Por Délnia Bastos

Já viu esta planta?

 

O nome dela é tumbleweed (pronuncia-se “tambuídi”) ou amaranto-do-deserto[1], e vem de “tumble”, que é cair; e “weed”, erva daninha. Elas são aqueles emaranhados que aparecem sempre rolando ao vento em filmes de velho oeste… Na verdade, são um pedaço inteiro de uma planta do gênero Kali (família das Amaranthaceae) que se desprendem da raiz para dispersar suas sementes!

Independentemente disso, o amaranto-do-deserto não deixa de ser surpreendente na vida real. A planta se fixa ao chão, originalmente como uma erva. Mas, quando atinge a maturidade, a união do caule e da raiz é quebrada, deixando-a à mercê do vento[2].

Em seguida, a planta se torna uma bola que vai rodando ao sabor do vento, carregando suas sementes (que podem chegar a um milhão) para qualquer lugar. No final, pode-se dizer que é uma planta viajante (ou planta de diáspora). Tem a característica de crescer muito rapidamente e a capacidade de germinar nos terrenos mais duros.

Nos Estados Unidos, no sul de Nevada, foram realizados testes nucleares ao nível do solo, e o amaranto-do-deserto foi o primeiro a crescer na terra onde os testes foram feitos. Devido a isso, em alguns lugares a planta é considerada uma praga e lutam contra ela. Por outro lado, ela também pode ajudar a repovoar uma terra seca, porque cresce facilmente em solos pobres e secos, melhorando as condições para outras plantas.

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Jesus era extremamente terráqueo, pé no chão. Ele prestava atenção a detalhes da vida ao seu redor para ensinar. A natureza era uma professora para Ele! Jesus tomava muitos elementos da natureza para instruir por comparação, por metáforas, por parábolas (Mc 4.33). Ele repetia: “observem”, “observem”, “observem”…

Você lembra de alguns ensinos de Jesus tirados da botânica? Temos a parábola do joio, do semeador, da vinha, o “observem os lírios do campo”, o episódio com a figueira sem frutos, a metáfora da videira e dos ramos em João 15, e por aí vai. Se no tempo de Jesus houvesse filmes de velho oeste, com certeza ele teria elaborado uma parábola sobre essa planta intrigante!

Vamos ler dois de seus ensinos baseados na botânica com o amaranto-do-deserto em mente…

Jesus lhes propôs outra parábola, dizendo:

— O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem pegou e plantou no seu campo. Esse grão é, na verdade, a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, é maior do que as hortaliças, e chega a ser uma árvore, de modo que as aves do céu vêm se aninhar nos seus ramos. (Mateus 13:31-32)

 

Em verdade, em verdade lhes digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. (João 12:24)

 

Voltando ao amaranto-do-deserto, quais são as suas características?

– germina em solo empobrecido

– tem uma estratégia criativa de reprodução

– viaja por todos os cantos do mundo

– ajuda a repovoar a terra seca

– morre para dar vida

– é guiada pelo vento

– também serve de abrigo para animais

 

Será que podemos relacionar o amaranto-do-deserto com a Editora Ultimato?

  1. Ter desprendimento, ser disponível (o amaranto-do-deserto é uma planta que se desprende facilmente da raiz para dar vida ao mundo);
  2. Semear a Palavra (até um milhão de sementes juntas, unidas, para formar um amaranto-do-deserto, que semeia em todos os tipos de solo);
  3. Inovar na evangelização e edificação, sob a direção do Espírito Santo (o amaranto-do-deserto possui um método de disseminação diferenciado e criativo: não depende de pássaros e insetos, mas de se desprender e rolar ao sabor do vento);
  4. Ser coadjuvantes de Deus, alcançando corações enfraquecidos (Deus é o estrategista da natureza, criador e sustentador; o amaranto-do-deserto contribui com a missão de Deus de cultivar a terra empobrecida, nutrindo solos que estão necessitados);
  5. Ter consciência da oposição (o amaranto-do-deserto tem todas as qualidades que vimos, como repovoar a terra, servir de abrigo para pequenos animais etc.; mas, para alguns, é uma erva-daninha, rejeitada, pois dá aos montes e suja a paisagem, a estrada, o quintal e até a casa. Nós também somos bênção para uns e incômodo para outros. O evangelho sempre será bênção, mas também “escândalo”; “pedra angular” e “pedra de tropeço”);
  6. Aceitar o que somos (se sou um amaranto-do-deserto, não sou uma rosa ou margarida ou tulipa; podemos ter uma aparência discreta, um jeito simples de ser, mas aceitamos o modo como Deus nos criou, sem querer ser outra planta).

 

Que Deus nos ajude a ser como esta incrível erva daninha, que se desprende, que morre para gerar vida, que incomoda a uns e traz bênção a outros por onde quer que o vento do Espírito a levar!

PS: Aqui vai um desenho rapidinho, feito pelo James Andrew, que passou uns dias aqui connosco:

 

Devocional compartilhada com a Equipe Ultimato em 28 de agosto de 2018

[1] Vale a pena assistir a um divertido vídeo neste link

[2] Veja aqui

 

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