Por Yohan Ignas

Fui pra uma escola de missões no Havaí pra surfar, e não ser missionário

Sempre gostei de surfar e meu sonho era conhecer o Havaí. Um sonho muito distante para mim, até que surgiu uma chance quando um amigo conseguiu ir para Surfing The Nations – uma escola de missões no Havaí.

Lembro que enviei a papelada de inscrição para a escola, concordando cumprir todo cronograma, mas deixando claro que não queria ser um missionário, queria apenas surfar. Para minha surpresa fui aceito. Confesso que pensava: “Se Deus sabe que meu intuito não é ser missionário, por que está tudo dando certo?”. Sem resposta naquele momento, parti.

No Havaí, vi o potencial que a Igreja de Jesus pode ter. Foi impactante ver a influencia e respeito que eles tinham nas praias, eventos de surf e marcas mundiais. O impacto do evangelho era bem mais poderoso e extenso do que um momento de culto. Após meses aprendendo, era hora de voltar, restavam duas semanas quando o Senhor falou comigo de forma clara.

O início do movimento Sal

Ao retornar ao Brasil, juntei alguns amigos e começamos a evangelizar surfistas e pessoas que não freqüentariam uma igreja tradicional. Escolhemos a segunda feira como dia do encontro, onde assistíamos filmes de surf, oferecíamos um lanche e depois uma reflexão bíblica. No início tivemos o apoio da Missão Surfistas de Cristo (MSC), que foi crucial para o desenvolvimento do projeto.

A gente reunia em uma escola de inglês, mas em poucos meses tivemos que buscar outro lugar, pois o número de pessoas umentou. Foi aí que surgiu a idéia de ocuparmos o anfiteatro na Beira Mar de Fortaleza. O local era meio abandonado e sujo, sem nenhuma estrutura, mas tínhamos alegria no coração de poder receber novas pessoas a cada semana.

Tendo a convicção do meu chamado e desenvolvendo ministério na prática, após alguns anos, a liderança pastoral da minha igreja me direcionou para um seminário e desafiaram um casal mais velho para me acompanhar como mentores no ministério.

Me deixei ser cuidado. Sozinho eu não teria conseguido

A confiança dos meus pastores e o cuidado foram essenciais para que eu pudesse desenvolver meus dons e habilidades dentro do ministério. Minha jornada vocacional é marcada por pessoas que cuidaram de mim à medida que eu me deixei ser cuidado. Tenho consciência de que não teria conseguido sozinho, principalmente pelas lutas e dificuldades que apareceram no caminho.

Em 2011, enfrentei um período muito conturbado na minha vida. Com a benção da minha liderança, entreguei minhas funções na igreja e precisei pausar. Estava lhe dando com uma serie de acontecimentos que não conseguia processar bem, dentre eles o luto pela partida da minha mãe, as lutas familiares, o término de um noivado e a pressão do meio para que eu desse a volta por cima. Tudo isso me sufocava demais.

Pausei por seis meses. Foi muito difícil deixar tudo para trás. Mas hoje entendo que pausar é importante para frutificar. Pude reencontrar nesses meses minhas convicções e retornar, para continuar minha jornada.

Desde então, tenho servido ao Senhor na Igreja Batista Central, em Fortaleza. Sou casado há dois anos, com  Vanessa, e convicto que a melhor decisão que fiz foi de confiar que os planos de Deus eram melhores que os meus.

• Yohan Ignas mora em Fortaleza e há 13 anos serve ao Senhor na condução do projeto SAL, que reúne mais de 500 pessoas por semana em um anfiteatro na Beira Mar de Fortaleza.

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