Uma história de fé e traição
25/10/11
Estou freqüentando uma igreja bem antiga na cidade de Kailua onde moro. A igreja foi a primeira fundada em 1820 pelos primeiros missionários. A história de missões nas ilhas Sandwich, como o Havaí era conhecido na época, é uma daquelas que nos maravilha e horroriza ao mesmo tempo. Maravilha porque nos faz perceber como a eternidade se sincroniza com a história humana de maneira precisa e extraordinária. Horroriza porque mostra o quanto nós humanos somos capazes de corromper os planos tão perfeitos de Deus.
Antes da chegada dos ingleses o povo nativo viva massacrado debaixo de um sistema de castas parecido Mais >
A importância da Metamorfose
30/08/11
“Eu prefiro ser… Esta metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo…” Raul Seixas
Parece que tem sabedoria nas palavras do Raul, apesar de tudo. Provavelmente quando cantava ele pensava estar criticando o status quo, a estrutura vigente. E nada mais representativo desta estrutura do que o cristianismo. Ele com certeza achava que estava batendo de frente com o pensamento cristão…
Mas será que estava? Somos criticados, nós os cristãos, por mantermos padrões, seguirmos doutrinas e dogmas. Mas o cristianismo vivo e dinâmico nos leva para muito além dos dogmas, aliás chega a chamar os dogmas de idolatria. Este Mais >
Remoto e insignificante
17/08/11
Estou em Palau, país parte da República da Micronésia. Ninguém aqui jamais ouviu falar do Ronaldinho, e eles tem dificuldade de entender como o futebol pode ser interessante sendo que são tantos homens atrás de uma só bola (comentário literal que ouvi de um rapaz quando falei sobre futebol). A população é de 20 mil habitantes, mas muitos deles nem moram aqui. O governo conta assim mesmo os filhos da terra que estudam e moram fora, senão nem sobra ninguém.
Nos últimos dois séculos foram dominados pelos alemães, depois pelos japoneses e após a II Guerra ficaram como protetorado americano. Só Mais >
Secular ou sagrado? A espiritualidade de uma ciclovia
26/07/11
Tenho um pé de carambola no quintal que dá o ano inteiro. Tenho orgulho deste quintal com sete tipos diferentes de frutas. Custou pra crescer neste solo desértico da Amazônia. Desértico sim, infelizmente, o solo daqui quando se tira a floresta nativa. Sobra nada quase, o sol escaldante, e as plantas teimosas da capoeira. Chegamos nesta terra a mata já havia sido tirada, nos sobrou o capoeiral. Depois de anos o capoeiral virou pomar e olho para sua abundância com uma surpresa constante. Redenção é possível para a terra também.
Mas só existe um certo número de coisas que se pode Mais >
Dança Bob, dança
25/07/11
Quando chega a quinta-feira, dia da única reunião pública do campus, Bob é sempre o primeiro que vejo sentado na quadra de basquete. Ele é alto magro e desengonçado, usa o cabelo cortado curto e um bigode aparado. Bob mora na rua. Muitos já tentaram trazê-lo ao abrigo do governo mas ele não parece se importar com não ter teto. Bob dança na adoração como uma criança. Balança os longos braços de uma lado para o outro como asas, flutua como uma garça acima das intempéries, usa a lucidez, não sei se plena ou fugaz, para entender as mensagens e Mais >
Ternos com e sem ternura
27/05/11
Não gosto dos ternos Armanis requintados, risca de giz, gola da moda, gravatas de seda que enfeitam o congresso. Não gosto de suas camisas combinando, sapatos lustrosos, e já posso imaginar-lhe o cheiro, cheiro caro, cheiro de um Brasil vendido, imoral, que se escarnece de nós, que nos tira o sono.
Não gostei tempos atrás dos ternos do pingüinário religioso que me rodeou em uma conferência que fui, que me olhava sem me ver, eu representando missões, uma parte do evangelho que eles queriam esquecer. De Riachuelos a Boss – tinha de tudo. Não lhes gostei dos escargots, foi-grass, cheiro de Mais >
Braulinete e Reginaldo
08/05/11
Uma vez por semana nos vestimos em roupas queimadas de água sanitária enchemos o carro de baldes e produtos químicos e vamos fazer limpeza em casas. Nos tornamos os típicos latinos que até se matam atravessando fronteiras pelo sonho do sub-emprego bem pago na America.
Não é um trabalho integral, nem nos seria permitido com o visto religioso que temos. A maior parte de nosso tempo gastamos no trabalho missionário aqui do campus e viajando onde os projetos requerem. Mas a vida aqui é cara. Os bicos que fazemos na limpeza pagam as escolas dos filhos, a conta de energia, o Mais >


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