Artigos
Dança Bob, dança
25/07/11
Quando chega a quinta-feira, dia da única reunião pública do campus, Bob é sempre o primeiro que vejo sentado na quadra de basquete. Ele é alto magro e desengonçado, usa o cabelo cortado curto e um bigode aparado. Bob mora na rua. Muitos já tentaram trazê-lo ao abrigo do governo mas ele não parece se importar com não ter teto. Bob dança na adoração como uma criança. Balança os longos braços de uma lado para o outro como asas, flutua como uma garça acima das intempéries, usa a lucidez, não sei se plena ou fugaz, para entender as mensagens e Mais >
A luta entre o bem e o mau… (e não é um erro de português)
21/01/11
(Artigo publicado anteriormente na Revista Eclésia)
A língua forma a cultura. A língua decide como vamos pensar à respeito de um conceito, como vamos internalizar um valor. Cada língua do mundo, ou grupo de línguas, “explica” a realidade à sua maneira. A língua forma a cosmovisão do povo. Esta cosmovisão portanto se circunscreve dentro dos limites concetuais impostos pela língua. Até os cientistas da física moderna preceberam que chegaram a um limite em relação ao que conseguiam explicar e perceber dentro de sua cosmovisão. Fritjof Capra[1] recorreu à religião taoísta chinesa para tentar explicar o que a ciência constatava. Isto pode parecer Mais >
O céu é para os outros
20/11/10
Meus heróis não morreram de overdose. Estão bem vivos trabalhando ou morreram de morte morrida ou matada. Não se entregaram estupidamente a vícios sem sentido nem se rebelaram sem produzir nada.
Um destes heróis acabou de partir para o Senhor. Se chamava Alberto Graham. Não era bonito nem interessante. Falava esquisito em inglês e pior ainda em português sua terceira ou quarta língua. Vestia umas roupas espalhafatosas e deselegantes, e tinha uma maneira peculiar de andar balançando para os lados como um marinheiro.
Quando jovem recebeu um chamado de Deus para trabalhar com tribos indígenas. Se inscreveu com a esposa no Instituto Mais >
Metáforas de uma vida passiva
21/09/10
Sentei-me na reunião de quinta com meu caderninho. Procurava comprovar uma preocupação que trouxera do Brasil. O campus de Kailua envia de trezentas a quinhentas pessoas em equipes missionárias de curto prazo para o mundo inteiro a cada trimestre. Jovens dirigem o louvor com solos de guitarra, pulos, vozes intimistas à moda Coldplay ou gritos primais em havaiano. Apesar do sabor internacional, da mistura de estilos, as letras não diferenciam das que cantávamos no Brasil na nossa igreja em Porto Velho. A maioria se refere às minhas emoções e a um Deus que me ama, salva, transforma, ampara, cura, trata, Mais >


Comentários