Ele formou-se em História, mas virou fotógrafo profissional

BlogUlt_13_07_15_Paulo_SacO fotógrafo de 31 anos, Paulo Sacramento, é de Viçosa (MG). Formou-se em História, mas foi pela fotografia que apaixonou-se. O blog da Ultimato já havia divulgado um dos projetos de Paulo: Humanos de Viçosa. na edição de julho-agosto da revista Ultimato, a seção “Arte e Cultura” destacou uma das fotos de Paulo em seu topo. Na entrevista abaixo, Paulo explica por que resolveu não trabalhar com História e como sua fé cristã o ajuda a fotografar.

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Você formou-se em História, mas decidiu trabalhar com fotografia.  Por quê?

Tudo começou quando trabalhei em uma copiadora de Viçosa (MG) com formatação eletrônica. O desejo de me aprimorar fez com que eu participasse de um congresso de design gráfico em Belo Horizonte, onde fiz um workshop de fotografia. Aí eu me apaixonei pelo negócio. Pouco depois, ao final da licenciatura, fiz um estágio lecionando História em uma escola pública e vi que aquilo não era pra mim: muito estresse, lidando com turmas enormes de alunos, sem estrutura. Entrei em crise durante a graduação e parei por alguns semestres, o que me permitiu fazer um curso técnico em informática. Durante esse período também fui muito influenciado por um grande fotógrafo e amigo, o Reyner Araújo, que me mostrou o “caminho das pedras”, me apresentando os conceitos básicos da fotografia, tal como referências muito legais, como Cartier-Bresson.

Você fotograva mais gente do que animais ou natureza. Há alguma razão de gosto pessoal?

O estudo da História me deixou fascinado por um paradoxo abordado pela Antropologia: “Como podemos ser tão diferentes, sendo, ao mesmo tempo, todos iguais”? A riqueza cultural dos diferentes povos ao redor do mundo é algo maravilhoso pra mim, pois é uma expressão de multiforme graça divina. A experiência de me casar com uma estrangeira e viver alguns anos no exterior acabou catalisando isso ainda mais intensamente.

Você é cristão, sua família também é. Sua fé influencia, de alguma forma, suas fotografias?

Absolutamente. Muito do que se vê nas minhas fotografias está relacionado com a forma como eu abordo as pessoas. Como cristãos, é essencial que a gente desenvolva a percepção de que somos iguais, no sentido de sermos pecadores e falhos. Nesse sentido, minha postura tende a ser de empatia e de aceitação das pessoas como elas são. Ao mesmo tempo, prezo muito pelo respeito das mais diversas vertentes do cristianismo, em especial pelo Catolicismo, que é a religião da grande maioria dos meus clientes. Como fotografo muitos casamentos, vira e mexe estou em um templo católico, apesar de ser protestante.

Você acha que a fotografia pode ser um instrumento de Deus para revelar seu Evangelho ao mundo?

Com certeza. Tenho sempre pensado em como unir as duas coisas. Tenho vários projetos pessoais engavetados que unem as duas coisas. Enquanto isso, já estou montando uma listinha de livros da Editora Ultimato sobre casamento para presentear meus clientes. O momento em que eles recebem seus álbuns de casamento é bem oportuno pra fazer isso.

Seu tempo é gasto principalmente com trabalhos encomendados por clientes, como casamentos, eventos e aniversários, certo? Você pretende dedicar mais tempo a trabalhos artísticos, com temas independentes?

Essa luta por me dedicar aos trabalhos independentes tem sido uma constante na minha vida. Estou sempre nessa tensão entre me dedicar ao trabalho “comercial”, e cuidar de projetos pessoais, que não pagam as contas. A verdade é que tenho percebido o seguinte: se eu não separar tempo pra tirar os projetos da cabeça, corro o risco de acabar me tornando um “mercenário” da fotografia, ou seja, alguém que faz as coisas sem paixão, pura e simplesmente por dinheiro. Sem dúvida, vou separar mais tempo para esses projetos. Algo que tenho feito com frequência, e que me ajuda muito a manter a alegria com o trabalho, é ensinar fotografia através de workshops e cursos rápidos.

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