Livro da Semana  |  A Reforma – o que você precisa saber e por quê

 

A justificação estava no coração da Reforma; era seu elemento essencial.

A partir do momento em que Lutero compreendeu pela leitura de Romanos 1 que a justiça de Deus é uma dádiva totalmente imerecida, percebeu que essa era a verdade mais importante do mundo. A justificação estava no coração da Reforma; era seu elemento essencial.

Para reformadores como Lutero e Calvino, “justificação” queria dizer uma declaração divina de que a justiça de Cristo é atribuída ao que crê somente por causa da graça de Deus (sola gratia). Essa justificação, portanto, é somente pela fé (sola fide) em Cristo, o que significa que toda a glória da salvação é dada somente a Deus e não a nós. “Nada nesse artigo [da fé] pode ser renunciado ou comprometido”, escreveu Lutero, “mesmo que o céu e a Terra e todas as coisas temporais sejam destruídos”. É a convicção, disse ele, “na qual a igreja se apoia ou cai”.

Nem todos compreenderam isso da mesma forma que Lutero, mas sua experiência com Romanos 1 seria o fio condutor da Reforma; e, por meio da Bíblia, essa questão essencial da justificação seria descoberta. Justificação foi o que fez da Reforma a Reforma. E para aqueles que aceitaram que Deus declara livremente justos os pecadores, foi uma doutrina de conforto e alegria. Como disse William Tyndale, “Evangelion (que é o que chamamos o evangelho) é uma palavra grega que significa notícias boas, afortunadas, felizes e alegres, que fazem o coração de um homem feliz e o fazem cantar, dançar e pular de alegria”. Lutero também sentia que por meio da justificação ele “tinha nascido de novo, completamente, e tinha entrado no próprio paraíso através de portões abertos”. E não é de se admirar: o fato de que ele, um pecador falho, era perfeitamente amado por Deus porque estava vestido pela justiça do próprio Cristo havia lhe dado uma confiança espetacular. Como disse ele, aconselhando um amigo:

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Versão ampliada do artigo Arte que gera mais, oferecido na seção “Arte para Todos”, na edição #368 da revista Ultimato

Por Laise S. Ribeiro

Camelos em crochê são uma das peças artesanais que as mulheres atendidas no “Gera Mais” aprendem a fazer

A Família Aziz mudou-se em 2014 para o Oriente Médio com o objetivo de iniciar os trabalhos da MAIS – Missão em Apoio à Igreja Sofredora – na região. A igreja sofredora é a comunidade de cristãos oprimidos por circunstâncias externas ou alheias à sua vontade, como a perseguição e a catástrofe. Os quatro pilares de atuação da organização são ajuda humanitária, desenvolvimento comunitário, treinamento e acolhimento, para desenvolver autonomia, autoestima e vocação.

Especificamente no Oriente Médio, a MAIS atende cerca de 3000 famílias em situação de refúgio (sírios e iraquianos), com cestas básicas e projetos de desenvolvimento comunitário. Entre os projetos, destaca-se o “Gera Mais”, o qual promove integração entre mulheres em situação de refúgio, vindas principalmente do Iraque e da Síria, que não podem trabalhar no país que as acolheu. Atualmente, o projeto é administrado pelo casal César e Jéssica, líderes do projeto “Faz e Transforma”.

O “Gera Mais” oferece capacitação, produção e geração de renda a partir de aulas de costura, bordado, maquiagem e inglês. Além de ensinar trabalhos manuais, proporcionamos um curso profissionalizante de maquiagem para que essas mulheres possam ter oportunidades de renda. Ainda, oferecemos curso de inglês, pois a maioria das mulheres fala apenas o árabe e está esperando uma resposta do ACNUR – órgão que administra o pedido de refúgio – para conseguir acolhimento em um país de língua inglesa.

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500 Anos da Reforma  |  Por Martinho Lutero

Então disse José a seus irmãos: “Eu sou José! Meu pai ainda está vivo?” Mas os seus irmãos ficaram tão pasmados diante dele que não conseguiam responder-lhe. [Gênesis 45.3]

O clímax emocional da história de José foi essa revelação súbita aos seus irmãos. Eles haviam pensado que José era um tirano horrível e aterrorizante, pois ele os havia tratado como estranhos e os deixou morrendo de medo. Apesar de ele ter dado muitos indícios, eles não podiam imaginar que houvesse qualquer bondade oculta sob a sua aparência hostil. Mas, depois, ele se revelou diretamente. Sem usar intérprete, ele disse: “Eu sou José!”.

Essa história é um exemplo bonito de como Deus trata o seu povo fiel. Algumas vezes ele nos pune e age como se não fosse nosso Deus e Pai. Algumas vezes ele até parece ser um tirano ou um juiz severo, que quer nos torturar ou até mesmo nos destruir. Mas, no tempo certo – quando ele estiver pronto –, nos dirá: “Eu sou o Senhor, seu Deus. Até agora eu o tratei como se eu quisesse rejeitá-lo ou mandá-lo para o inferno, mas é apenas um exercício que utilizo para treinar o meu povo. Eu nunca teria treinado você dessa forma se não o amasse do fundo do meu coração”.

Nessa história bíblica, Deus nos mostra os métodos de treinamento que ele usa com o seu povo. Isso deve nos confortar. Devemos nos acostumar com o modo como Deus nos prova e nos instrui. Também devemos nos humilhar, para que o mal horrível, chamado pecado original, possa ser contido. Deus não quer nos condenar nem nos rejeitar, mesmo quando nosso sofrimento e punição quase nos destroem e nos matam. Ao contrário, ele deseja nos livrar do pecado que está grudado em nós. Somente então entenderemos o que significa quando Deus diz: “O Senhor mata e preserva a vida; ele faz descer à sepultura e dela resgata” (1Sm 2.6).

Em 2017, Ultimato vai relembrar e celebrar os 500 anos da Reforma Protestante. O Blog publica, sempre às segundas-feiras, uma devocional do reformador Martinho Lutero, retirado do seu Somente a Fé – Um Ano com Lutero.

Que a Reforma Protestante colocou o “mundo religioso” de cabeça para baixo todos sabem. Mas, talvez, não seja de tão amplo conhecimento algumas informações, como: os nomes e a contribuição dos que antecederam Lutero e Calvino, abrindo o caminho para as 95 teses; as mulheres que acompanharam os reformadores e contribuíram efetivamente para o movimento; a real abrangência e impacto da Reforma na ciência, educação, artes etc. A partir de artigos de colunistas da revista e colaboradores do Portal Ultimato, fizemos 25 perguntas que, talvez, sejam as dúvidas ou curiosidades de muitas pessoas. Confira!

 

1. Tiveram as mulheres alguma participação na Reforma Protestante?

Rute Salviano responde no artigo “Vozes femininas na Reforma”.

2. Como Lutero interpretou a Bíblia?

Erní Walter Seibert responde.

3. Como as indulgências contribuíram para a eclosão da Reforma?

Alderi Souza de Matos responde no artigo “As indulgências, a Reforma Protestante e o significado do evangelho”.

4. Quem foi Maria Dentiere e qual a contribuição dela para a Reforma?

Rute Salviano responde no artigo “A carta de um reformadora subversiva”.

5. Precisamos de uma reforma protestante?

Robinson Cavalcanti responde.

6. Protestantismo: o que deu errado?

Robinson Cavalcanti responde.

7. Universidades protestantes: quais os benefícios e os riscos?

Alderi Souza de Matos responde.

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Você sabia no tempo da Idade Média as pessoas comuns não cantavam durante as celebrações religiosas? Isso acontecia porque as músicas eram em latim e só o clero sabia ler e falar o latim.

Como a Reforma Protestante mudou isso? Como eram as músicas litúrgicas no tempo da Reforma? De onde vieram os hinos? A igreja primitiva cantava? Jesus cantou na última ceia? As músicas cantadas hoje em dia durante os cultos falam mais sobre o homem do que sobre Deus?

No vídeo a seguir o reverendo João Wilson Faustini responde essas e outras perguntas. Além disso, ele explica três influências que aconteceram durante a Reforma, na área da música litúrgica, e que têm consequências até os dias de hoje. Confira!

 

Conteúdo oferecido como Mais na internet na edição #368 da revista Ultimato

Por Neiva Marize Cruvinel Garcia

Comer juntos como família parece ser comum na maioria das culturas e países. Lembro-me da primeira vez que deixei o Brasil a caminho dos Estados Unidos. Já no voo, tive um pouco de indisposição ao tipo de comida que serviram, por não me ser familiar. No segundo dia, senti saudade do nosso arroz com feijão. Minha primeira semana foi de total imersão no novo estilo de comida, pois meu trabalho era cozinhar para americanos idosos. Gostavam do que eu cozinhava, mas eu mesma não gostava dos pratos que preparava.

Sou grata, pois cozinhar para americanos foi uma fonte de sustento para os primeiros anos missionários fora do Brasil. Foi durante esse período que aprendi a cultura, a língua e os costumes norte-americanos, assim como várias outras culturas com as quais compartilhei a mesa. Nunca mais fui somente brasileira, pois havia me aculturado com o propósito de expandir o evangelho, servindo pessoas dentro dos seus costumes e sabores. Com alguns comi com as mãos, com talheres ou com pauzinhos. Comi usando casca de bananeira ou o mesmo prato do outro, sempre na cultura de cada mesa servida.

Em 1996 mudamos para o Canadá para o ensino de missões transculturais. Convidávamos alunos para irem à nossa casa e servíamos comidas étnicas em celebrações especiais. Nessa época também fiz estágio de um ano em uma igreja chinesa, onde aprendi receitas tradicionais. Voltamos para os Estados Unidos em 2000. Continuamos a ministrar a alunos internacionais universitários, principalmente asiáticos. A maioria deles nunca havia visto uma Bíblia nem havia entrado na casa de um cristão. Convidamo-nos para almoçarem em nossa casa aos sábados. Quando eu perguntava o que gostariam de comer, diziam que queriam arroz asiático com qualquer outra coisa. Como havia um grande número de alunos japoneses, fui intencionalmente aprendendo sobre os pratos japoneses. Também decidimos hospedar alunos asiáticos, que moravam de um a quatro anos nos Estados Unidos para estudar. Com o tempo, tivemos liberdade para conversar sobre Jesus, a Bíblia e a fé cristã. Ehud era pastor de missões em uma igreja local e, à medida que os alunos se convertiam, eram batizados e discipulados antes de regressarem ao seu país. Outros vinham à nossa casa somente pelo relacionamento e pela comida.

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Em casa, na igreja ou na rua, as refeições são sempre um convite para encontro, partilha e celebração. O próprio evangelho registra várias referências feitas por Jesus à comida e ocasiões em que ele mesmo participou de refeições. Talvez seja por isso que, popularmente, dizem que em qualquer reunião de crente que se preze não pode faltar comida.

Na última edição do ano, Ultimato convida o leitor a encerrar 2017 à mesa com Jesus. Embora comida seja um tema vasto, a matéria de capa quer ajudar o leitor a perceber como esse assunto tão cotidiano está integrado à vida cristã. Os artigos sintetizam referências ao alimento no Antigo Testamento e mostram a relação de Jesus com a comida e como ela aponta para a comunhão.

O cardápio da revista de novembro/dezembro traz também o tema dos 500 anos da Reforma, com o artigo de Justo González, escrito com exclusividade para a revista, e de outros colunistas: Valdir Steuernagel, Ed René Kivitz e Alderi Souza de Matos. Além disso, um infográfico coloca luz sobre o universo pouco conhecido dos indígenas no Brasil.

Como o preparo de toda boa refeição passa por processos, a revista agora está em gráfica e na próxima semana começa a ser enviada para o assinante.