ESPECIAL -Dia das Mães

Por Armindo Trevisan

Dorme, minha mãe, em meus braços
como a lua na clareira de um bosque.
Ali estou à tua espera
desde que teu ventre se aligeirou
com meu peso. Teu sono é meu sono,
povoado com os sonhos que esqueceste
no sangue. Visto-te com as folhas
dos suspiros que não nasceram.
Além de mim
te reconquisto
em cada flauta de álamo
ou pluma de chuva. Dorme, senhora,
neste espaço que já foste em mim,
e hoje sou no alpendre
de tua boca
fechada como um favo.

 

Nota: Poema publicado no livro do autor “A Mesa do Silêncio (Porto Alegre, LPM Editores, 1982). O livro é uma série de poemas sobre a maternidade.

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