Não consigo me lembrar na infância quando foi a primeira vez que me deparei com a figura de um super-herói. De lá até aqui já se fazem uns vinte anos e o sentimento que apaixona e que me corre todo o corpo em emoção e em vontade de fazer o bem ao outro ainda é o mesmo. O modo como as pessoas olhavam para todos aqueles símbolos do bem e da justiça, nas histórias, filmes e quadrinhos, é revigorante e gratificante; saber que você trouxe o bem e um sorriso ao rosto de outro é ser herói de fato, ser um arauto da paz. Mas ao contrário das capas e brasões no peito, não tão convencionais aos nossos dias, eu uso um nariz vermelho e uma bíblia, na minha busca por afagar as dores deste mundo e salvar pessoas.

Durante a minha vida, sempre estive envolvido em todo tipo de ação voluntária e em confusões também, devido à minha chatice. Ao mesmo tempo em que eu me interessava pelas pessoas, por conhecê-las e saber suas necessidades, eu me tornava incômodo e insuportável, muitas vezes porque as pessoas não gostavam do que o Pedro tinha a dizer – e às vezes ele tinha o que era preciso falar. Porém, não era a melhor ideia que fosse ele a fazer isto, afinal as pessoas nem sempre queriam o ”pacote completo”, porque o Pedro em si era (e talvez ainda seja) chato. Daí surgiu a ideia de não ser sempre o Pedro a estar presente. Existiam locais em que ele não alcançava, mais um outro alguém sim. Com isso, o palhaço entrou em cena: apresento a vocês o Doquinha.

Doquinha da Luz, vivente de outro tempo, do mundo da lua, amante de poemas que ele não escreve, o que não quer dizer que não os faça. Achado perdido nas docas, admirado com o mundo que ficou pra trás, mentalidade do Sancho (e talvez também a) Pança e elegância de Dom Quixote. Doquinha da Luz e da lambança!

Aos meus 16 anos, precisaram, em uma viagem missionária nos confins de Minas Gerais, que alguém com disposição e falta de vergonha na cara (o que não quer dizer coragem propriamente dita) se fantasiasse de palhaço e fosse às ruas. Foi uma experiência horrível! De fato eu tinha a entrega necessária, mas a maquiagem e a fantasia eram assustadoras e sem padrão algum. Anos depois, fiz o primeiro curso para doutor palhaço e aprendi o que era e como era ser um “clown”. Integrei no Expresso Graça, um grupo de doutores palhaços que visita hospitais e instituições de saúde. Este foi só o começo.

Hoje sou evangelista da Igreja Presbiteriana do Brasil em Ipatinga, responsável por uma congregação e formado em vários cursos da palhaçaria – em especial o famoso Clown Throught Mask (Palhaço Através da Máscara) com a canadense Sue Morrison. Não parei: rodo cidades a fora indo onde o Pedro não vai, sendo o super-herói que o evangelista Pedro não pode ser com seu terno e gravata no púlpito. O palhaço Doquinha sai de capa, de jaleco ou até de roupa de banho por onde for; ele é o que as pessoas precisam que ele seja para ganhar a atenção e então, de fato, anunciar o verdadeiro herói da história desse mundo, a verdadeira salvação e redenção e aquele em quem encontramos isto: Jesus Cristo.

Me sinto realizado por ser palhaço, por ser evangelista, por aspirar ao episcopado, mas principalmente por ser chamado por Deus e ter o privilégio de dar às pessoas a notícia da salvação, vestido de forma mais solene e formal ou maluca e colorida, importando somente fazer o nome do Senhor grande e conhecido. Soli Deo Gloria!

 

Pedro Henrique Santos tem 24 anos e é evangelista em Ipatinga. Faz parte do Expresso Graça, uma equipe de “doutores palhaços” voluntários do Vale do Aço, como palhaço Doquinha.

 

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