Po Klênia César Fassoni

Especial Lausanne III. Estar na Cidade do Cabo, na África do Sul, é um grande privilégio para mim e também grande responsabilidade.

Délnia, minha irmã, Lissânder (coordenador da Rede Mãos Dadas e colaborador na revista Ultimato) e eu chegamos dois dias antes do Congresso Lausanne 2010. Foi possível conhecer alguns lugares, graças ao apoio de Silvia Octaviano, jornalista, formada no Centro Evangélico de Missões e missionária pela Junta de Missões da Igreja Presbiteriana do Brasil, e Laura, sua filha de 15 anos, que moram na Cidade do Cabo há dois quase três anos. Elas providenciaram hospedagem e nos deram muitas informações sobre este lugar, seu povo e sua cultura.

A igreja presbiteriana onde Silvia trabalha e congrega teve seu início em 1903. A construção tem estilo europeu, com vitrais, telhado em madeira, pé direito muito alto, um belo jardim e até mesmo um órgão de tubos, e ninguém que o toque. À saída do templo há uma pedra com os nomes dos membros da igreja mortos na primeira e na segunda guerra mundial.

Esta igreja tem cerca de 70 membros, de 17 diferentes etnias, uma característica que está se tornando comum nas igrejas da Europa e de outras partes do mundo. A igreja tem procurado ativamente integrar-se com a comunidade, por meio de aulas de inglês, apoio a migrantes, grupo de mulheres e outras iniciativas.

Nosso grupo, alegre e barulhento, era formado por sete brasileiros mais a Laura, que foi nossa intérprete e cicerone. Após a visita à Igreja fomos de trem a Simon’s Town. Nessa viagem de 40 minutos, vimos muitas pessoas pobres. Três diferentes grupos entraram no vagão e cantaram ou tocaram em troca de alguns poucos trocados. A moeda de maior valor é de 5 rands, equivalente a pouco mais de 1 Real. Passamos por lugares pobres e chegamos a Simon’s Town, uma pequena e pitoresca cidade a beira-mar. O mar aqui é mais azul e contrasta com as pedras e o com o céu, também mais azul (pelo menos nestes dias).

Andamos bastante, passando por lojinhas e barracas de artesanato. Tomamos um café com gosto diferente — continha 50% de chicória, o que é comum em alguns países da África. Este lugar, uma mistura de albergue, bar, locador de bicicletas e de livros (aliás, em todo lugar aqui há livros), tem almofadas e um quadro feitos de sacas de café importado onde está escrito: Café do Brasil.

O artesanato é riquíssimo em variedade e criatividade: muitas peças feitas com ovos de avestruz — pintados ou esculpidos, peças de arame com miçangas em forma de animais típicos, pequenas e enormes esculturas em pedras e madeira, pinturas, quadros que misturam latas e tinta, tecidos pintados e coloridíssimos e muito mais. Numa das lojas o artista, muito convicto da utilidade de seus mais de 30 amuletos, falou durante 10 minutos em inglês rápido, que Zeni, amazonense de 30 anos que faz parte da delegação brasileira, e eu fingimos entender. Numas das feiras ao ar livre ficamos encantados com um conjunto masculino de10 pessoas que cantavam em zulu, a capela com todas as vozes possíveis e mais aqueles improváveis sons saídos da garganta. Era um grupo cristão da África do Sul.

Bem perto daí vimos pinguins, na “floresta” (mangue). E eram muitos.

O passeio em Simon’s Town terminou com compras em um brechó de roupas e artesanato — mantido por um missionário que reverte o valor das vendas para estudantes estrangeiros num seminário — e com o frango frito da KCF (rede famosa) e Coca-Cola comidos no trem.

  1. Adoro ovos de avestruz pintados, e também os pinto, mas quero aprender a trabalhar os ovos com a técnica de pirogravura, que devem ficar lindos. Ando a vêr se pinto com tinta vitral ( para experiência ) depois se verá como ficam. Os desenhos gosto de pássaros e paisagens com sol, árvores (côqueiros e lagos). o Seu está lindo . Gostei

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