Livro da Semana   |   Dê Outra Chance à Igreja

Como deixar de ver a igreja como uma responsabilidade de fim de semana e exercer a fé fora das quatro paredes?

 

Certa vez, sentado na sala de estar tomando café e refresco com amigos cristãos, a conversa passou para o assunto predileto: criticar a igreja. Quase todas as críticas contra a igreja — “A única coisa que faço é ver a parte de trás da cabeça dos outros”, “A música é desatualizada”, “A pregação é monótona”, “Os pastores são egoístas e manipuladores”, “Os líderes são incompetentes ou hipócritas” — supõem que igreja significa aquilo que acontece no domingo na hora do culto. Pense bem: alguma vez você já ouviu alguma crítica de como a igreja espalhada em toda parte pratica a sua fé, exceto quando há um grande escândalo moral de um cristão famoso? Parece-me que 98% da crítica contra a igreja está ligada ao que acontece em apenas uma hora da semana.

O que aconteceria se pudéssemos deixar de ver a igreja como cumprindo nossa responsabilidade de fim de semana e passássemos a ver os elementos históricos dela como práticas espirituais — como um lançamento para um modo, uma ordem, uma prática ou uma estrutura para a vida espiritual? O dever deste livro é justamente apontar caminhos para esse lançamento.

Jesus sempre vislumbrou e expressou uma versão do cristianismo encarnada na vida real e colocada na prática. Ele estava em pleno jogo, não nas palestras que antecedem os jogos. A noção de que alguém é um cristão apenas porque crê em alguns pontos da doutrina sobre Jesus — em vez de fazer o jogo dele — é algo muito recente. Para Jesus, apenas ouvir e concordar com seus ensinamentos não eram suficientes; tão pouco era suficiente ficar impressionado com seus milagres. Seus ensinamentos e ações são sinais que apontam para a realidade para a qual somos convidados a viver. Você entende isso? Viver, e não apenas “acreditar que é verdadeira” ou “sentir-se acolhido”, como as lembranças de um Natal memorável. […]

Aceitando a igreja pelo que ela é

Não me considero contra a igreja, e esse livro não é uma crítica à igreja. Entendo que a igreja é exatamente o que ela é, para melhor ou para pior. Este livro trata das práticas espirituais da igreja como plataforma de lançamento para a vida. Como a maioria dos empreendimentos humanos, a igreja também tem reuniões e encontros relacionados à sua atividade. Infelizmente, embora a maioria das pessoas não confunda as reuniões com o trabalho (o jogo ou o espetáculo), os frequentadores de igreja geralmente o fazem.

Descobri que o cristianismo não é formado apenas pelas coisas corretas, crenças pontuais e ingredientes certos.1 No decorrer dos anos aprendi que precisava descobrir práticas corretas para que as coisas funcionassem corretamente. Um foguete pode ser construído com todas as peças certas, mas se alguém se atrapalhar nos procedimentos de lançamento, tudo termina em catástrofe. Hoje, muitas pessoas, das mais variadas disciplinas e pontos de vista, estão verbalizando suas dúvidas sobre se a igreja se tornou uma catástrofe dessas.

Em resposta à minha experiência, e levando em consideração os críticos do cristianismo, acredito que encontramos todas as mínimas peças que se encaixam perfeitamente, temos as montado e as defendido de todos os elementos adversos da sociedade, mas nos esquecemos de como lançar o foguete.

Acredito em “ir” à igreja. Eu vou toda semana. Sou um líder de igreja desde os meus 19 anos de idade. Entretanto, também tive um hiato de quinze anos de encontros periódicos aos domingos. (Não se preocupe, eu não “abandonei a prática de me reunir” com o corpo de Cristo; apenas tive experiências com outras formas de igreja). No começo, senti-me muito bem em ser libertado disso.
Porém, na verdade, não foi tão bom assim. Descobri que nos meus grupos “anti-igreja”, reunidos em lares ou cafeterias, assim como em muitos outros que conheci, o foco continuava no encontro: que estilo deve ser empregado, quem será o dirigente, quando e onde o grupo se reunirá e assim por diante. Por isso, ouso dizer que precisamos encontrar uma forma de resgatar as práticas da igreja — não importando o horário, o lugar, o tamanho ou a liderança — para que o resultado natural seja a formação de seguidores de Jesus que sejam embaixadores do reino de Deus.

• Trechos publicado originalmente em Dê Outra Chance à Igreja, de Todd Hunter (Editora Ultimato).

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