Foto/Facebook

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Nesta semana fatídica, ficamos sem João Ubaldo Ribeiro, sem Rubem Alves e sem Ariano Suassuna. Três imensas saudades. Estive no culto à noite de domingo na Igreja em que Rubem Alves foi pastor por cinco anos e senti um vazio imenso! Me dei conta de que sempre fui bravo com Rubem Alves e finalmente descobri a razão.

Rubem Alves sempre me fez falta como pastor.

Ao ser caçado pela própria Igreja Presbiteriana na época da Ditadura Militar e abandonar o pastorado, Rubem Alves deixou orfãos todos nós que acreditávamos nas suas perguntas, mas não conseguimos acreditar em suas respostas. Assim como Rubem Alves, a minha geração na Aliança Bíblica Universitária, buscamos uma resposta evangélica para a participação na construção de uma sociedade mais justa. Mas ao contrário de Rubem Alves e apesar dos erros da Igreja, sempre acreditamos em uma solução a partir do Evangelho. As palavras doces de Rubem Alves sempre me fizeram bem ao coração, mas sempre me deixaram triste a alma.

Por isto, neste réquiem a Rubem Alves, me volto ao que nos uniu: o amor aos Ipês, a árvore de Lavras, a árvore da esperança, que floresce de forma esplendorosa quando a seca é mais rude, quando a esperança é desesperada.

Neste ponto, compartilho a definição e os sentimentos do pastor que nunca tive:

“Rubem Alves é um homem que gosta de ipês amarelos…”

“O que tenho sentido? Beleza. Nostalgia. Tristeza. Cansaço. Urgência. A curteza do tempo. Esperança? Sonhei ser um pianista. Mas os deuses tinham outros planos para mim. Gosto de brincar com palavras.
Por isso sou escritor. Escritores e poetas são meus companheiros.”

Obrigado, meu querido jardineiro!

 

• Ulisses Leitão é professor do curso de Física da UFLA (Universidade Federal de Lavras – MG) e membro da Igreja Presbiteriana da cidade; igreja da qual Rubem Alves foi pastor por cinco anos na década de 60.

Texto publicado originalmente no blog do autor.

  1. Muito boa reflexão. Infelizmente somente depois que a igreja mata os pastores é que são lembrados, desejados e valorizados. Esta triste realidade não aconteceu apenas com o irmão, nem tão pouco na década de 60 com o saudoso Rubem Alves, mas acontece atualmente nas reuniões de conselhos, nas vísceras conciliares quando estupram o ofício pastoral e matam sua vocação por meio de decisões autoritárias. Muito triste.

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