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O Meu Lugar no Mundo: “Se era a vontade de Deus, não podia dizer não!”

UltJovem_22_06_16_selo_meulugarnomundo-01Fui criada no evangelho, mas tive uma crise de fé na adolescência. Tive minha experiência transformadora com Deus em um Curso de Férias da Aliança Bíblica Universitária (ABU).  Depois disso, recebi o convite para trabalhar na Embaixada da Holanda em Brasília e levei o assunto para a ABU Curitiba. Então alguém me perguntou: “Será que Deus quer te enviar para Brasília? Há estudantes interessados, mas sem experiência”. Entendi que se era a vontade de Deus, não podia dizer não! Transferi meu curso para Brasília, trabalhei na Embaixada e lá ajudei o trabalho da ABU.

Participei da organização do Congresso Missionário em 1976 e houve um desafio para ir à África. Achei que não era para mim, alguém que se parecia com os sul africanos que apoiavam grupos rebeldes do apartheid. Mas em uma mensagem sobre o chamado de Moisés e como Deus o levou a superar suas dúvidas, entendi que deveria aceitar o desafio.

Angola era um país em guerra, com governo marxista, que tolerava a igreja entre “ignorantes”, mas rejeitava o testemunho na Universidade. Não foi fácil viver em contexto de guerra, com muitas carências e perigos, e realizar o trabalho entre os estudantes. Dei aulas em seminários e institutos bíblicos e comecei a capelania hospitalar entre vítimas da guerra.

Depois de 10 anos voltei ao Brasil e trabalhei na formação de missionários no Centro Evangélico de Missões (CEM) em Viçosa por 17 anos. Foi a direção de Deus e me trouxe alegria.

Nessa jornada, houve escolhas difíceis. Sair do Paraná para Brasília, onde não conhecia ninguém e me sentia só foi uma delas, mas servi com alegria, cresci e fiz boas amizades. Viver num contexto de guerra foi duro, mas trouxe satisfação e alegria. Voltar ao Brasil e deixar meus queridos angolanos no sofrimento foi uma dor que demorou a ser superada, mas entendi que era a vontade de Deus e recebi paz.

tonicaTonica (Antonia Leonora van der Meer), 69 anos. Fez curso de Letras e também de Missões no All Nations Christian College na Inglaterra, mestrado em Teologia na Faculdade Teológica Batista de São Paulo e doutorado em Missiologia no Asia Graduate School of Theology nas Filipinas. É aposentada, e dá aulas em Cursos de Missões, orientando mestrandos. É uma das líderes do CIM (Cuidado Integral do Missionário), e participa de projetos escritos.

O Meu Lugar no Mundo: Entre pelas portas que Deus abre para você

UltJovem_22_06_16_selo_meulugarnomundo-01Deus foi bom ao me mostrar aos poucos, no decorrer da minha vida cristã e acadêmica, aonde exatamente Ele queria que eu estivesse. Na primeira vez em que questionei sobre minha vocação, fui confortado pelo testemunho de um missionário experiente: “Eu apenas me dispus para ser usado por Deus”. A oração que minha mãe fez em sua mocidade também me inspirou e me ajudou a achar meu lugar no mundo: “Senhor, me usa onde, como e com quem tu quiseres”. A disposição para servir também foi o segredo de grandes profetas como Isaías e Jeremias.

Apesar de ser missionário efetivo há apenas cinco anos, já estou envolvido há uma década no trabalho para o qual o Senhor me chamou a servi-Lo: o ministério de Etnoartes. O objetivo deste ministério é levar os povos a adorarem ao Senhor com suas próprias expressões artísticas. Como eu soube que esta era a minha vocação? Através das portas que Deus abriu para mim, para fazer um mestrado em etnomusicologia, lecionar em eventos nacionais e internacionais, e participar de redes internacionais de etnoartes. Só me restava entrar por essas portas, porque eu tinha certeza que só Ele poderia dar oportunidades tão extraordinárias quanto essas.

O ministério de Etnoartes ainda é relativamente novo no Brasil. Já ouvi muitas críticas de missionários veteranos dizendo que esse tipo de trabalho não dará certo. Ninguém disse que o caminho seria fácil. Espera-se que um trabalho pioneiro enfrente dificuldades como essas. Porém, mesmo com as limitações de um trabalho recém-conhecido, o Senhor continua abrindo as portas para que ele seja realizado. Entrar em portas abertas extraordinariamente foi o que levou William Carey a servir ao Senhor na Índia e o Irmão André a propagar o evangelho em países comunistas.

A combinação desses dois elementos: disposição para servir e aproveitar as portas abertas, sem dúvida, vai te levar a encontrar seu lugar no mundo.

 

heberHéber Negrão, 33 anos. Missionário há cinco anos com um povo indígena no norte do Brasil.

O Meu Lugar no Mundo: Uma caminhada que vale a pena

UltJovem_22_06_16_selo_meulugarnomundo-01Converti-me no final de 1974, através do grupo da Aliança Bíblica Universitária (ABU) em Fortaleza. Na ocasião, o encontro não era para um estudo bíblico, estavam discutindo outras questões do grupo. Não sei por que, mas minha cabeça trabalhava para achar soluções para os problemas apresentados. Era como se eles fossem meus. Logo me envolvi totalmente no ministério estudantil.

Paralelamente, um grupo da ABU no qual eu estava inserido começou um trabalho social (Projeto Castelão) nas imediações do estádio Castelão. As coisas andaram juntas por cerca de nove anos até que me mudei para Brasília. No dia de minha chegada ao Distrito Federal já viajei para São Paulo, de ônibus, para minha primeira reunião como diretor financeiro da ABU. Foram 26 anos de diretoria financeira, vice-presidência e presidência. Há quatro anos passei o bastão. Continuo até hoje no presbiterato da Igreja Presbiteriana do Planalto (IPP), que assumi em 1987.

Nunca tive dúvidas quanto ao meu chamado para os ministérios que assumi. Meu raciocínio era simples: se a porta está aberta, se eu estou no jeito para assumir e se não tenho qualquer obstáculo honesto, então é porque a porta é de Deus.

Dou graças a Deus pela minha jornada vocacional até agora. Tudo tem confirmado o meu chamado. Penso que um dos segredos para isso é o fato de que minha esposa Luzia sempre esteve junto, pagando o preço com muito trabalho e paciência.

Quanto ao meu trabalho secular, servi por 38 anos, 35 deles como analista do Banco Central, onde me aposentei. Sentia meu campo profissional como uma oportunidade excelente que Deus estava me dando. Tive à minha disposição locais extraordinários para testemunhar, tanto verbalmente como através do meu trabalho, em todos os setores onde trabalhei. O espaço era aberto pelo bom relacionamento com os colegas e pelo respeito que eles tinham pelo meu trabalho e ética profissional.

Por mais espantoso que possa parecer, não me lembro de ter tido escolhas realmente difíceis. Dúvidas surgiram, mas não que colocassem em risco minha decisão final. As muitas dificuldades surgidas eram as normais desse tipo de caminhada.

O resultado do meu chamado até agora é ver que nenhum sofrimento foi em vão. Mesmo longe de terem sido perfeitos, sinto que Deus tem abençoado cada passo. Ao ver jovens, entre eles meus filhos, com uma boa formação bíblica e consciência de cidadania cristã, fico muito feliz pela caminhada. Há pastores formados dentro dessa visão de cristianismo integral. Não foi por falta de sólido ensinamento bíblico que alguns se desviaram da fé. Valeu tudo a pena. Ebenezer: até aqui nos ajudou o Senhor.

JoséJosé Miranda Filho, 60 anos. Casado, pai de quatro filhos, avô de cinco netos. Presbítero da IPP e funcionário público aposentado.

O Meu Lugar no Mundo: Qual é o seu papel no corpo de Cristo?

UltJovem_22_06_16_selo_meulugarnomundo-01Este é o ponto da caminhada onde estou: pastoreando e servindo jovens. Atualmente atuo como pastor em tempo integral com foco na juventude, ministério no qual já estou envolvido há 11 anos. Hoje é mais claro pra mim qual é o meu papel no mundo, pois descobri a resposta de outra pergunta semelhante: Qual é o meu papel no corpo de Cristo?

Sou pastor (ou pelo menos estou em processo de formação)! Sou pastor não pelo cargo, ou por estar trabalhando em uma igreja, mas sim porque o Espírito Santo me capacitou com dons que me ajudam especificamente nessa caminhada pastoral. Gosto de pregar, de ensinar a palavra, de aconselhar, de discipular, de produzir material para estudos bíblicos. Todos esses pontos me ajudam na caminhada pastoral.

Ao descobrir o meu papel no corpo de Cristo, consequentemente descubro o meu papel no mundo. Ele tem a ver com o cuidado de gente e com fazer com que as pessoas olhem para Deus e reflitam sobre Ele e a vida. Meu principal campo de atuação são os cristãos, e tenho por objetivo e desafio caminhar com os que estão próximos a mim, sendo instrumento de Deus para a edificação e preparo dessas pessoas, para que possam discernir seu papel no mundo e tenham conhecimento bíblico para servirem ao reino como discípulos bem preparados.

Essa descoberta foi (e tem sido) um processo. Nunca imaginei que seria pastor quando entrei no seminário. Tinha outros planos, mas algumas experiências foram moldando em mim um caráter pastoral. Nessa caminhada, dons e talentos apareceram e foram lapidados. Fui encontrando tarefas pelas quais sou apaixonado, como pregar e discipular. Também fui percebendo que em determinadas áreas em que eu achava ter aptidão, na realidade tinha mesmo era uma falsa sensação de aptidão. Tive que deixar essas atividades para focar no que realmente tenho talento para fazer.

É uma caminhada de “deixar” e “pegar”.  Um processo no qual você vai descobrindo novas aptidões, mas ao mesmo tempo precisa deixar algumas outras habilidades de lado para focar naquilo que realmente irá te auxiliar na jornada.

Nesse processo de descoberta, atualmente me preparo para uma transição ministerial, pois compreendo que, após 11 anos de dedicação a esse público, o ciclo de envolvimento com o ministério para a juventude está para terminar. Aproxima-se o fechamento dessa etapa e apresenta-se então o início de uma nova caminhada, que ainda não sei qual é. Mas o fato de eu ter clareza sobre qual é a minha função no corpo me ajuda a perceber qual é o meu lugar.

 

BlogUlt_15_08_16_calebeCalebe Ribeiro, 29 anos, casado com Myrna Ramos. Mora atualmente na cidade do Rio de Janeiro. Formado em Teologia e em Sociologia.

O Meu Lugar no Mundo: Sua identidade é mais importante do que o que você faz

Há bem pouco tempo me tornei mãe e esse acontecimento gigantesco me fez repensar o significado que atribuo à vocação, chamado, e, consequentemente, ao meu lugar neste mundo. Sempre associei vocação à profissão, de modo que ao me tornar mãe e constatar o quanto meus planos profissionais teriam de ser adiados – quando não esquecidos -, foi essencial repensar a forma como me enxergo enquanto pessoa, discípula, profissional e cidadã.

Em meio à crise advinda dessa reconfiguração de papeis, foi libertador ouvir um sermão do pastor Ricardo Barbosa sobre as irmãs Marta e Maria. Na pregação, ele ressaltou o fato de que nosso chamado primário é para os relacionamentos. Assim sendo, o trabalho ainda é muito importante, porém secundário, e pode ser exercido de maneiras diversas para glorificar a Deus.

É no relacionamento com Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo que encontro meu lugar no mundo. É nele que minha identidade como mãe, esposa, filha, irmã, neta, sobrinha, tia e amiga é moldada.

Meu lugar no mundo, embora dinâmico, é também estático, já que é nos braços do meu Criador que minha alma anseia em ficar. E é somente aninhada em seu colo que posso percorrer milhas e milhas sem me perder e sem perder meu senso de identidade.

 

UltJovem_22_06_16_selo_meulugarnomundo-01IMG_2133Erica Neves, 28 anos, jornalista.

O Meu Lugar no Mundo: Vocação em favor dos que sofrem

UltJovem_22_06_16_selo_meulugarnomundo-01Desde criança trazia no coração o sonho de ser médica, e 38 anos já se passaram desde que ingressei na Faculdade de Medicina da UFMG, aos 17.  Meus pais, sempre muito zelosos com meus estudos, não mediram esforços para que eu alcançasse esse objetivo.

Durante os anos de faculdade, o episódio mais marcante aconteceu no Internato Rural, atividade de integração docente-assistencial no último ano do curso, para a qual os estudantes seguem em duplas e têm esporadicamente a supervisão do preceptor.

Minha dupla e eu fomos para uma cidade a 300 quilômetros da capital. O prefeito nos encaminhou para atendermos em uma localidade muito pobre e de difícil acesso, onde encontramos um posto de saúde montado, mas sem médicos. Conhecemos ali o Sr. João, morador do local com algum conhecimento de enfermagem e que cuidava da saúde daquela comunidade.

Aprendemos muito com ele, no trato, no respeito e no cuidado com as pessoas. Logo que chegamos, Sr. João pediu para que avaliássemos um homem que tinha dor abdominal há muitos dias, já impossibilitado de andar. Ao examiná-lo, apalpamos uma massa abdominal volumosa e imediatamente indicamos a necessidade de cirurgia. Como resolver a situação? Éramos estudantes recém-chegados na cidade!

Colocamos o paciente no carro da prefeitura e o levamos para o hospital da cidade mais próxima. Felizmente conseguimos que o cirurgião o avaliasse, e após ressecção de 70 centímetros do intestino que já estava necrosado, o paciente pode recuperar sua saúde e retornar para casa.  Essa lição foi inesquecível. Provavelmente aquele homem morreria nos próximos dias sem atendimento médico.

Hoje, quando recebo a notícia de que mais médicos estão chegando aos rincões do nosso país, alegro-me com a possibilidade dos enfermos serem curados e do direito à saúde ser resgatado, o que significa mais tempo de vida e mais oportunidade de conhecer a Jesus e reconciliar-se com Deus através dos sinais do Reino.

Durante a vida profissional, foram várias as situações difíceis, entretanto a mais dolorosa foi atender uma criança indígena vítima de violência física grave, evoluindo para morte após alguns meses. A violência foi em virtude de sua condição de gemelar mais fraco e do alcoolismo dos pais. Essa situação demandou um posicionamento judicial para proteção da criança devido ao descaso do serviço social do hospital.

Um dos resultados do processo foi uma ação cautelar proposta pelo Ministério Público Federal, procurando impor à União, à FUNAI e à FUNASA, a adoção de “políticas hábeis a acompanhar a gestante indígena (tribo não será identificada), nos casos em que se identifique a gestação de gêmeos, até o nascimento, providenciando junto ao Conselho Tutelar a adequada proteção a estas crianças, colocando-as a salvo das consequências culturais indígenas”.

Hoje, depois de 33 anos de formada, peço à minha filha – atualmente em Residência Médica – que não se deixe corromper, que siga a vocação que o Senhor tem colocado em seu coração, que dedique sua vida em favor dos que sofrem, com responsabilidade, zelo, atenção, misericórdia e amor.

 

SorayaSoraya Cassia Ferreira Dias, 56 anos, Médica Pediatra e Homeopata. Atualmente trabalha no SUS-BH (Regulação Assistencial) e em consultório particular. Membro do GC da RENAS, do Conselho dos Médicos de Cristo, do Conselho da Aliança Cristã Evangélica, do Conselho de referência da Rede Fale e do Conselho da International Christian Medical and Dental Association (ICMDA).