O Senhor dos Anéis ou A Guerra dos Tronos?

 Peter Jackson praticamente inaugurou a era das trilogias ao nos presentear com a versão cinematográfica do clássico O Senhor dos Anéis. De tão espetacular, a sequência ganhou nada menos do que dezessete das trinta indicações que recebeu.
Embora tenha estreado como filme apenas em 2000, os livros são publicações da década de 1950 e venderam mais de 160 milhões de cópias. J. R. R. Tolkien, falecido desde 1973, não teve a oportunidade de ver sua terra média em cores.
Mesmo não sendo uma trilogia, a bola da vez parece estar com George Martin e suas Crônicas de Gelo e Fogo, saga que está no quinto volume e se tornou a longa série de televisão produzida pela HBO batizada de A Guerra dos Tronos. Martin, que está vivo e ativo aos 65 anos, está trabalhando em mais dois volumes, enquanto a série está indo para a sétima temporada.
Fato curioso é que os diretores da série, David Benioff e D. B. Weiss, não quiseram esperar os livros para continuar a saga e, com o aval de Martin, optaram por seguir um caminho próprio. Assim os livros e a série acabaram se tornando obras “independentes”.
Não é difícil comparar O Senhor dos Anéis com A Guerra dos Tronos, já que as duas obras possuem enredos complexos, mundos exclusivos, criaturas fantásticas, personagens cativantes e histórias persuasivas. A revista Veja, por exemplo, publicou um artigo apontando “Dez razões pelas quais ‘A Guerra dos Tronos’ é (muito) melhor do que ‘O Senhor dos Anéis’”. Embora cite dez, várias razões se resumem ao fato de o bem e o mal serem claramente definidos para Tolkien, enquanto Martin opta por construir personagens ambíguos e encher suas histórias com plot twists (mudança radical na direção esperada de uma obra).
Diante dessa e de outras tentativas de estabelecer critérios comparativos, a pergunta é: por que temos de optar por uma das duas?
Talvez não seja nem mesmo justo, pois aos “competidores” não foram dadas as mesmas vantagens.
Tolkien é de uma época conservadora. Bebeu em fontes mais antigas e hoje se tornou ele próprio uma referência para diversas sagas fantásticas.
Martin é de uma época onde há plena liberdade para dar à sua obra um tom mais ousado, o que talvez não seria aceitável décadas atrás. Peter Jackson não contava com os mesmos recursos tecnológicos que Benioff e Weiss utilizam para fazer de cada capítulo da série uma megaprodução – inclusive a consultoria do próprio Martin.
Em termos de literatura fantástica não existe pretexto para competição. É possível admirar tanto a originalidade de O Senhor dos Anéis quanto a imprevisibilidade de A Guerra dos Tronos. Não é preciso diminuir uma obra para exaltar a outra.

Por Paula Mazzini Mendes

A cabana

William P. Young
240 páginas
Editora Sextante
2008

A Cabana se tornou um fenômeno editorial por causa do entusiasmo e da indicação dos leitores, que se sentiram profundamente tocados pela história que trata de amor, sofrimento, perdão e fé.

O livro levanta uma série de perguntas e suscita debates sobre o mundo injusto em que vivemos e o papel de Deus em nossa vida.

A Cabana, o filme, estreia em 6/4/2017, dirigido por Stuart Hazeldine.

Por Jorge Camargo

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