Por Elben César

Várias coisas cooperam fatidicamente para produzir aquilo que convém denominar indigestão de Natal. Quando tudo acaba, em meio ao fastio, quase confessamos que teria sido melhor não comemorar a festa magna do cristianismo. Pelo menos do modo e nas circunstâncias como se fez. (A rigor, não houve comemoração do nascimento de Jesus.)

O Natal no hemisfério sul coincide com o início do verão. O calor chega de repente e perto do insuportável. A euforia do 13º salário e das gratificações; as intermináveis horas extras; a incontrolável propaganda comercial (“Compre agora e pague no ano que vem”, como se o ano que vem estivesse a uma grande distância…); o Papai Noel usando as mesmas roupas de sempre mais a máscara para se proteger da poluição do ar, segundo Millôr; o excesso de luzes e cores; as puras e belas melodias natalinas usadas indevida e irreverentemente, a todo volume, nos carros, nos carros de propaganda; os cumprimentos na maioria formais (um homem apertou a mão do outro no dia 31 de dezembro e disse-lhe: “Bom Natal!”…) e interesseiros (como o do lixeiro: “aquele que tirou o lixo de sua porta durante todo o ano lhe deseja Feliz Natal” …); o cansaço do ano que se finda; as formaturas, as cerimônias nupciais, as pancadas de chuva, as filas intermináveis dos que querem alguma cousa; a corrida às lojas, aos bancos e ao correio – são as cousas que entram por meio dos sentidos e saturam o homem que se diz ou é cristão, roubando-lhe o espírito do Natal.

Se isto não bastasse, ainda há os comes e bebes – castanhas e nozes, presunto, vinhos – próprios para outra ocasião e outro clima, que provocam na verdade indigestão e mal estar físico.

No conjunto, o que fatalmente ocorre é o mesmo fenômeno do primeiro Natal: no corre-corre de Belém, no egocentrismo e na ignorância dos habitantes e forasteiros da cidade, não houve lugar para uma mulher dar à luz a seu filho primogênito, não houve lugar para Ele. E ainda não há.

Que Deus nos perdoe! Amém.


Nota:

Artigo publicado na revista Ultimato (novembro de 1970).

 

 

 

  1. Adorei esta sua opinião, sem dúvidas é exatamente o que acontece, e por incrível que pareça continua a mesma coisa, as pessoas se lembram de quase tudo que não pode faltar na ceia, mas o principal geralmente fica de fora. continue assim irmão e breve nos veremos para fazer uma baita confraternização ao Grande Mestre e Senhor de nossas vidas. Parabéns.
    ABS.

  2. – ESSA É A VERDADEIRA DATA QUE JESUS NASCEU?
    1. Momento: De acordo com o Doutor Russell Sheed, (Teólogo de maior respeito na atualidade), tece o seguinte comentário ao explanar a cerca da data em que Jesus nasceu. O texto de (Levitico 23: 33 – 37) descrevem a ordenança do Senhor para realizar a festa do (mês de outubro), que indicava a vinda do Senhor Jesus para morar entre os homens.
    No livro de (Lc 2:8 – 11 nos vs. 8) relata que os Pastores estavam no campo guardando suas ovelhas na noite em que Jesus nasceu, observa-se então pela lógica que Jesus não podia ter nascido em dezembro, visto que se trata de um mês de forte inverno e neve em Jerusalém, motivo pelo qual conclui-se que nenhum Pastor poderia estar nos campos com seus rebanhos nesse período, levando a crer que Jesus nasceu na época da festa dos tabernáculos.
    2. Momento: Pode ser calculada a data também assim: (Lc. 1: 5 – 8), relata que Zacarias exercia seu turno de Sacerdote em julho (no tumo de Abias, 1 Crônicas 24: 10), foi o mês em que Izabel ficou grávida de João Batista que nasceu em Abril do ano seguinte. Sabe-se que Jesus nasceu seis meses mais tarde que João Batista (Lc. 1: 26 – 30 e 31), portanto nasceu em plena festa dos Tabernáculos, isto é, no mês de outubro. O aniversariante, perdeu espaço para o velhinho chamado noel, tomou o espaço de jesus. Um dia nós teremos o maior privilegio de estarmos com Jesus reunidos para sempre. Amém.

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