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Foto: Aaron Burden/Unsplash

Por Lissânder Dias

“Cristo é o sol, o centro do nosso universo. Os profetas apenas giram em torno de Jesus”.

“Se Deus não for rei sobre toda a nossa vida, ele não é rei”.

“O Cristianismo sem Cristo nunca vai mudar a África. A África precisa ouvir Jesus”.

Estas são algumas das muitas frases de quem falou nas plenárias dos três últimos dias do Encontro de Líderes Jovens de Lausanne (ELJ), ocorrido de 3 a 10 de agosto, em Jacarta, Indonésia. A ênfase não parece ter sido orquestrada pela organização do evento, mas evidenciou uma preocupação importante sobre o que é a essência do Cristianismo em todos os continentes.

Jesus é o sol. Os profetas giram em torno dele

O asiático Richard Ching explicou o diálogo da transfiguração de Jesus (Mt 17.1-13) mostrando que a grandeza de Moisés e dos profetas Elias e João Batista residia na clareza do testemunho deles a respeito de Jesus. “Jesus reina sobre toda galáxia, sobre o Estado Islâmico, sobre todos os governantes do mundo. Ele reina, ele manda, ele é o foco da história. Jesus é o filho amado em quem Deus se compraz, o servo de Isaías que traz a justiça. Jesus é o filho amado em quem Deus se agrada”. No entanto, ele fez justiça não por meio do poder, mas sim pelo sofrimento. “Se você quer ver o amor de Deus, olhe para a cruz. A justiça do Pai é como um oceano revolto. Jesus bebe o cálice da sua própria ira. O amor de Deus pelo seu filho agora está transbordando em nós”.

Ching ainda ressaltou o papel da Trindade na obra de Cristo. “As coisas básicas na vida são experimentadas num relacionamento próximo.  Nenhum relacionamento na história da eternidade é tão próximo quanto o relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito. Alguma coisa acontece na Trindade que ultrapassa nossa compreensão e ele derrama seu amor sobre todos em toda história”.

Esteja pronto!

Para o apologeta Os Guiness a compreensão do senhorio de Cristo é o caminho para lidarmos com uma fé fragmentada na atual geração. “Estamos vivendo transformações de proporções titânicas. A modernidade causou mais dano à igreja do que muitos perseguidores. De singular, ela tornou-se múltipla. O estilo é self service, você escolhe o que quiser. Há uma crise profunda de autoridade. A fé integrada tornou-se fragmentada. É muito fácil ter uma fé que se concentre apenas em sua própria vida, afinal sua vida é muito pequena diante do que está fora dela. Se Deus não for rei sobre toda a nossa vida, ele não é rei. Tenha certeza de que você tem as ferramentas que precisa para lidar com a modernidade. Precisamos do poder do Espírito para a guerra. Vivemos uma batalha de ideias. Esteja pronto para fazer a sua parte nas grandes tarefas da igreja neste século”, desafiou.

Sobre a geracionalidade, Os Guiness criticou a fragmentação do conceito. Para ele, geração não é meramente o fragmento de uma era, como os marqueteiros querem nos convencer. “Na Bíblia não é assim. Nela todos são responsáveis por todos: responsabilidade de transmissão e seguir passando o bastão de uma geração à outra. No mundo moderno, o passado não é importante. A questão do nosso tempo, na verdade, é de fidelidade. A igreja consegue ser reavivada uma terceira vez? O futuro da humanidade depende desta pergunta. Dizemos que Jesus é a resposta, mas estamos vivendo isso de verdade?”, conclui.

Secularismo chinês e kairós africano

Uma líder chinesa e um líder africano trouxeram seus olhares da igreja a partir de suas regiões. A líder chinesa (que prefere não se identificar) ressaltou que o secularismo tem afetado bastante a juventude cristã do país. Segundo ela, milhares de jovens cristãos que vão para o Ocidente voltam de lá e perdem a fé. É fundamental que estes jovens descubram, de fato, o lugar deles no reino. “Minha vida mudou completamente depois que eu encontrei meu capítulo na grande história de Deus”, testemunhou.

Já o líder africano Emmanuel Kwizera ressaltou que a África é o continente que mais cresce economicamente no mundo hoje e que é tempo de oportunidades. “Agora é nossa vez de enviar missionários e não somente recebe-los. Missão é de todos os lugares para todos os lugares. Temos o desafio de alcançar o norte da África. Somos capazes de completar a missão ainda não completada. Vamos nos envolver na Diáspora africana”, declarou ele. No entanto, junto com este encorajamento, o líder africano não deixou de questionar que tipo de mensagem a igreja tem pregado na África. “Em muitas igrejas, o Cristianismo não é mais boas novas para os pobres, mas para quem quer ficar rico. Qual a mensagem da igreja? Qual sua resposta? Quem é Jesus em nossa geração? Quem é Jesus em Nairobi? Na Cidade do Cabo? Alguns pensam que ele é apenas um tipo de escolha. Nós existimos para conhecê-lo e torná-lo conhecido. Precisamos trazer Jesus de volta para nossas igrejas, para nossos sermões. O Cristianismo sem Cristo nunca vai mudar a África. A África precisa ouvir Jesus”.

Final do EJL, mas não é o fim de história

O último dia do EJL foi marcado pela esperança. O jovem pastor brasileiro René Breuel leu Apocalipse 5 e nos lembrou que vivemos em torno da esperança cristã. “Porque esperamos com esperança, lavamos os pés dos outros mais que qualquer pessoa, ajudamos o próximo mais que qualquer pessoa”. Ele ressaltou ainda que esta esperança caminha junto com a responsabilidade do testemunho e com o privilégio do louvor a Deus.

A cerimônia de Santa Ceia foi ministrada a partir dos pequenos grupos (ou Grupos de Conexão, como eram chamados). Foi um momento singelo, mas cheio de significado. Os participantes do ELJ experimentaram a comunhão que nasce no compartilhar de nossas próprias histórias e na compreensão da Grande História de Deus no mundo. Com isso, vislumbramos a centralidade de Cristo (ele é o protagonista de cada história pessoal), louvamos seu caráter santo e digno, testemunhamos sua obra na cruz e esperamos por “novos céus e nova terra”.

Não à toa, o ELJ terminou com muita música e louvores ao Deus da história. Mesmo após o final, grupos de países diferentes continuaram cantando juntos espontaneamente e celebrando a unidade em meio à diversidade cultural. Um grupo de brasileiros dançou junto com os africanos. Asiáticos abraçaram ocidentais.

Se os desafios da igreja global são mais complexos do que imaginamos, podemos começar diminuindo as distâncias ainda tão grandes na igreja de Cristo. Esta é uma expectativa concreta do Movimento Lausanne para os próximos 10 anos por meio do projeto YGen, que pretende conectar todos os participantes do evento por meio de um aplicativo exclusivo e com a participação de mentores. Que Deus faça sua obra.

• Lissânder Dias é editor do Portal Ultimato e foi um dos convidados do ELJ2016.

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Foto: Aaron Burden/Unsplash

  1. Sensacional ler este relato sobre o que foi tratado no encontro e como Deus tem guiado os líderes jovens no mundo para servir o corpo de Cristo. Somos todos dependenges de Cristo e estamos em uma missão com Ele e não para Ele.

  2. Antonia Leonora van der Meer

    Excelente resumo do ensino e da vivência desses últimos dias do ELJ. Parabéns Lissander. Fomos mesmo, todos os presentes, desafiados por meio de ensino cristão profundo por meio de líderes de muitas regiões diferentes, que todos procuravam honrar a Jesus, e nenhum com uma tentativa de se mostrar um “grande servo” de Deus.

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