Nossas tradições religiosas e as Escrituras nos ensinam que sempre que o amor está presente, Deus está presente. De igual modo, também é verdade que um dos maiores dons de Deus para nós é a capacidade humana de amar um ao outro. Portanto, a capacidade de duas pessoas manterem um relacionamento e uma família é uma expressão desse dom. Se Deus é santo e bom, logo temos que afirmar o direito que casais do mesmo sexo tem para usufruirem de relacionamentos de amor tais quais os relacionamentos heterossexuais. Certo?!

Concorde você, ou não, foi com esse mote e “argumento lógico cristão” que mais de 500 pessoas, incluíndo aí mais de 200 pastores evangélicos, se reuniram na Asbury United Methodist Church, aqui em Washington-DC, num culto denominado “Soulful Voices for Marriage Equality: A Faith Celebration”, algo como "Vozes da Graça para a Igualdade Matrimonial: uma Celebração de Fé".

Essa “celebração de fé” foi organizada pelo DC Clergy United for Marriage Equality (Conselho de Pastores Unidos do Distrito de Colúmbia para a Igualdade Matrimonial, numa tradução literal). Segundo os organizadores, o evento teve como objetivo “declarar que a fé evangélica nos convida a afirmar a igualdade do casamento e do amor entre casais do mesmo sexo". Formado no início do mês de outubro, o conselho já possui mais de duzentos clérigos representando as igrejas, sinagogas, mesquitas e seminários em todo o Distrito de Colúmbia, onde se situa a capital dos Estados Unidos.

O conselho apresentou nesse culto o que eles intitularam de “Declaração Evangélica de Apoio ao Casamento Homossexual”. A declaração afirma que “o Estado não deve impor a qualquer grupo religioso a obrigação de oficiar ou abençoar uniões do mesmo sexo. No entanto, o Estado também não deve favorecer as convicções de um grupo religioso em detrimento de outro, negando as pessoas o seu direito civil fundamental de casarem com quem amam”. Trocando em miúdos, os pastores evangélicos do Distrito de Colúmbia afirmaram que “Deus é amor, e o amor é para todos. Neste espírito, nós levantamos nossas vozes na luta pelo direito e liberdade do casamento homossexual”.

Meus caros Ulti-Nautas, passo a bola para vocês. Aí no Brasil o assunto ainda está na esfera legislativa. Aqui, já foi superada essa etapa e agora retumba entre cruzes, patuás, kippahs e véus. Como a igreja brasileira reagirá quando este tema extremamente sensível chegar aos umbrais de suas portas?