“Se a palavra perdida se perdeu, se a palavra usada se gastou
Se a palavra inaudita e inexpressa
Inexpressa e inaudita permanece, então
Inexpressa a palavra ainda perdura, o inaudito Verbo,
O Verbo sem palavra, o Verbo
Nas entranhas do mundo e ao mundo oferto;
E a luz nas trevas fulgurou
E contra o Verbo o mundo inquieto ainda arremete
Rodopiando em torno do silente Verbo.”

Estrofe nº 160 do poema “Quarta-feira de Cinzas” (1930) de T. S. Eliot.

 

Considerado um dos maiores poetas da Inglaterra (mesmo tendo nascido nos Estados Unidos), T. S. Eliot nasceu no dia 26 de setembro de 1888 em St. Louis, e faleceu em Londres, com 76 anos, em 4 de janeiro de 1965. Se tivesse vivo, exatamente hoje completaria 124 anos. Ele ganhou o Prêmio Nobel da Literatura de 1948.

O que talvez nem todo mundo que gosta de poesia sabe é que T. S. Eliot era cristão convicto, o que também marcou seu trabalho literário. Nas palavras do crítico Ivan Junqueira em longa nota biblográfica para a edição em português de “Poesia” (Editora Nova Fronteira), “a poesia de Eliot, embora avessa a quaisquer formas de dogmatismo religioso, é uma poesia de fundo nitidamente cristão. Com o correr dos anos — e sobretudo após a conversão do autor ao cristianismo anglo-católico (…) os problemas de ordem filosófica e religiosa começam a ganhar visível predominância sobre os demais, e sua poesia tornou-se mais metafísica…”.

A estrofe citada acima é uma amostra desta “renovação” de T. S. Eliot.

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