Estréia da Globo repete empulhação

Baixou, de novo, o espiritismo na Rede Globo, com "O Profeta"

A história é velha e o folhetim, surrado. Mas a força da Rede Globo repete à exaustão os supostos poderes, premonições, entre outros efeitos do gênero, para mexer com as emoções do respeitável público. O circo está armado e começa hoje mais uma novela “espiritualista”. Na verdade, Walcyr Carrasco, supervisor, Duca Rachid e Thelma Guedes adaptam o texto original de Ivani Ribeiro. Trata-se de mais um remake da Globo. Como sempre, a pretensão é apresentar uma religiosidade “católico-espírita”, “espírita-cristã” e até “protestante-espírita”. Tal salada mística alavanca a audiência e enche os cofres da grande Rede. A massa parece não saber se gosta mais da brincadeira de adivinhação, dos “fluidos” e “dons” do “profeta” ou do consolo de uma vida em evolução, em que nos livramos das responsabilidades e a vida gira como uma roda-gigante fatalista. E, claro, tudo acaba bem… Nada mais anticristão. Aliás, quem é espírita não é cristão. Não há a menor possibilidade de alguém professar o cristianismo e ao mesmo tempo professar o espiritismo. É uma coisa ou outra. O Brasil não é apenas o país mais católico do mundo, mas também o país mais espírita do mundo. E a Rede Globo sabe disso. Dizer que a novela é um espaço para o debate sobre o espiritismo é bobagem. A Globo alimenta o sincretismo e regurgita o espiritismo. O novelista Walcyr Carrasco já disse a que veio em “Alma Gêmea”: “Não poderia fazer um trabalho se eu não acreditasse no tema”. A inspiração do ator Thiago Fragoso, o “profeta”, vem do budismo e das biografias de Chico Xavier. Ou seja, tirem as crianças da sala porque vem aí mais um campeão de audiência… Acesse a edição especial sobre espiritismo da revista Ultimato. Para ler sobre predestinação, eleição e livre-arbítrio, acesse Confissão de Um Peregrino, de Francisco Leonardo Schalkwijk. Para ler sobre escatologia, acesse O Tempo de Deus — a Bíblia e o futuro.

É proibido fumar, mas é fácil vender a alma ao diabo. O cigarro mata mais do que aids, álcool e assassinatos juntos

É proibido fumar. Pelo menos é o que dizem os muitos avisos em ônibus, restaurantes, cinemas… Mas o que era um “raro prazer” não parece acabado. Os números do jornal The Economist são impressionantes. Nos EUA, no final dos anos 90, o cigarro matou mais do que a aids, acidentes de carro, álcool, assassinatos, suicídios, drogas ilegais e incêndios, juntos. São mais de 400 mil mortes por ano, 160 mil de câncer de pulmão. Vale a pena ler a matéria completa publicada no Brasil pelo jornal Valoronline. A história do cigarro nos EUA é assustadora. Escrita por Allan Brandt, de Harvard, em “The Cigarette Century”, (Basic Books), começa com a máquina de enrolar cigarros, em 1881, passando pela época em que os velhos “reclames” diziam: “Mais médicos fumam Camel…”, até o acordo entre a indústria do tabaco e os Estados norte-americanos no valor de 246 bilhões de dólares. Em troca, claro, os estados abandonaram as reivindicações contra a indústria e torcem para que ela fature ainda mais e o diabo os livre da inadimplência. Daí o sugestivo título da matéria: “O diabo aceita dançar, mas escolhe a música”. (Para os cinéfilos, uma dica que combina com a matéria, mas não com a indústria do tabaco: “O Informante”, com Al Pacino.)Por falar em diabo, em Um Ano com C. S. Lewis – leituras diárias de suas obras clássicas, o autor, quando assume o papel de aprendiz do coisa-ruim, tem a fórmula certa para a distorção do prazer: “Uma dose considerável a mais de desejo, em troca de um prazer cada vez menor”. […] “Encorajar os seres humanos a, vez ou outra, experimentar os prazeres que o Inimigo [Deus] criou de formas ou em intensidades que ele tenha proibido” e “afastar as condições naturais de qualquer prazer em direção àquele que seja o menos natural, o menos bem cheiroso ao seu Inventor [Deus] e o menos prazeroso possível”. Enfim, o aprendiz arremata: “Comprar a alma do homem em troco de nada é tudo que pode de fato contentar o coração de Nosso Pai [o diabo].

Em Brasília, um Senado de "Segurança Máxima"

E o Senado elegeu um espinheiro. Faz pouco mais de três meses que publicamos aqui O espinheiro que falta ao Senado. Para quem não se lembra, trata-se da história das árvores que em coro clamavam por um rei (Jz 8.8-15). Um retrato bíblico da nossa Câmara Alta. Nas palavras do senador Demóstenes Torres, estavam todos à caça de “um relator que faça o serviço sujo”. O que parecia ruim no começo ficou pior. Por 40 votos a 35, os senadores decidiram não cassar o mandato do presidente da Casa, Renan Calheiros, por quebra de decoro parlamentar. O imbróglio faz lembrar a eleição do espinheiro da parábola: “Se querem realmente ungir-me rei sobre vocês, venham abrigar-se à minha sombra; do contrário, sairá fogo do espinheiro e consumirá até os cedros do Líbano!” (Jz 8.15). Aos desavisados, o espinheiro não dá sobra… É preciso misturar um pouco (ou muito) de religião com a política nacional. Quem sabe, uma pitada de sal. A putrefação do espectro político nacional é assustadora. Para o colunista da “Folha de S. Paulo” Clóvis Rossi, o encontro dos senadores se deu numa verdadeira “prisão de segurança máxima”. Às escondidas, a sessão secreta com votação idem não permitiu aos “detentos” a utilização de laptops ou celulares. É irresistível a lembrança das palavras de Jesus, “não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido. O que vocês disseram nas trevas será ouvido à luz do dia, e o que vocês sussurraram aos ouvidos dentro de casa, será proclamado dos telhados” (Mt 10.26-27). Não se trata de “espiritualizar” o que acontece no país. Ao contrário. A fé cristã é, ao mesmo tempo, utópica e bastante realista. Os senadores que hoje escondem o voto e armam em segredo para manter tal prática, ontem subiam nas tribunas a bradar contra o que chamavam absurdo. E, claro, os que hoje posam de vestais, clamando pelo voto aberto, ontem urdiam pela manutenção da sessão secreta. Discernir é preciso. Ser de direita ou de esquerda não nos torna melhores ou piores cristãos. Estamos assustados com o mar de lama. Estamos decepcionados. Ao que parece, Em Brasília todos tramam em conjunto.

Ateísmo: o novo mantra dos radicais

A ciência não faz declarações. Os cientistas, sim. E, às vezes, erram A ciência manda, é a última palavra. Embora paradoxal, é quase um mantra a ser seguido. Quem nunca começou uma "dieta" nova na segunda-feira porque no domingo foi informado da nova descoberta da "ciência", que atire a primeira pedra. Claro, aprendemos muito com a ciência. Mas, pasme, "a ciência não diz nada. Ela não pode fazer declarações. Somente os cientistas dizem as coisas. E estes podem ser surpreendentemente nada científicos e cometem erros". [Dallas Willard, em seu prefácio a Ciência, Intolerância e Fé, Editora Ultimato]. A recente cruzada editorial — livros como The God Delusion (Deus um Delírio), de Richard Dawkins, Letter to a Christian Nation (Carta a uma Nação Cristã), de Sam Harris — ou a discriminação de estudantes cristãos em universidades como Edimburgo e Birmingham, na Inglaterra, não deixam dúvidas: os cientistas, ao se ungirem como responsáveis por tudo o que é certo e razoável, se tornaram intolerantes e arrogantes. E a mídia acende uma vela para cada santo — ou demônio, não importa. Num dia descobre o crescimento dos evangélicos; no outro, anuncia o enterro da religião. Marcelo Gleiser, em seu "Ateísmo Radical", artigo dominical da última semana de novembro, no jornal Folha de S. Paulo, falando de Richard Dawkins, afirma: "Para ele, a ciência é um clube fechado, onde só entram aqueles que seguem os preceitos do seu ateísmo, tão radical e intolerante quanto qualquer extremismo religioso. Dawkins prega a intolerância completa no que diz respeito à fé, exatamente a mesma intolerância a que se opõe". Leia mais sobre intolerância em O Fundamentalismo dos Liberais. Enquanto isso, a "ciência", ruborizada, pede desculpas a cada "delusion", a cada gema de ovo a mais ou cafeína a menos recomendada na última estação. Aliás, “sinto muito” foram as palavras do físico britânico Stephen W. Hawking, na 17ª Conferência sobre Relatividade Geral e Gravitação em Dublin, ao negar as próprias teorias, 30 anos depois, sobre os buracos negros. Como cristãos, sabemos que nos enganamos. Inauguramos o auto-engano com Adão e Eva, para o arrepio dos cientistas. Enfim, como se argumenta com um ateu? Esta é também uma das questões do artigo "A maior de todas as religiões", de Mark Carpenter, na edição de jan./fev. de 2007 da revista Ultimato, que entra em circulação na segunda semana de dezembro. Você não pode deixar de ler. Evolução, criação e teísmo estão em Ciência, Intolerância e Fé, de Phillip Johnson. Leia mais sobre acreditar ou não em Deus, com C. S. Lewis e Freud em campos opostos, em Deus em Questão, de Armand Nicholi. Confira também as razões de John Stott para ser cristão em Por Que Sou Cristão.