Por Cristina Oliveira*

Quatro anos depois de meu encontro com o Senhor Jesus, em 1985, fiz um curso bíblico básico no Centro de Treinamento Vinde (CTV). O curso foi excelente e a história das missões cristãs exposta nele me impactou. A história de Hudson Taylor, missionário do século 19 para o Interior da China, me tocou de maneira especial. Ele e outros faziam parte das chamadas “Missões de Fé”. Histórias como essa me despertaram para servir ao Senhor onde “a seara é grande e poucos os trabalhadores” (Mt 9.37-38) e investir minha vida entre os não-alcançados pelo evangelho.

Apesar da minha alegria havia dificuldades a serem vencidas e imediatamente apresentei-as ao Senhor. A primeira era deixar minha família, principalmente minha mãe. Nunca havia vivido fora de casa, e minha mãe sempre foi muito apegada às filhas. Temia que fosse difícil para ela suportar essa ideia. A segunda dificuldade era o salário de aposentado de meu pai que na época não era suficiente para sustentar a família. Naquele tempo eu era a única de minha família com um bom emprego, pois era engenheira, e duas de minhas irmãs ainda estavam sem trabalho.

Venho de uma família muito simples e estudamos com muito sacrifício. Meus pais investiram muito em mim para que um dia pudéssemos ter uma vida melhor. Sei que se sacrificaram e, como engenheira, era a minha vez de abençoá-los devolvendo-lhes um pouquinho do muito que fizeram por mim e trazendo refrigério para a família. Orei então ao Senhor e pedi a ele que preparasse minha mãe, que aumentasse o salário de meu pai, e que providenciasse emprego para minhas duas irmãs. Assim, minha família não dependeria de mim financeiramente. Deus respondeu a todos os meus pedidos me liberando para servi-lo.

Em 1988, comecei a fazer parte de uma reunião de missões, e por seis anos, orávamos por missionários, nos correspondíamos com eles e contribuíamos financeiramente. Assim, meu chamado amadureceu, e em 1991 o Senhor me dirigiu a fazer o curso de Missiologia no Centro Evangélico de Missões (CEM). Nessa oportunidade de estudo, meu chamado se definiu, e o Senhor me falou da necessidade de levar o evangelho aos muçulmanos. Desde esse tempo o versículo que carrego no coração é o de Romanos 15.20-21: “Esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio; antes, como está escrito: Hão de vê-lo aqueles que não tiveram notícia dele, e compreendê-lo os que nada tinham ouvido a seu respeito”.

Em 1993 tive a oportunidade de visitar um país muçulmano no Norte da África e alguns missionários brasileiros que serviam lá e convidei minha mãe para ir comigo – esperava em Deus que ela viesse a se agradar do país e do povo e, caso o Senhor me confirmasse esse país como meu campo de trabalho, ela já o teria conhecido e se sentiria menos apreensiva. De fato, ela gostou muito de tudo.

Quanto a mim, quando o avião estava para aterrissar, vi através da janelinha uma mesquita imensa e um imenso minarete. Era tão grande que mesmo lá de cima me assombrou. Senti como se aquele minarete fosse um dedo que apontava para os céus, desafiando a Deus. Naquela mesma hora, mesmo antes de aterrissarmos, dediquei minha vida a Deus para servi-lo naquele país, pois pensava: “O Senhor não recebe muitos louvores nesse país. Quero então me juntar aos poucos que aqui estão para o louvarmos juntos”.

Voltamos ao Brasil, terminei meu curso de Missiologia e me filiei a uma agência missionária. Trabalhei como engenheira até agosto de 1994, num total de 15 anos. Não foi fácil deixar meu trabalho por causa da situação econômica instável do país. Senti-me apreensiva com o fato de viver de ofertas, pois sempre tinha trabalhado para suprir as minhas próprias necessidades. Foi então que durante um congresso de louvor em minha igreja Deus falou comigo através da experiência do preletor. Numa situação similar à minha, Deus havia falado a ele: “Você acha que eu pagaria pior do que Faraó?”. Essa palavra fez eco em meu coração e decidiu toda a questão. Naquele momento Deus me assegurou de que seria ele mesmo quem proveria para mim.

Em 1995, fui para a Bolívia para um treinamento prático transcultural. Em 1996 fui à Inglaterra para aprimorar o inglês e, em janeiro de 1997, com 39 anos de idade, cheguei ao Norte da África. Lá encontrei aquele que seria meu futuro esposo. Servimos neste campo até 2010 e, em 2011, abraçamos o desafio de servir ao Senhor no Oriente Médio, local onde estamos até hoje.

Muitas águas já rolaram nesses 24 anos de serviço em um campo transcultural, mas uma coisa posso afirmar: nunca faltou coisa alguma, nem a mim e nem a minha família. Pelo contrário, a cada dia experimentamos da abundância do Senhor. Verdadeiramente o seu nome é Fiel (Ap 19.11).

*Cristina Oliveira é o nome fictício de uma missionária com experiência em países muçulmanos. Seu nome e cidade de atuação não podem ser divulgados por questões de segurança.

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