Por Eric Nishimura Princi
Tudo ao mesmo tempo

O ano era 2007, o mês, dezembro. Eu estava me formando em Ciência da Computação na USP e havia decidido encarar o desafio de abrir minha empresa, com apoio da minha família, que já possuía um negócio na área de tecnologia. Além disso, estava prestes a me casar, e quem já passou por isso, sabe que é uma fase “inten$a”.

Nessa época, eu já era muito ativo na igreja local: fazia parte da liderança dos jovens, cuidava da banda da juventude, coordenava uma célula e ajudava no dia-a-dia da igreja.

Aconteceu que em 2008, nosso pastor de juventude partiu para uma nova missão e ficamos sem líder. Preocupado com aquela situação, me juntei com outros amigos e desenvolvemos um projeto para podermos reverter aquele quadro. Resultado: fui chamado para assumir a liderança dos jovens.

Pois é, lá estava eu, com 23 anos, vendo tudo acontecer ao mesmo tempo: empreendendo, assumindo um ministério e casando!

“A grama do vizinho sempre é mais verde”

Equilibrar essas três responsabilidades não foi tarefa fácil. O ritmo sempre foi forte. Trabalhando muitas horas, cheio de atividades à noite e aos fins de semana na igreja. Sem contar os cursos, seminários e congressos que participava para me aprimorar. Enfim, pouco tempo livre, mas muita vontade e dedicação.

Apesar disso, com o tempo comecei a questionar meus resultados e vivi algumas crises. Lembro que olhava para outros amigos empresários e via que seus negócios estavam muito a frente do meu. Comparava meu trabalho com os de outros líderes de jovens e via ministérios numerosos, e nós sempre com dificuldades. Em contrapartida, graças a Deus, no projeto da família fui muito abençoado. Casei-me com uma mulher cheia de talentos, muito dedicada ao trabalho e uma grande parceira no ministério. Aleluia!

A ressignificação 

Contudo, em meio a tudo isso, Deus sempre revelou sua graça, Jesus ressignificou meu olhar sobre os resultados, e o Espírito Santo foi me mostrando o quanto ele estava me forjando e me preparando para ser quem Ele quer que eu seja.

Minha liderança foi desenvolvida. Aprendi coordenando pessoas e equipes em projetos profissionais, lidando com conflitos e motivações de funcionários.

Na igreja, entendi que mais que um organizador de cultos e eventos, o mais importante é andar junto, é discipular. Demorei, mas aprendi que pastorear é “vida na vida”. É um trabalho silencioso, mas que produz frutos que permanecem.

Vi o quanto me desenvolvi como comunicador. Lembro que há uns anos atrás, eu contei mais de 150 esboços de pregações que havia elaborado e ministrado. Tenho certeza que se não tivesse à frente, com a responsabilidade de levar uma mensagem, não teria tantos momentos incríveis com Deus. É provável que minha empresa estivesse mais rentável, ou que eu tivesse mais momentos de lazer, mas não se compara ao valor do crescimento do meu relacionamento com o Pai. Mais do que isso, o desafio de viver o que prego, mudou minha vida por inteiro.

Quanto a minha empresa, além de ser meu sustento, é uma grande escola, onde aprendo uma série de conceitos e tecnologias que podem ser aplicadas na obra. Mas o mais importante é que consigo alcançar pessoas e ambientes que, como pastor, jamais conseguiria.

Para dar mais emoção, nos últimos três anos nossa família dobrou de tamanho. Somos pais de um lindo casal. Dá pra imaginar como é conciliar profissão, ministério e ainda cuidar de dois bebês? Só quem tem filhos sabe o trabalho que é arrumar todo mundo e chegar à igreja no horário, sem contar a logística para os ensaios, reuniões e dia de pregar. Só a graça!

O valor está na jornada

Ao escrever esse texto, meu coração se enche de gratidão, pois foi um processo de Deus na formação da minha vocação e missão. Entendo hoje que minha vocação é pessoas, e que minha missão de vida é fazer a diferença na vida de todas através de Cristo. Faço isso como empresário, como pastor, como pai e como amigo.

Há uma frase que diz que o caminho se faz caminhando. Vejo que nunca parei de andar, nem deixei nenhuma área de lado. Elas podem ter caminhado mais lentamente, mas não deixaram de progredir. A verdade é que o valor está na jornada.

• Eric Nishimura Princi, filho, marido e pai babão. Japa, nerd, empreendedor, palestrante e coach. Diretor da PrinciWeb e Pastor de Jovens da IBACamp.

Fotos: arquivo pessoal

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