Conteúdo reproduzido da revista Ultimato edição 324.

Se falamos em redenção é porque entendemos que toda a natureza é caída e que, consequentemente, essa queda chegou ao mundo das artes. Mas a redenção deve começar, antes de tudo, em nossas mentes encarceradas, no revisar do nosso olhar sobre o mundo e sobre o homem, em nossos conceitos sobre adoração e sobre vida.

Cinema

Se os filmes falam de valores e até mesmo de espiritualidade, é hora de os cristãos se fazerem presentes nesse debate, com preparo e, acima de tudo, relevância. [Eugenio Petraconi] leia mais >>

Dança

Numa época em que tantas barbáries são impostas ao corpo, precisamos, como cristãos, recuperar valores e proclamar a verdade também por meio da arte com o corpo. [Marcela Carolina Rocha] leia mais >>

Escultura

É incoerente termos tantos artistas na igreja e tão pouca expressão com obras que inspirem, ministrem, eduquem, evangelizem e glorifiquem a Deus. [Meg Banhos] leia mais >>

Música

Música, antes de tudo, tem a ver com a vida, com vivê-la e experimentá-la em toda a sua potencialidade. Música tem a ver com o ser ser humano. [Guilherme Stutz] leia mais >>

Pintura

Não é obrigatório o artista cristão representar cenas bíblicas, mas ele deve voltar os olhos para a criação e perceber que tudo o que é belo em sua complexidade, sublime e digno de valores faz parte do plano de Deus para a humanidade. [Rafaela Coelho] leia mais >>

Teatro

Todos nós somos artistas e atores. Todos temos a capacidade de dramatizar e fazer de conta. Quando ficamos mais velhos e deixamos de ser criança, paramos de “fazer de conta”? [Henrique Stumm] leia mais >>

Literatura

A produção literária deve falar alto, deve alertar, intervir e gerar transformação. [Jeverton Ledo] leia mais >>

Carioca, mulato filho de mãe mulata, o pai foi quem o apresentou ao encanto da música e junto com mãe o ensinaram a temer e amar a Deus. Ele é apaixonado por samba, mas não nega que tem uma quedinha pelo baião. Diz que está no sangue. Seu amor pela música popular brasileira é a marca registrada de seu trabalho musical.

Autor de Ser Evangélico, Sem Deixar de Ser Brasileiro, publicado por Ultimato, Gérson Borges também coleciona quase uma dezena de álbuns. Casado com Rosana Marcia – a “Cinha” –, Borges é licenciado em Letras e pós-graduado em Teologia e Sociologia. Atualmente, ele se ocupa com o pastorado e com viagens pelo Brasil, espalhando arte e cultura por meio da sua música e palestras.

Na Varanda, o músico fala sobre suas influências na literatura e conta sua receita para fomentar a criatividade, quando a inspiração não aparece.

Alguma pessoa ou livro, em especial, influenciou sua aproximação da leitura e da escrita?

Para começar, revistas em quadrinhos e minhas professoras de língua portuguesa, sem dúvida. Aprendi a ler entre os cinco e seis anos e me tornei aficionado aos gibis. E na escola, lia com avidez e prazer tudo o que era indicado. Na quinta série, Dona Lourdes marcou minha vida. Ao perceber meu gosto pela leitura, trazia livros da própria biblioteca pessoal e me recomendava. O primeiro foi “1984”, de George Orwell. Para mim, leitura desses gibis e romances de formação sempre foi e será releitura. Poucos prazeres se comparam a redescoberta de um velho texto que nos tocou no passado – e que se mantém forte, vivo, espiritual e intelectualmente estimulante. Ler é reler.

Quando a inspiração para escrever não vem…

Releio trechos dos meus mestres e mentores, visito livrarias, dou um tempo, silencio. Solitude e quietude são imbatíveis para fomentar a criatividade. Nada me ajuda mais a produzir do que não produzir nada por um tempo. Com a escrita é mais fácil, mas com a música a coisa é mais complicada. Se fico tempo sem essas referências artísticas e espirituais minha alma murcha. Por isso o Shabat é revigorante, tanto do ponto de vista da produção artística como da manutenção da criatividade. Parar. Dormir. Dar um tempo.

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[500 Anos da Reforma]
Por Martinho Lutero

Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade. [Efésios 1.11]

Cuidado com a filosofia que leva as pessoas a dizerem: “O que posso fazer? De que adianta orar? Por que me preocupar? Se está predestinado, vai acontecer”. Sim, é verdade que o que é predestinado acontecerá. Entretanto, nós não recebemos o mandamento de conhecer o que está predestinado. De fato, somos até proibidos de sabê-lo.

Quando investigamos assuntos incompreensíveis, testamos a Deus. Ele nos deu as Escrituras para que pudéssemos saber o que devemos e o que não devemos fazer – e espera que atuemos de acordo com esse conhecimento. Aquilo que não podemos saber devemos deixar para Deus. Nós devemos cumprir com nossas responsabilidades, vocação e posição na vida. Deus, e somente Deus, sabe o que está predestinado a acontecer. Não se pressupõe que você saiba.

Observe, por exemplo, o episódio em que Joabe estava sendo atacado pela frente e por trás. Ele não disse a seu irmão Abisai: “Espere, vejamos o que está predestinado e então agiremos de acordo”, mas disse: “Se os arameus forem fortes demais para mim, venha me ajudar; mas, se os amonitas forem fortes demais para você, eu irei ajudá-lo. Seja forte e lutemos com bravura pelo nosso povo e pelas cidades do nosso Deus. E que o Senhor faça o que for de sua vontade” (2Sm 10.11-12).

Nós também devemos nos concentrar nas nossas tarefas, seja algo predestinado ou não. Porque Deus não disse nem revelou todo o futuro, nada sabemos a esse respeito. Portanto, tentar descobrir se algo está ou não predestinado deve ficar de fora das nossas mentes e corações. Que o futuro continue ignorado. Que ele permaneça secreto e oculto. Enquanto isso, devemos fazer o que sabemos que precisamos fazer. Devemos viver pela Palavra de Deus e pela luz que ele nos deu.

Em 2017, Ultimato vai relembrar e celebrar os 500 anos da Reforma Protestante. O Blog publica, sempre às segundas-feiras, uma devocional do reformador Martinho Lutero, retirado do seu Somente a Fé – Um Ano com Lutero.

Livro da Semana  |  Fé Cristã e Cultura Contemporânea

O que qualifica um objeto como arte? Qual seria o núcleo de sentido da modalidade estética?

Para Rookmaaker, esse núcleo seria a beleza. Ainda que ele aprofunde o sentido do belo para além das elaborações clássicas, a tradição de valorizar a composição harmônica das partes em um todo é largamente mantida. Para ele, a beleza é uma qualidade formal, vista no arranjo e no inter-relacionamento entre as partes de um todo, e ligada intimamente à noção de unidade-na-diversidade. Na arte, a beleza é demonstrada na estrutura formal do tema expresso, bem como na composição interna da obra de arte:

A beleza é expressa nas linhas, na cor, no molde e na forma, no ritmo e no som, nas rimas e no relacionamento de palavras e composições, na unidade e na diversidade. É por meio destas coisas que a beleza é realizada: não de forma abstrata. [26]

Na visão de Rookmaaker, o artista, ao compor uma obra de arte, deve ter como meta a beleza, da mesma forma que Deus, ao fazer o mundo belo, viu que tudo era bom! A partir deste núcleo modal do belo como norma estética, Rookmaaker aponta as várias analogias estéticas em outras modalidades componentes da realidade polissêmica[27] da criação, como orientações do artista ao buscar uma arte profunda e verdadeira, ou reveladora da profundidade do real. Assim, devemos ter na arte a moderação dos excessos (antecipação da modalidade econômica do real),[28] harmonia social e balanço entre sentimentos e palavras, além do estilo, do princípio de identidade e contradição e do poder emocional.

A arte deve ter vida, movimento, ritmo estético, polifonia e unidade na diversidade. Na arte, devemos encontrar a predominância de alguns temas em relação a outros (antecipação da modalidade jurídica), a demonstração de amor pelo próximo e uma orientação geral em direção ao Criador, determinada pelo coração do artista.

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Por Viviane Prates

Sempre gostei de pintar a figura feminina. A técnica da aquarela me permite captar detalhes sutis, que são peculiares, como as cores em camadas da pele humana. Gosto das texturas dos cabelos, bagunçados pelo vento,  das “imperfeições” do rosto, manchas, sardas, rugas, detalhes que, muitas vezes desprezados, para mim revelam a beleza de ser humano – eles ajudam a contar a sua história.

Nesta série procurei uma correspondência de cores e texturas entre a mulher e a natureza. Essa correspondência pode estar entre cabelos e galhos, olhos e flores, pétalas e pele e entre humores e estações.

 

“Primavera”, aquarela s/ papel, 53x76cm, 2017

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Equipe Ultimato ouvindo o significado da cruz vazada, que simboliza a centralidade de Cristo – um dos pilares da editora

Em 2018 Ultimato comemora seu jubileu. Nestes cinquenta anos de caminhada, trabalhando com o objetivo de contribuir para a transformação de vidas e edificação da Igreja, por meio da publicação de conteúdo cristão, a editora Ultimato também tem como compromisso “olhar para as pessoas da equipe, em sua individualidade, e se empenhar no cuidado e acompanhamento de cada um”. É por causa disso que desde 2014, após um processo de consultoria, a editora implantou a avaliação de desempenho dos colaboradores internos.

A coordenadora de gestão de pessoas e desenvolvimento, Ivny Monteiro, fala sobre como esse processo acontece e a importância dele para o desenvolvimento de cada integrante da equipe e o cumprimento da missão da editora.

Como foi identificada a necessidade de realizar esta avaliação de desempenho?

​Há cerca de quatro anos, durante um processo de consultoria externa, ficou claro que a Ultimato possuía diversos comportamentos e competências considerados essenciais na rotina dos seus funcionários, contudo, não havia uma lista sistematizada. Com a ajuda dos consultores essa lista foi estabelecida. A partir daí percebemos a importância de acompanhar a aplicação e desenvolvimento desses itens. O desenvolvimento dos funcionários traz, além do ganho individual, um crescimento como equipe.

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Em O Ajuste Fino do Universo, o cientista e teólogo Alister McGrath afirma que o crescente interesse pelo diálogo entre as ciências naturais e a teologia cristã indica que a teologia natural é um ponto de encontro conceitual entre os dois campos. O autor diz ainda que a teologia natural está relacionada a discernimento, a ver a natureza por meio de um conjunto particular e específico de lentes.

 

Em entrevista ao site Apologetics 315, McGrath respondeu a algumas questões sobre teologia natural, que destacamos aqui:

Você poderia descrever a teologia natural brevemente, e em seguida explicar qual papel você crê que ela exerce para a apologética cristã hoje?

Bem, a ideia da teologia natural pode tomar várias formas, mas todas elas têm uma coisa em comum: que de alguma forma podemos usar o mundo natural ao nosso redor como um tipo de canal para ajudar pessoas a encontrarem a Deus. Em outras palavras, você está argumentando a partir da criação em direção ao criador. De muitas maneiras, este é o tema do primeiro verso do Salmo 19: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos”.

“Você vê a glória dos céus? Bem, isto não aponta em direção à glória ainda maior de Deus?”. E esse é o ponto no qual muitas pessoas estão em nossa cultura. Elas têm um senso muito real de respeito pela natureza, têm amor por ela, apreciam sua beleza. Um das coisas que podemos fazer é tentar dizer: “Olhe, o que você está fazendo é admirar ou amar algo que Deus fez. Não seria o próprio Deus melhor ainda?”. Então, isso é usar a natureza como um ponto de partida. Continue lendo →