Livro da Semana   |   A Oração Nossa de Cada Dia

E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.

[Mateus 6.7-8]

Vimos que os hipócritas se expressam com arrogância e buscam publicidade pessoal. Eles oram em pé nas esquinas das praças e nas sinagogas para serem percebidos pelas pessoas. Os gentios, por sua vez, apelam para a crença em seus métodos e artifícios de manipulação e controle de suas divindades – “… pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos…”.

Estamos considerando gentio os religiosos que se relacionam com o mundo sagrado com a concepção de que são capazes de dobrar as divindades para atenderem seus interesses e expectativas.

O primeiro aspecto – Nesta parte, falamos sobre os agentes da religião, aqueles que tomam as decisões e controlam o espaço religioso. No espaço religioso idolátrico, como os devotos serão ouvidos se o ídolo não tem audição nem inteligência?

O segundo aspecto – Aqui, explicamos algo sobre as crenças ou técnicas de manipulação que os devotos ou os empreendedores mágicos das religiões presumem possuir nos monólogos de oração às suas divindades. Neste caso, estamos considerando a oração um monólogo, porque o ídolo tem boca, mas não fala.

OS AGENTES DA RELIGIÃO E O ESPAÇO RELIGIOSO IDOLÁTRICO

Toda religião depende de três agentes principais para o seu funcionamento: a) divindade(s), b) sacerdote(s) ou especialistas da religião e, c) devotos. Os demais elementos são desdobramentos da criatividade dos especialistas e dos devotos da religião. Eles vão criando lugares e elementos ou símbolos de poder, utilizados exclusivamente pelos empreendedores do negócio religioso. Continue lendo →

Versão ampliada do artigo publicado na seção Arte e cultura, da Ultimato 366.

Por Armindo Trevisan

Vista interior dos vitrais na Basílica de Saint-Denis

Só é possível compreender o surgimento da técnica do vitral, de sua evolução estética, e de sua utilização maciça nas catedrais góticas, quando evocamos uma das principais características do imaginário cristão: a obsessão pela luz.

Semelhante obsessão derivou da Bíblia.

No Livro do Gênesis lê-se:

No princípio, quando Deus criou o céu e a terra, a terra era um caos sem forma nem ordem. Era um mar profundo coberto de escuridão; e um vento fortíssimo soprava na superfície das águas. Então Deus disse: “Que a luz exista!” E a luz começou a existir.[1]

A luz foi considerada pelos medievais o atributo divino por excelência. Francisco de Assis dedicava particular afeição ao fogo. A luz era, também, apreciada pela sociedade medieval por uma razão sócio-ambiental: as pessoas viviam literalmente na rua, à luz do sol, não conhecendo outra forma de iluminação senão a do fogo. Continue lendo →

Versão ampliada do artigo publicado na seção Arte para todos, da Ultimato 366

Por Bruna Steudel

Arquivo pessoal

Existe um livro de Mário de Andrade cujo nome é Há uma Gota de Sangue em Cada Poema. Desde criança isso me intrigou. Por que a maioria dos poemas mais conhecidos de determinados poetas vem de algo extremamente profundo do seu ser? Passei um ano estudando e lendo poemas, procurando entender o que da vida de cada artista tinha na sua obra.

Sempre fui apaixonada por arte. Iniciei no teatro aos 8 anos de idade e na infância me dedicava a escrever e a desenhar coisas que eram confusas para mim.

Aos meus 16 anos, pude conhecer a Cristo. Foi como se em mim se renovasse uma esperança, um propósito maior para a minha existência, um amor até então desconhecido. E, ao contrário do que alguns filmes cristãos pregam, desse encontro não veio a solução para todos os meus problemas. Foi aí que começou a caminhada. Jesus revelou quartos escuros, sentimentos a serem tratados, preconceitos a serem quebrados. O desejo de viver uma verdadeira liberdade nele. Nessa caminhada encontrei uma missionária, que numa pequena reunião discursava sobre o amor que tinha pelo seu campo missionário. Alguns a ouviam, outros falavam que ela não era humana, que as pessoas hoje em dia não querem saber daquilo. Constrangeu-me ver aquela mulher se esforçando ao máximo para falar que era normal, que sentia dores e medos como qualquer um. Naquele momento percebi mais uma coisa que precisaria aprender nessa caminhada: que eu conhecia muito pouco sobre o ser humano, principalmente aqueles que fogem dos nossos padrões sociais e buscam se dedicar a grandes causas. Refleti sobre quanto pensava somente em mim e sobre quanto minhas orações giravam em torno de mim mesma. Continue lendo →

[500 Anos da Reforma]
Por Martinho Lutero

Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ’Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus’”. [Mateus 4.7]

Se não usarmos os recursos que temos disponíveis e, em vez disso, desejarmos recursos que não temos, então estaremos colocando Deus à prova. Isso é o que Satanás queria que Cristo fizesse. Satanás disse a Jesus para se lançar do templo enquanto existiam degraus que ele poderia usar para descer. Alguém que não veste roupas apropriadas no inverno, mas espera que Deus, miraculosamente, impeça-o de congelar também está testando Deus. Foi assim com os líderes judeus, que ignoravam os sinais que haviam recebido e desejavam que viessem outros sinais do céu. Da mesma maneira, as pessoas que dormem quando deveriam trabalhar estão testando Deus. Por Deus ter prometido cuidar deles, eles consideram que Deus encontrará uma forma de sustentá-los. Mas, em Provérbios, Deus diz a eles para trabalharem: “As mãos preguiçosas empobrecem o homem, porém as mãos diligentes lhe trazem riqueza” (Pv 10.4).

A obra de Deus é realizada quando usamos os recursos que nos são concedidos. Ele deseja que usemos os nossos recursos, mas sem colocar a nossa confiança neles. Apesar de ser verdade que as mãos que trabalham arduamente trazem riqueza, também é verdade que somente a bênção do Senhor a produz. Como Salomão disse, “A bênção do Senhor traz riqueza, e não inclui dor alguma” (Pv 10.22). Mesmo que as pessoas usem armas para se defender, ainda será Deus quem as irá salvar. Sem o auxílio de Deus, as pessoas que tentam se defender falham. Como Davi disse, “Não confio em meu arco, minha espada não me concede a vitória; mas tu nos concedes a vitória sobre os nossos adversários” (Sl 44.6-7). Deus usará as armas para livrar o povo se elas puderem ser usadas, mas ele também pode livrar o povo mesmo não havendo armas. Portanto, devemos usar o que temos, mas sem confiar nessas coisas. Devemos confiar somente em Deus, tendo ou não os recursos dos quais necessitamos.

Em 2017, Ultimato vai relembrar e celebrar os 500 anos da Reforma Protestante. O Blog publica, sempre às segundas-feiras, uma devocional do reformador Martinho Lutero, retirado do seu Somente a Fé – Um Ano com Lutero.

Por que é importante lembrar os 500 anos da Reforma Protestante

A edição 366 (julho-agosto) da revista Ultimato está nas ruas.

E apresenta, na capa e no miolo, os 500 anos da Reforma Protestante.

O leitor vai encontrar as marcas da Reforma no mundo – na política, na cultura e na sociedade –; a linha do tempo, com os principais acontecimentos do período, começando em 1384, com a morte e o legado de John Wycliffe, passando por outras dezenas de datas que marcaram o movimento e os atores da Reforma, em especial a afixação das 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, por Lutero, em 1517, até a Confissão de Fé de Westminster, em 1647. Outros artigos ainda respondem o que é e por que é importante lembrar a Reforma, mostram a centralidade das Escrituras no movimento e até os aspectos negativos nos desdobramentos do ideal reformador.

Trata-se de uma edição especial. A revista também fala do Brasil de hoje. Com o infográfico “Brasil: um retrato em preto e branco” mostra que até a violência no país é desigual. René Padilla escreve a “Oração política” e Paul Freston fala sobre o perigo do ódio que divide os evangélicos. O pastor Ed René Kivitz afirma que “igreja evangélica brasileira” significa tanta coisa que não faz diferença o que significa. E, no “Ponto Final”, o colunista Rubem Amorese pergunta: “Sujeição às autoridades? Hoje em dia?”.

O assinante já começou a receber em casa a sua revista. Para degustação, o blog coloca à disposição o “Sumário” da edição 366.