Livro da Semana  |  Práticas Devocionais

 

A “Prática da Confiança” é a arte de colocar em Deus toda a capacidade de crer, em qualquer lugar, em qualquer tempo e em qualquer situação, mediante a negação da incredulidade própria e a afirmação da onipotência divina.

 

FÉ E CONFIANÇA NEM SEMPRE são sinônimos perfeitos. Em certas passagens das Escrituras e em certas experiências pessoais, fé pode significar a bagagem doutrinária conhecida e aceita, e confiança pode significar o elo de ligação contínua entre o crente e o seu Senhor.

A fé focaliza mais a descoberta da salvação eterna de Deus e a confiança focaliza mais a descoberta da provisão diária de Deus. A fé está mais perto da teoria e a confiança está mais perto da conduta.

A fé seria a porta de entrada e a confiança seria o caminho a percorrer. Não se pode ir muito além dessas singelas considerações porque uma e outra estão tão interligadas que formam, na verdade, uma só peça, um só bloco.

A prática da confiança amarra o crente a Deus e não aos problemas que tolhem a alegria de viver. A plena confiança ocupa todo o espaço vazio entre Deus e aquele que foi alcançado pela graça, reduz drasticamente a taxa de ansiedade e traz benefícios incalculáveis para a saúde emocional e até para o bom desempenho do corpo humano.

 

O pai da fé

A confiança total não surge de uma hora para outra. Ela é gradativa, vai engordando aos poucos, vai se apoderando da pessoa lentamente. Essa é a experiência de Abraão, aquele que os judeus chamam de “nosso pai” e os cristãos de “o pai de todos que creem” (Rm 4.11). Pode-se dizer que Abraão fez graduação em fé, mestrado em fé, doutorado em fé e pós-doctor em fé.

Tudo começou quando ele saiu de sua terra e de sua parentela para uma terra que Deus lhes mostraria mais na frente. (Hb 11.8). O Senhor não lhe deu um mapa da região a ser percorrida nem qualquer informação adicional, senão a ordem: “sai da tua terra” (Gn 12.1). Depois de marchas e contramarchas, Abraão acreditou na promessa de que seria pai de uma grande nação, tão numerosa como as estrelas do céu, como o pó da terra ou como os grãos de areia da praia, mesmo tendo uma esposa estéril e avançada em anos, mesmo levando em conta seu corpo já marcado pela morte (Rm 4.18-21; Hb 11.11-12).

Por fim, depois de nascido e crescido o filho da promessa, quando posto à prova, Abraão ofereceu Isaque na certeza de que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, caso o sacrifício do menino se consumasse (Hb 11.17-19). Entre o chamado de Abraão e o que aconteceu na terra de Moriá, passaram-se talvez uns quarenta anos. Nesse período, a confiança de Abraão cresceu poderosamente, não sem erros (como no caso de Ismael) e alguns procedimentos incorretos (como o uso de expedientes escusos para proteger-se contra Faraó e Abimeleque).

A prática da confiança começa a partir da primeira resposta às revelações e promessas de Deus. Ela deve crescer ao ponto de aprender a esperar “contra a esperança”, isto é, a acreditar nas promessas de Deus mesmo quando não há o menor motivo par crer, como no caso de Abraão (Rm 4.18).

 

A teologia dos pobres recursos

O homem tem sido tentado a pôr a sua confiança em pessoas, coisas e novidades, que não suportam o peso dessa entrega, e em promessas que Deus nunca fez. Daí as exortações da Palavra de Deus:

1. É preciso confiar em Deus, e não em si mesmo (recursos pessoais): “Quem confia em seu bom senso é insensato” (Pv 28.26, BJ).

2. É preciso confiar em Deus, e não na carne (recursos cerimoniais): “Bem que eu poderia confiar também na carne […]. Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo” (Fp 3.4-11).

3. É preciso confiar em Deus, e não em homens (recursos iguais aos nossos): “Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor” (Jr 17.5).

4. É preciso confiar em Deus, e não em “príncipes” (recursos políticos): “Não confieis em príncipes, […] em quem não há salvação” (Sl 146.3).

5. É preciso confiar em Deus, e não em palavras falsas (recursos da mentira): “Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam” (Jr 7.8).

6. É preciso confiar em Deus, e não em bens e riquezas (recursos seculares): “Quem confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão como a folhagem” (Pv 11.28).

7. É preciso confiar em Deus, e não em “carros e cavalos” (recursos bélicos): “Ai dos que […] confiam em carros, porque são muitos, e em cavaleiros, porque são mui fortes, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao Senhor” (Is 31.1).

 

A teologia do “ainda que…”

A confiança em Deus é especialmente válida em circunstâncias adversas e em situações difíceis.

1. É preciso confiar em Deus “ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte” (Sl 23.4).

2. É preciso confiar em Deus “ainda que um exército se acampe contra mim” (Sl 27.3).

3. É preciso confiar em Deus “ainda que as águas tumultuem e espumejem, e na sua fúria os montes se estremeçam” (Sl 46.3).

4. É preciso confiar em Deus “ainda que as figueiras não produzam frutas, e as parreiras não deem uvas; ainda que não haja azeitonas para apanhar nem trigo para colher; ainda que não haja mais ovelhas nos campos nem gado nos currais” (Hc 3.17, BLH).

• Trecho retirado do capítulo 13 do livro Práticas Devocionais – Exercícios de sobrevivência e plenitude espiritual, do pastor Elben César (Editora Ultimato).

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