Enviado por Daniela Cabral

Uma das minhas qualidades que valorizo é a inteligência. Gosto de me sentir inteligente. Gosto de testar minha capacidade interpretação, de resumo, de desenvolvimento de ideias e de conclusão. Então cultivo certa antipatia por editoras que já me entregam a leitura mastigada, deduzem que eu não sou capaz de pegar uma ideia e aplicá-la ao meu contexto.

Bom, como vou dar exemplos esclarecedores sem citar títulos reais e mexer com os brios de editores? Vamos lá.  Digamos que eu me interesse pelo livro abrangente "Letras de Músicas de Djavan". E quando vou comprá-lo, descubro que há também "Letras de Músicas de Fossa de Djavan", "Letras de Músicas de Djavan em Miguxês", "Letras de Música de Djavan para Aulas de Português". Logo me desanimo de comprar o primeiro. Sei que se comprar o primeiro provavelmente vou ter todas as letras, que poderei agrupar conforme meu gosto, ler na ordem que quiser, interpretar como bem entender. Mas acabo desanimando e não levando nenhum.

A lógica por trás disso está clara: vender o mesmo livro como se fosse outro e ganhar mais dinheiro, nem que seja aproximando leitura séria e formadora de livros de auto-ajuda. Ou, quem sabe, fazer a leitura mais acessível…

Nesse mesmo estilo, outras coisas que me incomodam são os vários tipos de Bíblia. Não disse versões, disse tipos. Muitos desses tipos até fazem sentido, mas outros, que buscam alcançar nichos de mercado muitos específicos, já banalizam a coisa. Garanto que daqui uns dias vamos ter "A Bíblia para a Mulher que Está no Terceiro Mês de Gravidez e Suspeita que Seja Menino". Aguardemos.

  1. Gostei do texto, uma critica séria e, ao mesmo tempo, com um certo humor… Pois, quando a gente se lembra de alguns dos títulos da linha auto-ajuda que existem dá vontade de rir…

    Bem, a meu ver, se subestimam nossa inteligência, enquanto leitores, é porque há mercado que absorva tais literaturas… Ou seja, há um público que, no mínimo, é pouco exigente! Em outras palavras, acho que também temos culpa. É notória, em nossa tradição cultural, a fraca importância que damos à (boa) leitura!

  2. romulo amorim correa

    Também concordo com a Luci. Infelizmente não é apenas um problema de inteligência, mas de falta de educação, tanto formal como cristã.

    Vende-se porque compra-se. O que não deixa de ser lamentável.

  3. Eu também confesso que nunca entendi o porquê de tantas bíblias.Para mim,a Bíblia é uma só,eficiente,completa,eficaz. Assim do jeito que sempre foi.Nunca expressei esta opinião por receio que me considerassem antiquada.Nunca vi sentido,nem razão para esta imensidade de Bíblias.Sabe aquela Bíblia grifadinha,meio amareladinha,emocional,uma coisa quase física.Assim é que eu gosto!

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