1855-1860: cinco anos e cinco protestantes

Por Clemir Fernandes

O chamado “protestantismo de missão” se estabeleceu definitivamente no Brasil a partir de 1855 com o médico-missionário escocês Robert Kalley e sua esposa Sara Kalley, que organizaram a Igreja Evangélica Congregacional, no Rio de Janeiro (RJ).

200px-AshbelGSimonton

Ashbel Green Simonton

Em 1859, num dia 12 de agosto como nesta quarta-feira, chegou o jovem teólogo e pastor Ashbel Simonton, oriundo dos Estados Unidos, que organizou a Igreja Presbiteriana do Brasil, também aqui na então capital imperial.

No ano seguinte desembarcou o casal batista Thomas e Lurenna Bowen, igualmente estadunidense, mas com experiência missionária na Nigéria, vindo, portanto, para trabalhar com os africanos de língua iorubá, no Rio de Janeiro.

Ao recordar neste ano de 2015 os 160 anos da chegada dos Kalley, os 156 da vinda de Simonton e os 155 do casal Bowen, lembramos algumas contribuições do protestantismo brasileiro como a ampliação da diversidade religiosa no país, a tolerância, a educação (colégios com classes mistas, educação física etc.), a saúde (hospitais e ambulatórios espalhados pelo Brasil), critica e rejeição da escravidão (como fez Kalley e a Igreja Congregacional décadas antes da Abolição), laicidade (separação entre religião e estado, casamentos civis, cemitérios públicos, contra o ensino religioso nas escolas públicas), etc.

Muito da agenda civil-republicana do protestantismo histórico continua como desafio hoje, especialmente com o crescimento de certos movimentos chamados evangélicos, (também católicos e de outras religiões), em busca frenética por impor pautas doutrinárias no espaço público, além de auferir benesses do poder político e econômico.

Protestar com propostas, para ser, de fato, protestante, é preciso!

Clemir Fernandes é pastor batista, sociólogo e pesquisador do ISER (Instituto de Estudos da Religião).

 

LEIA TAMBÉM
Mochila nas Costas e Diário na Mão
Sou Eu, Calvino
História da Evangelização no Brasil

 

  1. O Clemir juntou fatos de diferentes épocas e destacando Simonton, omitiu outros missionários. Essa de classe mista apareceria pelo menos uns 70 anos depois que Simonton já havia morrido há muito tempo.

    Protestantismo de Missão foi uma das mais grandiosas experiências da igreja americana, especialmente a Presbiteriana, que conheço muito bem, sobretudo porque tinha ‘budget’, prazo (4 anos no campo e um de ‘furlough’), ênfase na educação (Mackenzie), hospitais (Rio Verde). Tinha projeto, e projeto de longo prazo.

    Missionário hoje, noves-fora os Adventistas e os Mórmons além de duas outras denominações (a IPB está fora. Além de não ter dinheiro, prima mais por ortodoxia do que avanço missionário), perderam totalmente o compasso com a responsabilidade típica daquela época.

    Quanto à “Protestar com propostas, para ser, de fato, protestante, é preciso!” é coisa de linguagem esquerdista do ISER. E nada tem a ver com a digressão do texto.

    Mas é natural essa frase vinda de Clemir, mestre em Sociologia (UERJ) e doutorando em Ciências Sociais (UERJ), pesquisador do Instituto de Estudos da Religião (ISER), integrante do Grupo Gestor da Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS) e coordenador do núcleo do Rio de Janeiro da Fraternidade Teológica Latino Americana-Brasil, Clemir é notório pensador da esquerda evangélica.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *