No Rio em 1873

No dia 24 de dezembro de 1873, um homem sem aparência, e pobremente vestido, doente e exausto, sem esposa e descendência, só, caminhava pela estrada de Pavuna, em direção ao Rio. No bairro de Santa Tereza, um amigo e colega lhe havia preparado uma aprazível vivenda para ele se tratar e descansar. Mas as forças estavam no fim e o sol forte demais. O homem tombou sem alento e foi levado pelas autoridades para a enfermaria militar do Campinho, onde recebeu tratamento carinhoso. A morte, porém, chegou junto com o dia de Natal.

O homem tinha 51 anos de idade. Conversava com os estrangeiros em suas próprias línguas. Havia estado nos Estados Unidos. Acumulou algumas noções de medicina para auxiliar o povo doente. Possuía uma vida irrepreensível e devotada a uma causa. O diretor, Major Fausto de Sousa, ia sepultá-lo como indigente no Cemitério do Irajá, desconhecendo-lhe a identidade, quando chega ao local uma pessoa que o conhecia e estava a sua procura.

Esse homem era José Manoel da Conceição, ex-padre e o primeiro brasileiro a se ordenar pastor evangélico. Foi ele quem abriu as picadas para o trabalho missionário no Vale do Paraíba e no interior de São Paulo, percorrendo quase todo o Estado. Por seu amor à Bíblia e por suas maneiras evangélicas, era conhecido como o Padre-protestante.

A Igreja Presbiteriana do Brasil lhe reverencia a memória e agradece o curto, porém profícuo ministério de oito anos.

(Baseado no livro O Padre Protestante, de Boanerges Ribeiro, e no 1.º Volume da História da Igreja Presbiteriana do Brasil, de Júlio A. Ferreira.)

<< Publicado na revista Ultimato (novembro de 1968).

 

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