Últimas de cá

Socorrendo um mundo quebrado

selo_acoes_ministeriais

Por Ariane Gomes

O mundo clama por socorro físico, mas no fundo é o anseio desesperado por algo que dê esperança e motivo para enfrentar o futuro, algo verdadeiro ao qual possa se apegar

am_entrevista_img-20150510-wa0005A Associação Missão Esperança e a Rede SOS Global atuam há mais de dez anos com equipes de socorro emergencial em catástrofes, apoiando parceiros que moram em países da Ásia e desenvolvendo trabalhos em diversas áreas e na formação de obreiros locais para a prática da missão. A Rede SOS Global já enviou equipes para socorrer vítimas do ciclone em Mianmar, do terremoto no Haiti, do tsunami no Japão, do tufão nas Filipinas , das chuvas no sertão brasileiro, das enchentes em Santa Catarina e das chuvas e deslizamentos na região serrana do Rio de Janeiro.

Em recente viagem à Ásia, Margaretha Adiwardana, líder da AME e Rede SOS Global, constatou que ainda há muita coisa por fazer. Ela contou a Ultimato algumas de suas percepções diante de um mundo marcado por feridas espirituais, emocionais e físicas.

Como líder da AME/Rede SOS Global, você faz muitas viagens em visita a parceiros, reconhecimento de campos, apoio e incentivo aos que estão na linha de frente. Do que você encontrou na viagem mais recente, o que é um grande desafio, uma situação que precisa de socorro emergencial?

am_entrevista_img_6093Na última década, há uma nova estratégia agressiva, sistemática, bem pensada, preparada e financiada, que visa o proselitismo onde o cristianismo é minoria. Isso acontece em regiões tradicionalmente cristãs mas que atualmente vivem sem conhecer a fundo a Palavra. Essa nova estratégia atinge principalmente os jovens, incentivando-os a se afastarem da igreja, a deixarem a fé e a abraçarem a fé da maioria. Eles são seduzidos pela oferta de bens materiais e bem-estar nas regiões muito carentes e por tentações físicas pecaminosas. Nos lugares por onde tenho passado, centenas de milhares já abandonaram a fé cristã devido a essa estratégia agressiva. Há pré-adolescentes, com 11 ou 12 anos, grávidas, que têm que se casar abandonando a escola e a fé. Oferece-se comida a crianças com fome. Jovens se embrenham em prostituição, álcool e drogas que, inicialmente, são oferecidos de graça. A igreja em várias dessas regiões perde as crianças e os jovens, a sua geração futura. O testemunho cristão se torna ineficaz e até causa vexame. Mais >

O Meu Lugar no Mundo: “Se era a vontade de Deus, não podia dizer não!”

UltJovem_22_06_16_selo_meulugarnomundo-01Fui criada no evangelho, mas tive uma crise de fé na adolescência. Tive minha experiência transformadora com Deus em um Curso de Férias da Aliança Bíblica Universitária (ABU).  Depois disso, recebi o convite para trabalhar na Embaixada da Holanda em Brasília e levei o assunto para a ABU Curitiba. Então alguém me perguntou: “Será que Deus quer te enviar para Brasília? Há estudantes interessados, mas sem experiência”. Entendi que se era a vontade de Deus, não podia dizer não! Transferi meu curso para Brasília, trabalhei na Embaixada e lá ajudei o trabalho da ABU.

Participei da organização do Congresso Missionário em 1976 e houve um desafio para ir à África. Achei que não era para mim, alguém que se parecia com os sul africanos que apoiavam grupos rebeldes do apartheid. Mas em uma mensagem sobre o chamado de Moisés e como Deus o levou a superar suas dúvidas, entendi que deveria aceitar o desafio.

Angola era um país em guerra, com governo marxista, que tolerava a igreja entre “ignorantes”, mas rejeitava o testemunho na Universidade. Não foi fácil viver em contexto de guerra, com muitas carências e perigos, e realizar o trabalho entre os estudantes. Dei aulas em seminários e institutos bíblicos e comecei a capelania hospitalar entre vítimas da guerra.

Depois de 10 anos voltei ao Brasil e trabalhei na formação de missionários no Centro Evangélico de Missões (CEM) em Viçosa por 17 anos. Foi a direção de Deus e me trouxe alegria.

Nessa jornada, houve escolhas difíceis. Sair do Paraná para Brasília, onde não conhecia ninguém e me sentia só foi uma delas, mas servi com alegria, cresci e fiz boas amizades. Viver num contexto de guerra foi duro, mas trouxe satisfação e alegria. Voltar ao Brasil e deixar meus queridos angolanos no sofrimento foi uma dor que demorou a ser superada, mas entendi que era a vontade de Deus e recebi paz.

tonicaTonica (Antonia Leonora van der Meer), 69 anos. Fez curso de Letras e também de Missões no All Nations Christian College na Inglaterra, mestrado em Teologia na Faculdade Teológica Batista de São Paulo e doutorado em Missiologia no Asia Graduate School of Theology nas Filipinas. É aposentada, e dá aulas em Cursos de Missões, orientando mestrandos. É uma das líderes do CIM (Cuidado Integral do Missionário), e participa de projetos escritos.

O Meu Lugar no Mundo: Entre pelas portas que Deus abre para você

UltJovem_22_06_16_selo_meulugarnomundo-01Deus foi bom ao me mostrar aos poucos, no decorrer da minha vida cristã e acadêmica, aonde exatamente Ele queria que eu estivesse. Na primeira vez em que questionei sobre minha vocação, fui confortado pelo testemunho de um missionário experiente: “Eu apenas me dispus para ser usado por Deus”. A oração que minha mãe fez em sua mocidade também me inspirou e me ajudou a achar meu lugar no mundo: “Senhor, me usa onde, como e com quem tu quiseres”. A disposição para servir também foi o segredo de grandes profetas como Isaías e Jeremias.

Apesar de ser missionário efetivo há apenas cinco anos, já estou envolvido há uma década no trabalho para o qual o Senhor me chamou a servi-Lo: o ministério de Etnoartes. O objetivo deste ministério é levar os povos a adorarem ao Senhor com suas próprias expressões artísticas. Como eu soube que esta era a minha vocação? Através das portas que Deus abriu para mim, para fazer um mestrado em etnomusicologia, lecionar em eventos nacionais e internacionais, e participar de redes internacionais de etnoartes. Só me restava entrar por essas portas, porque eu tinha certeza que só Ele poderia dar oportunidades tão extraordinárias quanto essas.

O ministério de Etnoartes ainda é relativamente novo no Brasil. Já ouvi muitas críticas de missionários veteranos dizendo que esse tipo de trabalho não dará certo. Ninguém disse que o caminho seria fácil. Espera-se que um trabalho pioneiro enfrente dificuldades como essas. Porém, mesmo com as limitações de um trabalho recém-conhecido, o Senhor continua abrindo as portas para que ele seja realizado. Entrar em portas abertas extraordinariamente foi o que levou William Carey a servir ao Senhor na Índia e o Irmão André a propagar o evangelho em países comunistas.

A combinação desses dois elementos: disposição para servir e aproveitar as portas abertas, sem dúvida, vai te levar a encontrar seu lugar no mundo.

 

heberHéber Negrão, 33 anos. Missionário há cinco anos com um povo indígena no norte do Brasil.