Versão ampliada do artigo publicado na sessão Arte para todos, da revista Ultimato #376.

Dono de um solo particular, Paulo Torres, há mais de 50 anos é violinista, membro da Orquestra Sinfônica do Paraná como Spalla e Maestro Adjunto desde 1985, o que para ele é motivo de grande honra e responsabilidade.

A trajetória de Paulo Torres com a música tem raízes fortes e começou dentro de sua própria casa, tendo como referenciais seu tio-avô Bento Mossurunga, seu pai maestro e trombonista, a mãe e as três irmãs pianistas.  Com risos, Paulo nos conta que a escolha pelo violino foi pelo fato de suas irmãs já estudarem piano.

Em toda sua carreira, que já soma mais de 5 mil concertos, não só pelo Brasil, mas em todo o mundo, o Spalla, nome dado ao primeiro violino de uma orquestra, também é conhecido por sua vocação que acolhe e leva esperança por meio da música a leitos de hospitais.

Em entrevista para a Ultimato, Paulo comenta como iniciou seu trabalho como voluntário em alguns hospitais. “Há 25 anos quando fui visitar uma tia no Hospital St Claire, depois Erasmo Rotterdam, notei que os pacientes queriam que eu tocasse para eles também. Tocando “ Quão Grande És Tu” para uma jovem a acordei e descobri que ela estava em coma há vários anos. Então decidi ser um instrumento nas mãos de Deus com meu violino”, conta.

As visitas aos hospitais foram iniciadas com sua filha Daniella Silva, depois com Marcos De Lazzari (teclado) e logo com Ricardo Amaral (violão), todos unidos por uma causa: fazer com que essa combinação harmoniosa e expressiva fosse capaz de trazer alegria e esperança.

A música como suporte da medicina

Algumas pesquisas já têm ganhado vida nesse sentido, pois, os efeitos dos sons em nosso cérebro podem ser muito positivos e por isso o tema vem sendo estudado e a música tem ganhado cada vez mais espaço dentro dos hospitais em todo o mundo.

No aúdiobook Healing at the speed of sound (A cura com a velocidade do som) os pesquisadores Alex Doman e Don Campbell comentam que tudo que ouvimos tem influência em nossas vidas de maneira positiva ou não. Eles compartilham que muitas são as evidências de que a música, o silêncio e o ruído podem influenciar diretamente em todo o corpo humano e em nosso sistema imunológico. Doman e Campbell também compartilham que é possível usar a música em caráter medicinal e em todas as atividades do dia a dia, sempre com a perspectiva de que é possível combinar alegria com a força da ciência.

Bach, Hendel, Haydn e Mozart estão sempre no repertório de Paulo Torres, assim como músicas cristãs. “Vejo se o paciente está depressivo, estressado, deprimido ou alegre e então toco aquela que trará maior benefício”. Atualmente o violinista trabalha como Ministro da Música no Florida Hospital Memorial Medical Center e no Florida Hospital Flagler, cerca de oito horas por dia, onde tem o privilégio de por meio de seus solos ser ponte de esperança.

Como cristão, perguntamos a Paulo se a sua fé e a música, juntas, são agentes de transformação na vida desses pacientes e ele nos disse que absolutamente, pois, a verdadeira felicidade consiste em doar-se ao próximo. “Usada corretamente, a música talvez não encontre paralelo em seu poder de instilar no ser humano a beleza da verdadeira moral e dos princípios mais elevados que devem reger as nossas vidas”, explica.

Histórias como a do violinista Paulo Torres nos encorajam e Fabiana Weffort Caprilhone, uma das médicas que pôde conferir de perto o quão importante foram os solos tocados em um dos leitos do Hospital Pilar, por onde Paulo já passou comenta, “Pacientes que não interagiam com a gente voltam a interagir, a querer comer. Até mesmo pacientes em coma. E essa avaliação é feita com base nos monitores, onde é possível perceber melhora destes dados vitais em pacientes”.

• Tacila P. Souza é jornalista e especialista em Comunicação Organizacional, missionária em tempo integral na MAIS (Missão em Apoio à Igreja Sofredora), voluntária no escritório nacional da organização, em Colombo (PR), como coordenadora de comunicação.

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