500 Anos da Reforma  |  Por Martinho Lutero

Jesus respondeu: A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais miraculosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos. [João 6.26]

Cristo diz ao povo que eles o estão seguindo não por causa do seu ensino, mas por causa dos seus estômagos, os quais eles amam. Eles pensavam: “Jesus é um grande mestre para nós! Ele nos dará liberdade. Nós todos ficaremos satisfeitos, teremos qualquer coisa que quisermos”. Nessa passagem, o Senhor revela que tipos de seguidores seriam atraídos pelo evangelho. Ainda hoje, o evangelho atrai pessoas que pensam que ele encherá suas barrigas, satisfará seus desejos e os ajudará aqui, nesta vida.

Essa ideia é tão comum hoje que eu estou quase me cansando de pregar e ensinar a esse respeito. As pessoas, fingindo ser discípulos sinceros, vêm ouvir um sermão. Porém, debaixo dessa aparência, elas vêm motivadas apenas por ganhos pessoais. No entanto, o evangelho não foi enviado do céu para as pessoas encherem suas barrigas, terem o que desejam e fazerem o que lhes agrada. Cristo não derramou o seu sangue com esse propósito!

O evangelho proclama a glória de Deus e nos ensina como louvar o Senhor. Deus deseja que o louvemos. Ele quer que façamos o que lhe agrada. Se a honra e o reino de Deus forem a nossa prioridade, então ele não apenas nos dará a vida e tudo de que necessitamos neste mundo, como nos dará também a vida eterna.

Em 2017, Ultimato vai relembrar e celebrar os 500 anos da Reforma Protestante. O Blog publica, sempre às segundas-feiras, uma devocional do reformador Martinho Lutero, retirado do seu Somente a Fé – Um Ano com Lutero.

Livro da Semana  |  A Espiritualidade na Prática

Por Paul Stevens

 

A primeira e a última refeição

O primeiro presente para Adão e Eva, o primeiro mandamento e a primeira bênção de Deus, é a comida: “Disse Deus: “Eis que lhes dou todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes. Elas servirão de alimento para vocês” (Gn 1.29). Mas o primeiro pecado também aconteceu no contexto do comer.

Adão e Eva estavam alojados em um jardim-santuário para desfrutar da comunhão com Deus, para promover comunhão e para serem cocriadores com Deus – tudo na presença dele. Mas, como a serpente havia indicado, a árvore do conhecimento representava a tentação de serem independentes de Deus – “ímpios” como Esaú, citando Hebreus novamente.

O primeiro casal poderia fazer uma refeição com o diabo e quebrar a comunhão com Deus, exatamente como aconteceu. Quando eles viram que ela era “boa de comer” (uma questão de provisão), “agradável aos olhos” (esteticamente bela) e “desejável para dar entendimento” (obtenção de poder), comeram. Por que o pecado entrou na família humana por meio de uma refeição comum? Seria porque não existe algo como uma refeição comum?

Falando sobre isso com grande profundidade, Leon Kass diz:

Embora a árvore do conhecimento do bem e do mal seja apenas uma metáfora – o conhecimento não dá em árvores –, a imagem sugere uma clara relação entre a autonomia e a voracidade humanas, ao representar o limite da autonomia na forma de um limite para a voracidade… Deus buscou proteger o homem da expansão de seus desejos para além do naturalmente necessário, ou da substituição do desejo dado pela natureza pelos desejos criados por nossa própria mente e imaginação. Essas perspectivas tentadoras, porém perigosas – de autonomia, escolha, independência e aspiração pelo controle pleno, e do desejo emancipado e insaciável – estão sempre presentes no centro da vida humana… Quando a voz da razão despertou, e a simples obediência foi questionada (tornando-se, portanto, não mais possível), os desejos do homem começaram a sobressair. Embora não soubesse exatamente o que isso significava, o homem imaginou que seus olhos seriam abertos e ele seria como deus, ou seja, autossuficiente, autônomo, independente, conhecedor, talvez imortal e, por fim, livre. Assim foi a promessa da serpente – a voz suave que fez a primeira pergunta do mundo e, dessa forma, perturbou sua paz para sempre.1

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Se o sabor da vida depende de quem a tempera, quem tempera a sua? Para quem anda com Jesus, ingredientes que não faltam à mesa são encontro, partilha e celebração.

Embora pareça um assunto trivial, há muitas lições nos registros bíblicos que fazem referência à comida. Por isso, a última edição de 2017 da revista Ultimato nos convida a integrar o alimento à vida cristã.

Além de mostrar a mesa como um ponto de celebração, reconciliação, partilha e justiça, comunhão e unidade, a matéria de capa “À Mesa com Jesus” serve ao leitor o artigo “Pão da vida” e “Refeição e Hospitalidade”. No primeiro, o pastor Luiz Fernando dos Santos fala do convite feito a nós para sentarmos com Jesus à mesa e comermos o alimento que ele mesmo serve ao dar-se a nós. No segundo, o pastor William Lane explica que “partilhar uma refeição com alguém significa ter ou desejar ter um relacionamento ou pacto com essa pessoa”.

A última revista do ano chama o leitor para refletir e sentar à mesa com os amigos, com a família e com Jesus. Na verdade, é Deus quem nos convida para uma refeição, chamando-nos à reconciliação e comunhão. Portanto, comamos com alegria!

Confira o sumário da revista Ultimato de novembro/dezembro.

 

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500 Anos da Reforma  |  Por Martinho Lutero

Vede o arrogante! A sua alma não é correta; mas o justo viverá por sua fé. [Habacuque 2.4, AS21]

As palavras dadas por Deus a Habacuque, que as gravou em tábuas, incluíam uma declaração brilhante: “O justo viverá por sua fé”. Isso significa que quem quiser ser justo e viver uma vida justa deve crer na promessa de Deus. Essa verdade não muda. Consequentemente, pessoas ímpias morrerão em sua incredulidade.

Precisamos crer no que foi escrito na tábua se quisermos viver agora e para sempre. Precisamos crer que Cristo virá com seu reino. Quando as coisas parecerem diferentes e nos sentirmos perturbados neste mundo, não podemos perder nosso rumo. A Palavra de Deus sustenta revelações que vão além dos nossos sentidos e são mais elevadas do que o nosso entendimento. Quando olhamos para a nossa situação atual nos sentimos perturbados. Pela fé, precisamos superar esses sentimentos. Mesmo quando rodeados de problemas, devemos confiar que o reino virá e será estabelecido de forma gloriosa.

Esta passagem traz um exemplo claro de como os profetas no Antigo Testamento pregavam e enfatizavam a fé em Cristo, assim como acontece no Novo Testamento. Percebemos que Habacuque foi tão ousado que condenou as obras. Ele atribuiu vida exclusivamente à fé. Está claro que Habacuque afirma que os incrédulos não terão sucesso por si próprios. Seus esforços já estão julgados. Que eles orem e trabalhem até morrer. Suas obras nada valerão, nada alcançarão e em nada os ajudarão. Enquanto isso, os cristãos viverão pela fé.

Em 2017, Ultimato vai relembrar e celebrar os 500 anos da Reforma Protestante. O Blog publica, sempre às segundas-feiras, uma devocional do reformador Martinho Lutero, retirado do seu Somente a Fé – Um Ano com Lutero.

Confira o relato de Antonia Leonora van der Meer sobre o evento:

 

O IV COMIBAM foi realizado em Bogotá, Colômbia, e contou com 1.800 participantes, entre estes 160 brasileiros e 300 mexicanos. Da Interserve, fomos três: Eliezer, Sara e eu. E fomos com um bom grupo do Cuidado Integral do Missionário (CIM) da AMTB: Rúbia, Márcia, Hairton e eu. Foi muito proveitoso, com muitos contatos abençoados.

O CIM teve um encontro de dois dias antes do próprio Congresso, onde os brasileiros presentes foram muito bem acolhidos e valorizados, e assim surgiu uma integração abençoada.

Eliezer e Sara montaram o estande – a Corferias fez um bom trabalho de preparo anterior Escolhemos a opção menor, mas foi bem adequada e atraiu muitas pessoas interessadas, de vários países. Pudemos conversar com as pessoas, dar informações sobre a agência, os campos e as oportunidades, e os mais interessados preencheram uma ficha para contato posterior.

O que mais me impressionou foi a coragem, a visão e o compromisso de irmãos de Cuba e da Venezuela. Perguntei a um venezuelano como faziam com o sustento dos obreiros no contexto difícil atual, em que os templos das igrejas estão sendo desapropriados e há outras limitações. A solução encontrada foi o contato e apoio de igrejas latinas nos Estados Unidos.

As minhas responsabilidades, além de estar no estande diariamente durante várias horas, foi ministrar um seminário sobre “As dores dos que voltam”.  A sala oferecia lugares para cerca de 80 a 100 pessoas, mas havia perto de 140. Tiveram que buscar mais cadeiras. Vários compartilharam suas experiências e ouvimos testemunhos que confirmam a necessidade de um cuidado especial nessa fase da vida missionária. Nos dias seguintes pessoas me abordavam falando sobre como esse ensino foi importante. Falei também da importância de cuidados dos Filhos de Terceira Cultura (FTCs). Um FTC também compartilhou sobre as dores de sua experiência. Esperamos poder contribuir de alguma maneira com a nossa experiência. Continue lendo →

É um enorme desafio reunir, em um congresso de missões, organizações e pessoas de contextos variados e compreensões distintas sobre o mesmo tema. Cada um possui uma caminhada diferente, uma experiência singular e uma perspectiva particular da missão. Além disso, há também o contraste de idades, estratégias e focos de atuação. Tudo isso podem ser aspectos positivos ou negativos, mas no CBM eles são os ingredientes que tornam o congresso um rico ambiente para a aprendizagem e troca de experiências. Com tensões e pontos divergentes, sim, mas sem comprometer o objetivo maior: glorificar a Deus e participar da missão que ele está fazendo no mundo.

Avaliar profundamente todo o impacto do CBM e mensurar os frutos dele para a igreja e o movimento missionário brasileiro é quase impossível. Como bem disse o coordenador executivo do congresso, Alisson Medeiros, “só conheceremos na eternidade”. Contudo, isso não significa descartar uma avaliação mínima. Por isso a AMTB, organizadora do evento, insiste que todos os participantes respondam ao questionário de avaliação do CBM, disponível no aplicativo do Movimento Vocare, que pode ser baixado no Google Play. Esse esforço é no intuito de minimizar falhas e maximizar o potencial do CBM para cumprir seu objetivo de mobilizar a igreja brasileira para um maior engajamento missionário.

Entre falhas e acertos, críticas e elogios, alguns oficineiros e participantes do CBM falam suas impressões sobre o congresso. Confira:

“Qual a diferença que a força missionária brasileira fará entre os 1 bilhão de praticantes do budismo?”, me perguntou um grupo de líderes na Ásia. O CBM já deu uma resposta positiva ao incluir o budismo como uma das realidades que não podemos ignorar. Agora, após o congresso, queremos ver como a igreja brasileira responderá nos próximos anos. Ali, percebi que pouquíssimos missionários e igrejas sabem como lidar com essa realidade. Contudo, nos seminários a tarde, recebemos participantes que fazem parte de uma nova geração que transpõe o pragmatismo, e busca um melhor preparo para frutos a longo prazo, sem perder a paixão e o espírito de pioneirismo. Eu creio que o Senhor os usará para gerar modelos de glorificação a Cristo entre os budistas, que serão compartilhados nos próximos CBMs.
Mila Gomides, Campinas, SP

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