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Depois de quase 30 anos de trabalho musical, com 7 CDs gravados e um DVD, o músico e pastor Carlinhos Veiga viveu no final de 2013 uma experiência inédita. Gravou o CD “Parceiragens” com recursos de financiamento coletivo nas redes sociais (o chamado “crowdfunding”). Foram cerca de 280 apoiadores do Brasil, EUA, França, Alemanha, Suécia, entre outros países. Mas as parcerias aconteceram também na produção musical: muitos profissionais e artistas se juntaram ao Carlinhos, a maioria voluntariamente.

“Um trabalho artístico que surge da parceria, especialmente construído na coletividade, tem a possibilidade de se tornar muito mais rico, em geral. A música cristã ganharia muito se mais parceiras fossem feitas. E para que isso aconteça os artistas precisam caminhar mais próximos, num diálogo constante. Ir ao encontro do outro é fundamental”, diz o cantor.

Leia a seguir a entrevista com Carlinhos Veiga.

1. Por que o CD tem este nome?

“Parceiragens” foi o nome que surgiu à medida que o projeto ia sendo desenvolvido e o CD gravado. No meio do processo me dei conta que era um álbum diferente dos anteriores. Nesse, a grande maioria das músicas surgiram de parcerias com amigos de caminhada e pela primeira vez realizei parcerias musicais com poetisas que admiro bastante. O projeto de financiamento coletivo já é em si mesmo uma demonstração clara de que sem o apoio de muitas pessoas esse CD não seria gravado. Eu não dispunha de recursos financeiros e essa parceria possibilitou o projeto. No estúdio mais uma vez vimos de que esse projeto era fruto de cooperação: muitos músicos se dispuseram a participar oferecendo seus talentos. Músicos que tenho enorme apreço e que são respeitados e admirados no cenário da MPB brasiliense e nacional. E pra completar, tivemos apoio de pessoas que ainda não conheci pessoalmente, mas que nos apoiaram, tanto no Brasil, quanto nos EUA, através de contatos do Thiago Pinheiro, produtor do CD. Por tudo isso, concluí que o nome tinha que ser “Parceiragens”. Retrata muito bem o que é o CD em sua essência.

2. No total, quantas pessoas se envolveram no trabalho? Todas foram remuneradas? Poderíamos dizer que é o seu CD com mais gente envolvida?

É difícil responder essa pergunta. Foram centenas de colaboradores, desde os participantes do financiamento coletivo, passando pelos músicos, artistas, pessoal da área técnica, pós produção e distribuidores do CD virtual. Sobre a remuneração, apenas pagamos o produtor e os profissionais da pós-produção. Todos os demais foram cooperadores. Por isso, não posso dizer que esse CD é somente meu, mas de muita gente.

3. Quanto ao crowdfunding, o que você achou da experiência? Você poderia informar alguns números? Porcentagem de verba que veio do crowdfunding, número de doadores (podemos chamar de doadores?), etc.

A experiência de produzir um CD a partir de um crowdfunding, ou seja de um financiamento coletivo por meio das redes sociais, foi fantástica. Sem dúvida alguma é um projeto que demanda tempo, esforço e muita dedicação. Por outro lado, expõe o artista, o deixando vulnerável. É um teste para quem se arrisca. Você pode tanto se surpreender com tantos apoios ou se frustrar com a falta deles. No nosso caso, graças a Deus e ao investimento de gente interessada em promover a cultura, tivemos sucesso. Foram cerca de 280 apoiadores do Brasil, EUA, França, Alemanha, Suécia, entre outros países, participando com aproximadamente 120% do valor original do projeto. Superamos o alvo inicial de 23 mil reais, o que nos permitiu uma folga para irmos além em alguns itens para a melhoria do produto final.

veiga4. As músicas deste CD também expressam os valores do trabalho em cooperação? Quer destacar alguma?

Não há uma música específica que tenha por tema a cooperação ou a parceria, mas em todas elas esse valor está presente. Foram parcerias com muitos amigos e amigas que admiro. Entre esses, Gladir Cabral, Tiago Vianna, Reny Cruvinel, Rogério Pinheiro, Felipe Viegas, Marcia Maranhão De Conti, Silvana Pinheiro e o colombiano Santiago Benavides.

5. Como as pessoas podem adquirir o CD?

Por duas vias: pela internet, basta acessar o site www.veroshop.com.br. Se pretende receber um CD físico em casa, é só adquiri-lo pelo www.carlinhosveiga.com.br. Enviaremos pelo correio.

6. Você acha que este jeito de trabalho – em parceria – está em falta entre os cantores evangélicos? Se sim, por quê?

Creio que projetos de parcerias começam a surgir aqui e ali. Podemos encontrar algumas produções que apontam para isso, como Roberto Diamanso e Cesar Abianto, Gladir Cabral e Jorge Camargo, alguns projetos realizados por igrejas, entre alguns outros. Eu mesmo já produzi o Siripequi em parceria com o Rogério Pinheiro e ultimamente estive envolvido no CD da Igreja Presbiteriana do Lago Norte, igreja que pastoreio. Atualmente percebo que muitos encontraram no crowdfunding uma solução para as dificuldades financeiras, o que é muito bom. Crowdfunding é sinônimo de parceria.

7. Como a música cristã pode fortalecer os valores do reino de Deus que consideram a parceria, a comunidade, a cooperação?

Creio que a parceria musical por si só já é uma expressão de valores do Reino. Não há verdadeira parceria sem a abdicação dos seus direitos em prol da contribuição do outro. O diálogo é fundamental na construção de algo novo. Enriquece sobremaneira o trabalho, pois se torna fruto do somatório de compressões e visões do mundo. Um trabalho artístico que surge da parceria, especialmente construído na coletividade, tem a possibilidade de se tornar muito mais rico, em geral. A música cristã ganharia muito se mais parceiras fossem feitas. E para que isso aconteça os artistas precisam caminhar mais próximos, num diálogo constante. Ir ao encontro do outro é fundamental. Eventos que reúnem músicos, compositores, produtores, como o Som do Céu, Nossa Música Brasileira, Prosa & Canto, são fundamentais para que esses diálogos aconteçam.

8. Tem alguma história legal que surgiu ao longo do trabalho de preparação do CD? Conte-nos.

Sim, várias histórias. Encontrei-me com muita gente boa nesse processo. Alguns ainda nem tive o privilégio de conhecer pessoalmente, mas firmamos amizade e parcerias através das redes sociais. Entre esses, cito o artista gráfico Marcelo Bittencourt, de Curitiba, o Joe Edman de Jequié (BA), da empresa Veroshop, que distribui os CD virtuais, o pessoal da DaJazz Records, do Colorado, EUA, que ouviu o trabalho e decidiu apoiá-lo financeiramente e ainda nos apresentou à empresa de masterização Air Show Mastering. A participação dos músicos de Brasília que apoiaram esse projeto, foi outro ponto alto. O estúdio era sempre alegre com visitas ilustres de artistas admirados que vinham e davam sua contribuição musical. Toda a gravação foi transmitida ao vivo pela internet, durante o período no estúdio. Às vezes tínhamos uma audiência interessante e aqueles que assistiam as gravações davam palavras de ânimo para a gente. Foi fantástica a experiência!

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