Meu reencontro com Mateus Parker

heber_mateus2

 

Por Héber Negrão

#ELJ2016 – Um dos objetivos do Encontro de Líderes Jovens de Lausanne é promover os encontros e as conexões em prol da missão de Deus. Michael Oh, presidente do Movimento Lausanne disse no primeiro dia do encontro que “queremos conectar, contar os feitos de uma geração à outra”.

Dentre as várias conexões que fiz durante estes dias, tive a grata surpresa de reencontrar um amigo de adolescência. O Matheus Parker morou no Pará por muitos anos, seus pais eram obreiros do Instituto Missionário Palavra da Vida onde eu sempre participava de acampamentos e eventos para jovens. Matheus e eu tínhamos uma convivência preciosa naquela época.

Quando ele completou 14 anos, seus pais deixaram o ministério no IMPV e se mudaram para o Amazonas com o objetivo de inicar a Missao SEARA que trabalha no alcance dos povos ribeirinhos que vivem às margens do Rio Abacaxis. Obviamente que Matheus os acompanhou e ficou envolvido neste trabalho até sua ida para a faculdade.

Durante aqueles anos lá ele percebeu a necessidade de uma ferramenta que pudesse alcançar os ribeirinhos nas épocas do ano em que os missionários não estavam nas comunidades. Matheus então passou a se envolver com radiodifusão durante seus estudos nos Estados Unidos, tornou-se membro da HCJB e passou a morar em Quito no Equador onde atua como responsável pelo departamento de Novas Mídias desta rádio.

Mesmo morando em outro país, Matheus continua dando apoio ao ministério da Missao SEARA. Depois que terminou seus estudos, ele planejou conseguir uma estação de rádio para que os ribeirinhos pudessem ter bons programas. Infelizmente o governo brasileiro dificultou a aquisição de uma estação própria e, por isso, foi necessário mudar de estratégia: ele passou a oferecer aos ribeirinhos um rádio alimentado por energia solar contendo cerca de 2 mil programas gravados em mp3. Esses programas são gravados pela Rádio Transmundial e pela HCJB e têm estudos bíblicos, cânticos e leitura das Escrituras. A cada três meses o Matheus vem ao Brasil substituir os programas já ouvidos por novos programas. Segundo ele, esses rádios mp3 têm tido um alcance ainda maior do que o rádio tradicional. Além disso, ele tem dado um treinamento para que os próprios missionários da SEARA saibam gravar novos programas para as suas comunidades.

No Encontro de Líderes Jovens (ELJ) o Matheus conseguiu fazer novas conexões. Ele foi convidado por irmãos da Libéria para implementar este projeto de rádios mp3 naquele país. E pela facilidade de falar português ele pode se envolver com brasileiros que trabalham com estudantes universitários para auxiliá-los no alcance de seus ministérios através das redes sociais.

• Héber Negrão é paraense, tem 33 anos, mestre em Etnomusicologia. Héber integrou a equipe brasileira no ELJ2016.

O Meu Lugar no Mundo: Uma caminhada que vale a pena

UltJovem_22_06_16_selo_meulugarnomundo-01Converti-me no final de 1974, através do grupo da Aliança Bíblica Universitária (ABU) em Fortaleza. Na ocasião, o encontro não era para um estudo bíblico, estavam discutindo outras questões do grupo. Não sei por que, mas minha cabeça trabalhava para achar soluções para os problemas apresentados. Era como se eles fossem meus. Logo me envolvi totalmente no ministério estudantil.

Paralelamente, um grupo da ABU no qual eu estava inserido começou um trabalho social (Projeto Castelão) nas imediações do estádio Castelão. As coisas andaram juntas por cerca de nove anos até que me mudei para Brasília. No dia de minha chegada ao Distrito Federal já viajei para São Paulo, de ônibus, para minha primeira reunião como diretor financeiro da ABU. Foram 26 anos de diretoria financeira, vice-presidência e presidência. Há quatro anos passei o bastão. Continuo até hoje no presbiterato da Igreja Presbiteriana do Planalto (IPP), que assumi em 1987.

Nunca tive dúvidas quanto ao meu chamado para os ministérios que assumi. Meu raciocínio era simples: se a porta está aberta, se eu estou no jeito para assumir e se não tenho qualquer obstáculo honesto, então é porque a porta é de Deus.

Dou graças a Deus pela minha jornada vocacional até agora. Tudo tem confirmado o meu chamado. Penso que um dos segredos para isso é o fato de que minha esposa Luzia sempre esteve junto, pagando o preço com muito trabalho e paciência.

Quanto ao meu trabalho secular, servi por 38 anos, 35 deles como analista do Banco Central, onde me aposentei. Sentia meu campo profissional como uma oportunidade excelente que Deus estava me dando. Tive à minha disposição locais extraordinários para testemunhar, tanto verbalmente como através do meu trabalho, em todos os setores onde trabalhei. O espaço era aberto pelo bom relacionamento com os colegas e pelo respeito que eles tinham pelo meu trabalho e ética profissional.

Por mais espantoso que possa parecer, não me lembro de ter tido escolhas realmente difíceis. Dúvidas surgiram, mas não que colocassem em risco minha decisão final. As muitas dificuldades surgidas eram as normais desse tipo de caminhada.

O resultado do meu chamado até agora é ver que nenhum sofrimento foi em vão. Mesmo longe de terem sido perfeitos, sinto que Deus tem abençoado cada passo. Ao ver jovens, entre eles meus filhos, com uma boa formação bíblica e consciência de cidadania cristã, fico muito feliz pela caminhada. Há pastores formados dentro dessa visão de cristianismo integral. Não foi por falta de sólido ensinamento bíblico que alguns se desviaram da fé. Valeu tudo a pena. Ebenezer: até aqui nos ajudou o Senhor.

JoséJosé Miranda Filho, 60 anos. Casado, pai de quatro filhos, avô de cinco netos. Presbítero da IPP e funcionário público aposentado.

Um Cristianismo sem Cristo nunca vai mudar nada

Opi_16_08_16_cruz_lissander_HOME

Foto: Aaron Burden/Unsplash

Por Lissânder Dias

“Cristo é o sol, o centro do nosso universo. Os profetas apenas giram em torno de Jesus”.

“Se Deus não for rei sobre toda a nossa vida, ele não é rei”.

“O Cristianismo sem Cristo nunca vai mudar a África. A África precisa ouvir Jesus”.

Estas são algumas das muitas frases de quem falou nas plenárias dos três últimos dias do Encontro de Líderes Jovens de Lausanne (ELJ), ocorrido de 3 a 10 de agosto, em Jacarta, Indonésia. A ênfase não parece ter sido orquestrada pela organização do evento, mas evidenciou uma preocupação importante sobre o que é a essência do Cristianismo em todos os continentes.

Jesus é o sol. Os profetas giram em torno dele

O asiático Richard Ching explicou o diálogo da transfiguração de Jesus (Mt 17.1-13) mostrando que a grandeza de Moisés e dos profetas Elias e João Batista residia na clareza do testemunho deles a respeito de Jesus. “Jesus reina sobre toda galáxia, sobre o Estado Islâmico, sobre todos os governantes do mundo. Ele reina, ele manda, ele é o foco da história. Jesus é o filho amado em quem Deus se compraz, o servo de Isaías que traz a justiça. Jesus é o filho amado em quem Deus se agrada”. No entanto, ele fez justiça não por meio do poder, mas sim pelo sofrimento. “Se você quer ver o amor de Deus, olhe para a cruz. A justiça do Pai é como um oceano revolto. Jesus bebe o cálice da sua própria ira. O amor de Deus pelo seu filho agora está transbordando em nós”.

Ching ainda ressaltou o papel da Trindade na obra de Cristo. “As coisas básicas na vida são experimentadas num relacionamento próximo.  Nenhum relacionamento na história da eternidade é tão próximo quanto o relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito. Alguma coisa acontece na Trindade que ultrapassa nossa compreensão e ele derrama seu amor sobre todos em toda história”.

Esteja pronto!

Para o apologeta Os Guiness a compreensão do senhorio de Cristo é o caminho para lidarmos com uma fé fragmentada na atual geração. “Estamos vivendo transformações de proporções titânicas. A modernidade causou mais dano à igreja do que muitos perseguidores. De singular, ela tornou-se múltipla. O estilo é self service, você escolhe o que quiser. Há uma crise profunda de autoridade. A fé integrada tornou-se fragmentada. É muito fácil ter uma fé que se concentre apenas em sua própria vida, afinal sua vida é muito pequena diante do que está fora dela. Se Deus não for rei sobre toda a nossa vida, ele não é rei. Tenha certeza de que você tem as ferramentas que precisa para lidar com a modernidade. Precisamos do poder do Espírito para a guerra. Vivemos uma batalha de ideias. Esteja pronto para fazer a sua parte nas grandes tarefas da igreja neste século”, desafiou.

Sobre a geracionalidade, Os Guiness criticou a fragmentação do conceito. Para ele, geração não é meramente o fragmento de uma era, como os marqueteiros querem nos convencer. “Na Bíblia não é assim. Nela todos são responsáveis por todos: responsabilidade de transmissão e seguir passando o bastão de uma geração à outra. No mundo moderno, o passado não é importante. A questão do nosso tempo, na verdade, é de fidelidade. A igreja consegue ser reavivada uma terceira vez? O futuro da humanidade depende desta pergunta. Dizemos que Jesus é a resposta, mas estamos vivendo isso de verdade?”, conclui.

Secularismo chinês e kairós africano

Uma líder chinesa e um líder africano trouxeram seus olhares da igreja a partir de suas regiões. A líder chinesa (que prefere não se identificar) ressaltou que o secularismo tem afetado bastante a juventude cristã do país. Segundo ela, milhares de jovens cristãos que vão para o Ocidente voltam de lá e perdem a fé. É fundamental que estes jovens descubram, de fato, o lugar deles no reino. “Minha vida mudou completamente depois que eu encontrei meu capítulo na grande história de Deus”, testemunhou.

Já o líder africano Emmanuel Kwizera ressaltou que a África é o continente que mais cresce economicamente no mundo hoje e que é tempo de oportunidades. “Agora é nossa vez de enviar missionários e não somente recebe-los. Missão é de todos os lugares para todos os lugares. Temos o desafio de alcançar o norte da África. Somos capazes de completar a missão ainda não completada. Vamos nos envolver na Diáspora africana”, declarou ele. No entanto, junto com este encorajamento, o líder africano não deixou de questionar que tipo de mensagem a igreja tem pregado na África. “Em muitas igrejas, o Cristianismo não é mais boas novas para os pobres, mas para quem quer ficar rico. Qual a mensagem da igreja? Qual sua resposta? Quem é Jesus em nossa geração? Quem é Jesus em Nairobi? Na Cidade do Cabo? Alguns pensam que ele é apenas um tipo de escolha. Nós existimos para conhecê-lo e torná-lo conhecido. Precisamos trazer Jesus de volta para nossas igrejas, para nossos sermões. O Cristianismo sem Cristo nunca vai mudar a África. A África precisa ouvir Jesus”.

Final do EJL, mas não é o fim de história

O último dia do EJL foi marcado pela esperança. O jovem pastor brasileiro René Breuel leu Apocalipse 5 e nos lembrou que vivemos em torno da esperança cristã. “Porque esperamos com esperança, lavamos os pés dos outros mais que qualquer pessoa, ajudamos o próximo mais que qualquer pessoa”. Ele ressaltou ainda que esta esperança caminha junto com a responsabilidade do testemunho e com o privilégio do louvor a Deus.

A cerimônia de Santa Ceia foi ministrada a partir dos pequenos grupos (ou Grupos de Conexão, como eram chamados). Foi um momento singelo, mas cheio de significado. Os participantes do ELJ experimentaram a comunhão que nasce no compartilhar de nossas próprias histórias e na compreensão da Grande História de Deus no mundo. Com isso, vislumbramos a centralidade de Cristo (ele é o protagonista de cada história pessoal), louvamos seu caráter santo e digno, testemunhamos sua obra na cruz e esperamos por “novos céus e nova terra”.

Não à toa, o ELJ terminou com muita música e louvores ao Deus da história. Mesmo após o final, grupos de países diferentes continuaram cantando juntos espontaneamente e celebrando a unidade em meio à diversidade cultural. Um grupo de brasileiros dançou junto com os africanos. Asiáticos abraçaram ocidentais.

Se os desafios da igreja global são mais complexos do que imaginamos, podemos começar diminuindo as distâncias ainda tão grandes na igreja de Cristo. Esta é uma expectativa concreta do Movimento Lausanne para os próximos 10 anos por meio do projeto YGen, que pretende conectar todos os participantes do evento por meio de um aplicativo exclusivo e com a participação de mentores. Que Deus faça sua obra.

• Lissânder Dias é editor do Portal Ultimato e foi um dos convidados do ELJ2016.

Leia mais
Olhos abertos
A centralidade de Cristo nas Escrituras
A centralidade de Jesus Cristo está em declínio?

Foto: Aaron Burden/Unsplash

O Meu Lugar no Mundo: Qual é o seu papel no corpo de Cristo?

UltJovem_22_06_16_selo_meulugarnomundo-01Este é o ponto da caminhada onde estou: pastoreando e servindo jovens. Atualmente atuo como pastor em tempo integral com foco na juventude, ministério no qual já estou envolvido há 11 anos. Hoje é mais claro pra mim qual é o meu papel no mundo, pois descobri a resposta de outra pergunta semelhante: Qual é o meu papel no corpo de Cristo?

Sou pastor (ou pelo menos estou em processo de formação)! Sou pastor não pelo cargo, ou por estar trabalhando em uma igreja, mas sim porque o Espírito Santo me capacitou com dons que me ajudam especificamente nessa caminhada pastoral. Gosto de pregar, de ensinar a palavra, de aconselhar, de discipular, de produzir material para estudos bíblicos. Todos esses pontos me ajudam na caminhada pastoral.

Ao descobrir o meu papel no corpo de Cristo, consequentemente descubro o meu papel no mundo. Ele tem a ver com o cuidado de gente e com fazer com que as pessoas olhem para Deus e reflitam sobre Ele e a vida. Meu principal campo de atuação são os cristãos, e tenho por objetivo e desafio caminhar com os que estão próximos a mim, sendo instrumento de Deus para a edificação e preparo dessas pessoas, para que possam discernir seu papel no mundo e tenham conhecimento bíblico para servirem ao reino como discípulos bem preparados.

Essa descoberta foi (e tem sido) um processo. Nunca imaginei que seria pastor quando entrei no seminário. Tinha outros planos, mas algumas experiências foram moldando em mim um caráter pastoral. Nessa caminhada, dons e talentos apareceram e foram lapidados. Fui encontrando tarefas pelas quais sou apaixonado, como pregar e discipular. Também fui percebendo que em determinadas áreas em que eu achava ter aptidão, na realidade tinha mesmo era uma falsa sensação de aptidão. Tive que deixar essas atividades para focar no que realmente tenho talento para fazer.

É uma caminhada de “deixar” e “pegar”.  Um processo no qual você vai descobrindo novas aptidões, mas ao mesmo tempo precisa deixar algumas outras habilidades de lado para focar naquilo que realmente irá te auxiliar na jornada.

Nesse processo de descoberta, atualmente me preparo para uma transição ministerial, pois compreendo que, após 11 anos de dedicação a esse público, o ciclo de envolvimento com o ministério para a juventude está para terminar. Aproxima-se o fechamento dessa etapa e apresenta-se então o início de uma nova caminhada, que ainda não sei qual é. Mas o fato de eu ter clareza sobre qual é a minha função no corpo me ajuda a perceber qual é o meu lugar.

 

BlogUlt_15_08_16_calebeCalebe Ribeiro, 29 anos, casado com Myrna Ramos. Mora atualmente na cidade do Rio de Janeiro. Formado em Teologia e em Sociologia.