Texto publicado originalmente na edição 363 da revista Ultimato

As the deer, de Yang Chien-hou

As the deer, de Yang Chien-hou

Por Rubem Amorese

Para que serve Deus? Para nada. Bem, pelo menos deveria ser assim. Deus deveria ser inútil. Explicando: Deus deveria ser nossa eterna fonte de prazer e gozo. Sem a necessidade de nos ser útil; sem que esse prazer dependesse de pedidos atendidos, problemas resolvidos, exercícios espirituais, teologias etc. Fomos criados para apenas “curtir” a sua presença, a sua amizade, a sua beleza, numa alegria e paz sem fim. Fomos concebidos para ser um com ele, assim como é o Filho com o Pai.

Sua presença apagaria todas as nossas preocupações, ansiedades, frustrações, medos, temores e coisas assim. Bastaria a nós estar com ele, plenos de felicidade; sem relógio, sem passado e sem ansiedades. Uma versão completa do pouquinho que experimentam amantes apaixonados, quando se encontram. Imagem pálida do amor que experimenta um pai quando pega sua filhinha no colo pela primeira vez: tudo para; tudo cala; tudo se resume aos dois.

Seria como quando a corça deixa de suspirar e encontra a corrente das águas (Sl 42.1). Seria como quando a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe (Sl 131.2). Seria como se finalmente habitássemos “na casa do Senhor por longos dias” (Sl 23.6). Seria como quando nos víssemos diante da face de Deus (Sl 42.2). Ou como quando a trombeta tocasse e o noivo entrasse para as bodas (Mt 25). Seria como aquele dia em que nossas lágrimas fossem enxugadas em consolo definitivo (Ap 21.4). Mais >