Últimas de cá

Uma amizade por uma causa

Elben César e René Padilla se conheceram em Quito, Equador, durante o Congresso Latino-americano de Evangelização (Clade III), em 1992. De lá, Elben convidou Padilla para escrever regularmente para a revista Ultimato. Hoje, é difícil encontrar tempo para escrever, confessa Padilla, mas ele se alegra muito em poder contribuir com seus textos para Ultimato, uma vez que ela carrega muitas das mesmas preocupações e interesses que estão no coração do ministério de teólogo equatoriano.

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Socorrendo um mundo quebrado

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Por Ariane Gomes

O mundo clama por socorro físico, mas no fundo é o anseio desesperado por algo que dê esperança e motivo para enfrentar o futuro, algo verdadeiro ao qual possa se apegar

am_entrevista_img-20150510-wa0005A Associação Missão Esperança e a Rede SOS Global atuam há mais de dez anos com equipes de socorro emergencial em catástrofes, apoiando parceiros que moram em países da Ásia e desenvolvendo trabalhos em diversas áreas e na formação de obreiros locais para a prática da missão. A Rede SOS Global já enviou equipes para socorrer vítimas do ciclone em Mianmar, do terremoto no Haiti, do tsunami no Japão, do tufão nas Filipinas , das chuvas no sertão brasileiro, das enchentes em Santa Catarina e das chuvas e deslizamentos na região serrana do Rio de Janeiro.

Em recente viagem à Ásia, Margaretha Adiwardana, líder da AME e Rede SOS Global, constatou que ainda há muita coisa por fazer. Ela contou a Ultimato algumas de suas percepções diante de um mundo marcado por feridas espirituais, emocionais e físicas.

Como líder da AME/Rede SOS Global, você faz muitas viagens em visita a parceiros, reconhecimento de campos, apoio e incentivo aos que estão na linha de frente. Do que você encontrou na viagem mais recente, o que é um grande desafio, uma situação que precisa de socorro emergencial?

am_entrevista_img_6093Na última década, há uma nova estratégia agressiva, sistemática, bem pensada, preparada e financiada, que visa o proselitismo onde o cristianismo é minoria. Isso acontece em regiões tradicionalmente cristãs mas que atualmente vivem sem conhecer a fundo a Palavra. Essa nova estratégia atinge principalmente os jovens, incentivando-os a se afastarem da igreja, a deixarem a fé e a abraçarem a fé da maioria. Eles são seduzidos pela oferta de bens materiais e bem-estar nas regiões muito carentes e por tentações físicas pecaminosas. Nos lugares por onde tenho passado, centenas de milhares já abandonaram a fé cristã devido a essa estratégia agressiva. Há pré-adolescentes, com 11 ou 12 anos, grávidas, que têm que se casar abandonando a escola e a fé. Oferece-se comida a crianças com fome. Jovens se embrenham em prostituição, álcool e drogas que, inicialmente, são oferecidos de graça. A igreja em várias dessas regiões perde as crianças e os jovens, a sua geração futura. O testemunho cristão se torna ineficaz e até causa vexame. Mais >

O Meu Lugar no Mundo: “Se era a vontade de Deus, não podia dizer não!”

UltJovem_22_06_16_selo_meulugarnomundo-01Fui criada no evangelho, mas tive uma crise de fé na adolescência. Tive minha experiência transformadora com Deus em um Curso de Férias da Aliança Bíblica Universitária (ABU).  Depois disso, recebi o convite para trabalhar na Embaixada da Holanda em Brasília e levei o assunto para a ABU Curitiba. Então alguém me perguntou: “Será que Deus quer te enviar para Brasília? Há estudantes interessados, mas sem experiência”. Entendi que se era a vontade de Deus, não podia dizer não! Transferi meu curso para Brasília, trabalhei na Embaixada e lá ajudei o trabalho da ABU.

Participei da organização do Congresso Missionário em 1976 e houve um desafio para ir à África. Achei que não era para mim, alguém que se parecia com os sul africanos que apoiavam grupos rebeldes do apartheid. Mas em uma mensagem sobre o chamado de Moisés e como Deus o levou a superar suas dúvidas, entendi que deveria aceitar o desafio.

Angola era um país em guerra, com governo marxista, que tolerava a igreja entre “ignorantes”, mas rejeitava o testemunho na Universidade. Não foi fácil viver em contexto de guerra, com muitas carências e perigos, e realizar o trabalho entre os estudantes. Dei aulas em seminários e institutos bíblicos e comecei a capelania hospitalar entre vítimas da guerra.

Depois de 10 anos voltei ao Brasil e trabalhei na formação de missionários no Centro Evangélico de Missões (CEM) em Viçosa por 17 anos. Foi a direção de Deus e me trouxe alegria.

Nessa jornada, houve escolhas difíceis. Sair do Paraná para Brasília, onde não conhecia ninguém e me sentia só foi uma delas, mas servi com alegria, cresci e fiz boas amizades. Viver num contexto de guerra foi duro, mas trouxe satisfação e alegria. Voltar ao Brasil e deixar meus queridos angolanos no sofrimento foi uma dor que demorou a ser superada, mas entendi que era a vontade de Deus e recebi paz.

tonicaTonica (Antonia Leonora van der Meer), 69 anos. Fez curso de Letras e também de Missões no All Nations Christian College na Inglaterra, mestrado em Teologia na Faculdade Teológica Batista de São Paulo e doutorado em Missiologia no Asia Graduate School of Theology nas Filipinas. É aposentada, e dá aulas em Cursos de Missões, orientando mestrandos. É uma das líderes do CIM (Cuidado Integral do Missionário), e participa de projetos escritos.