, Valdir Steuernagel, Rubem Amorese e tantos outros “portadores” de uma teologia latina, cristocêntrica e contextualizada.

    Robinson Cavalcanti me inspirou em dois aspectos. Primeiro, minha visão política enquanto líder cristão (eu acompanhei Robinson desde os tempos da ABU – Aliança Bíblica Universitária) até agosto de 2002, às vésperas das eleições presidenciais de 2002 – ano em que a maioria dos evangélicos “apostava” na vitória do então candidato Anthony Garotinho – quando o trouxe para ministrar uma palestra a centenas de pastores e líderes cristãos de São Luís.

    Na oportunidade , Robinson foi categórico ao afirmar que não acreditava que Garotinho iria para o Segundo Turno, muito menos que ele fosse um bom nome para “representar” o povo evangélico. Houve gente que avançou no microfone contestando a palavra profética do líder anglicano.

    A outra influência de Robinson na “montagem” de minha teologia foi no que se refere a ter uma postura audaciosa e crítica quanto ao que ele chamava de “área da livre concepção teológica” sobre temas que a Bíblia não “fechava” questão.

    Certa vez, nos tempos de minha juventude, em enviei o número de um jornal que meu grupo de teatro evangélico (META – Movimento Evangélico de Teatro Amador) produzia. Fizemos um questionamento sobre os elementos da Ceia e perguntamos: Como celebrar a Ceia do Senhor em lugares que não há pão e vinho? No sertão nordestino, bem que poderia ser com rapadura e cana de açucar.

    Robinson me encontrou meses mais tarde e fez a seguinte consideração (naquele tom de pernambucano arretado): “Acho que vou passar a servir a Ceia com rapadura e Cana de Açucar” e deu uma gostosa gargalhada.

    Não consigo imaginar uma reflexão política vanguardista nordestina bíblica promovida por outra mente brilhante, que não a de Robinson Cavalcanti.
    Não consigo pensar numa linguagem provocativa, contestadora e sensata sobre a Igreja Brasileira contemporânea, sem pensar na audaciosa reflexão desse provocativo ex-professor de Ciências Políticas da Universidade Federal Rural do Recife.

    Quem matou Robinson e esposa? Há suspeitas de que foi o próprio filho, Eduardo Olímpio Cotias Cavalcanti, de 29 anos. Os motivos? Ainda virão à tona. Mas isso não muda o fato: Não ter mais Robinson Cavalcanti no convívio de Congressos, Simpósios, particularmente ou através de sua coluna em Ultimato, é perder uma parte especial de nossa inspiração cristã, protestante, profética para um viver eclesial mais genuíno, brasileiro e, sobretudo, nordestino.

    * Teólogo, escritor com 8 obras publicadas, consultor de marketing, professor de oratória e pastor na Igreja Batista Esperança e Vida (São Luís – MA). Acesse: http://WWW.marcosoares.com.br

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