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Agência Brasil / Wilson Dias

 

Durante o 7º Congresso Brasileiro de Missões (CBM) conversamos com Antonio Carlos Costa, bacharel em direito, especialista em ciências penais, autor do livro “Deus na Prisão” (Editora Betel, 2013) e editor do portal Direito & Religião. Antonio Carlos foi o responsável por uma oficina sobre o tema no 7º CBM.

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Como você compreende a abertura dada em um congresso como o CBM para a exposição e discussão sobre capelania prisional?

Esse foi o primeiro CBM a receber as capelanias desenvolvidas no país, no caso, prisional e escolar. Em conversa com o Pr. Silas Tostes, coordenador dos últimos quatro congressos, a ausência da capelania prisional nos outros eventos ocorreu porque a AMTB ainda não havia sido procurada por alguém disposto a falar sobre o tema.

Talvez isso se deva ao fato de que as prisões são um contexto quase esquecido pela igreja brasileira. Embora várias igrejas no país visitem unidades prisionais, o fato é que ainda não se conseguiu unificar o movimento capelânico de tal forma que possamos, com a troca de experiências, construir estratégias comuns (e específicas) para a atuação da igreja evangélica nos presídios.

Além disso, apesar de, tanto o senso comum quanto os meios jurídico e acadêmico, reconhecerem a assistência religiosa como um direito do preso e os efeitos positivos dessa assistência em seu processo de retorno ao convívio em sociedade, as igrejas enfrentam inúmeras barreiras neste trabalho.

Nesse sentido, a abertura do CBM à exposição e discussão do tema possibilitou o início de um diálogo que, esperamos, possa se perpetuar no tempo. E, mesmo não sendo um capelão, creio que tenhamos conseguido, ainda que minimamente, cooperar com os irmãos com uma mostra de nossa experiência de mais de sete anos estudando a questão das religiões no sistema prisional.

O que o fomento desta discussão tem a ver com o exercício da missão?

Primeiro, é necessário que entendamos o que significa a palavra “missão”. Ela está vinculada à grande comissão que nos foi deixada por Cristo, conforme a bela exposição que o Pr. Ronaldo Lidório trouxe na primeira noite do CBM, e nos impõe o dever de anunciarmos a Cristo àqueles que não o conhecem.

Nesse sentido, para além das missões a serem desenvolvidas em outras partes do mundo, o Brasil ainda nos apresenta grandes desafios (ou oportunidades, como pontuou o Pr. Fernando Brandão), dentre os quais o ambiente prisional.

Atualmente são mais de 560 mil presos no país, número que saltaria para cerca de 710 mil se incluirmos os que cumprem prisão domiciliar. Nossos cárceres estão superlotados, impondo aos presos condições sub-humanas. Neles impera uma lógica diferente da que se vive aqui fora e os encarcerados são obrigados a agir de acordo com a cultura carcerária, sob pena de perderem a vida.

Assim, parece-me que as prisões se enquadram até mesmo no conceito de missões transculturais. É que as unidades prisionais se nos apresentam como um “outro mundo” a ser desvendado, a despeito de estarem bem perto de nós. Por isso, da mesma forma que treinamos os missionários transculturais “tradicionais”, deveríamos mobilizar mais encontros entre os missionários transculturais “prisionais”.
Nota: Ultimato recebe regularmente cartas de presidiários. Isso é fruto do trabalho que desenvolvemos há muito tempo: enviamos gratuitamente as edições da revista Ultimato para presídios. Se você quer nos ajudar neste esforço, visite esta página.

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