Por Asaph Jacinto*

Confesso que quando era menino nunca sonhei em ser cientista. Quando era adolescente também não. E muito menos quando entrei na faculdade! Mas o tempo foi passando e, quando me dei conta, tinha acabado de fazer 23 anos, com três graduações, mestrado e começando o doutorado. Então, comecei a aceitar a ideia de ser um cientista, pois de várias formas Deus tem me levado por esse caminho (e não é que estou gostando dessa jornada?).

Um dos instrumentos que o Senhor tem usado várias vezes comigo nessa área é a Aliança Bíblica Universitária** (ABU). Entrei nela no primeiro ano da graduação e foi amor à primeira vista. Não saí mais! [A Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB) é uma organização missionária evangélica que compartilha o evangelho de Jesus Cristo nas escolas (Aliança Bíblica de Secundaristas, ABS) e universidades (Aliança Bíblica Universitária, ABU) brasileiras através dos próprios estudantes, que atuam em grupos locais, como a ABU ABC. Há também a Aliança Bíblica de Profissionais (APB).]

Alguns veteranos do movimento missionário estudantil me incentivaram a me envolver com pesquisa, conversando, mandando links das opções, dando dicas… Uma vez uma amiga só foi numa palestra sobre como conseguir bolsas de pesquisa para gravar o áudio e me mandar! Mas confesso que sou teimoso e, apesar de tudo isso, demorei uns anos para começar meu projeto de iniciação científica.

Acabei entrando no mestrado por um motivo bem inusitado. Tinha vontade de fazer o curso, claro, só que planejava esperar um pouco. Mas o relógio de Deus é outro, não é mesmo?

Um dia fiz uma espécie de auto avaliação e percebi que algo que sempre tive vontade de fazer e nunca tinha conseguido era estar mais envolvido com a ABU. Listei todas as pessoas que considerava as mais envolvidas na missão. O que elas tinham em comum? Todas estavam na pós-graduação! Presentes na universidade faça chuva ou faça sol, o dia todo, e assim conseguiam servir na missão estudantil também. Acredite se quiser, mas foi por isso que tentei entrar no mestrado e, graças a Deus, deu certo.

Quando penso na minha carreira, talvez o que eu mais seja grato pela ABU seja uma oficina em um treinamento local. O título era “Vida pós-ABU: vocação a serviço do Reino”, no treinamento da ABU São Paulo (SP) em 2014. Pensava que um engenheiro cristão glorificava a Deus somente em duas tarefas: falando de Jesus para outros engenheiros e/ou tentando ganhar dinheiro para ajudar os missionários ou a igreja. A engenharia em si era algo secundário, sem valor.

Como era mais fácil para os médicos, os assistentes sociais, os psicólogos. Eles ajudam pessoas, transformam vidas e realmente mudam o cotidiano delas de uma forma surpreendente. Isso sim era glorificar a Deus, eu pensava.

Mas e eu? Um mero engenheiro de materiais, fazendo mestrado sobre fibras de bambu? Era bem frustrante pensar nisso. Só que naquela oficina o Espírito Santo me fez entender de novo o significado de Colossenses 3:17: “Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai”. Uau! Uma frase tão simples, mas tão revolucionária para mim.

Deixei de ser pior que médicos, pastores ou outras profissões “melhores”. A engenharia poderia ter tanto valor aos olhos de Deus quanto as outras profissões mais “nobres” de antes. Isso me marcou tanto que até hoje tento explicar esse conceito para todos os calouros de exatas que conheço. E é impressionante como muitos se identificam com esse conflito.

Hoje já passei da metade do doutorado (meu Deus, falta pouco tempo pra defesa, socorro! Ainda bem que Ele não vai me deixar na mão). Sou cada vez mais grato a Deus por ter colocado esses abeuenses no meu caminho para me animar na jornada. E também sou inspirado a ajudar os que estão começando na vida acadêmica agora, como o Senhor permitiu que eu fosse auxiliado.

Isso tudo para tentar que todos os membros possam viver “juntos, na mesma fé, no mesmo amor. Juntos na mente e coração!” E possamos glorificar a Deus, compartilhando do evangelho na universidade e também sendo os melhores profissionais que conseguirmos, como Jesus faria.

 

*Asaph (na foto o primeiro à esquerda) é cristão, presbiteriano e abeuense. É tecnólogo em polímeros pela Faculdade SENAI de Tecnologia Ambiental e na UFABC cursou ciência e tecnologia, engenharia de materiais e o mestrado em nanociências e materiais avançados. Está no 3º ano do doutorado no mesmo programa.

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