Klênia Fassoni

No dia 2 de maio, meu filho mais novo completou 7 anos. No momento diário de oração da equipe Ultimato — neste dia com menos gente, devido ao feriado da véspera —, todos nós oramos e o fizemos de mãos dadas. Uma amiga chegada e colega de trabalho orou por Timóteo, meu filho. Ela agradeceu a Deus por ele "não ser uma criança em situação de risco social".

Esta expressão* pode não ser familiar a todos, mas para nós da equipe Ultimato é algo corriqueiro. A revista Mãos Dadas está hospedada em nosso escritório há mais de oito anos e, em várias ocasiões, levamos a Deus em oração crianças em situação de risco ou pessoas e organizações que trabalham com elas. Em junho participaremos mais uma vez do Mutirão de Oração por Crianças e Adolescentes em Situação de Risco, edição nº 13. (Para informações, acesse www.maosdadas.net)

Bernadete (minha amiga) está certa. Timóteo não pertence ao grupo de risco. Para começar, ele tem altura e peso acima da 2ª curva do desvio padrão superior da média de altura e peso para a sua idade. A última vez que tomou antibiótico tinha 1 ano de idade. Está matriculado desde os 6 meses (isto, sim, pode trazer algum risco…) em boa escola particular. Tem acesso a um bom plano de saúde e mora numa casa simples, mas confortável, com ampla área verde (na verdade, um sítio).

Tem pai e mãe, juntos há mais de vinte anos, e é muito querido por seus dois irmãos mais velhos e pela grande família extensa (quinze pessoas, entre avós, tios e primos, todos na mesma cidade). Tem acesso a computador, à internet e a vídeos (mas não à TV). Está inserido num ambiente que valoriza o estudo, a leitura e a cultura.

Está integrado a uma igreja que valoriza as crianças, dedica-lhes espaço e recursos e lhes propicia amigos de todas as idades. A sua herança religiosa é constantemente cultivada. Os pais são evangélicos de terceira e quarta gerações, engajados em trabalhos na igreja, em organizações missionárias e de ação social.

Timóteo é quase um "nascido e criado em berço de ouro", assim como muitos dos filhos ou netos dos leitores da revista Ultimato. A pesquisa feita com os assinantes revelou que mais de 60% deles possuem curso superior, 30% deles têm renda mensal entre 5 e 10 salários mínimos e 30% acima de 10 salários mínimos..

Definitivamente nossos filhos (e netos) não se enquadram no que definimos por "risco social"*. Claro que isso não os isenta de perigos e acidentes, pois muitos dos fatores de risco a que as crianças estão sujeitas não estão ligados à classe social. É de bom juízo "orar com lágrimas" por nossos filhos a oração do avô do Timóteo: "Senhor, coloca à sua volta cercas de proteção".

Mas, ao nos aproximarmos do 13º Mutirão de Oração por Crianças e Adolescentes em Situação de Risco, proponho que, além de orar "com lágrimas” também pelos filhos de outros que vivem em situações extremas de risco, tenhamos um momento de dedicação de nossos filhos ao Senhor como instrumentos em suas mãos para que venham a ser (e o sejam já, agora) agentes de transformação. Que, movidos pelo amor de Deus em suas vidas, estejam dispostos a correr riscos e a abrir mão de projetos próprios em favor de outros. Correr riscos é andar com Jesus no caminho até Jerusalém. É negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo (Mc 8.31-38).

No caso do Timóteo e de outros filhos de integrantes da equipe Ultimato, será a segunda vez que faremos essa dedicação!

* A definição do UNICEF para crianças em situação de risco é: pessoas com menos de 18 anos que vivem situações como: escravidão ou trabalho infantil, guerra e outras formas de violência, abuso e exploração sexual; doença grave, deficiência física ou mental; abandono, perda da família ou do lar primário. A estas a Viva acrescenta: pobreza extrema e jugo de instituições opressivas.

  1. Senhora,
    Klênia Fassoni,

    Sem querer ir além do que me cabe expressar, a surpresa do meu coração, com o antagonismo de orações:
    Enquanto a mãe de Timóteo ora:
    “Senhor, quero que meu filho corra risco”;
    Já o avô do menino ora:
    “Senhor, coloca a sua volta cercas de proteção”,
    Concluí, então:
    De fato, a Palavra de Deus tem razão, quando diz que: não sabemos orar como convém. Daí porque Deus nos deu o Espírito Santo, para através de gemidos inexprimíveis (oração em línguas), ore ao Pai em nosso favor e o Pai que perscruta os corações sabe qual é o desejo do Espírito, pois é segundo Deus que Ele intercede pelos santos. Romanos (8, 26-27)

    A situação, porque passa o mundo é, na verdade, muito difícil. Não sabemos mesmo, por quem pedimos, porquê pedimos e o que pedimos. Mas o Espírito Santo sabe orar como convém. Nós que cremos que o Pai já nos concedeu TUDO por Jesus Cristo (ou, não cremos nesta Verdade, ainda?), não nos resta senão, viver no descanso da Fé (e o que é viver no descanso da Fé?).

    Com toda certeza, quando os santos, por quem o Espírito Santo intercede junto a Deus, resolve VIVER a PALAVRA de DEUS, em ESPÍRITO e em VERDADE, então o que acontecerá ? “O lobo morará com o cordeiro, o leopardo se deitará com o cabrito. O bezerro, o leãozinho o novilho gordo andarão juntos e um menino pequeno guiará ……A criança de peito poderá brincar junto à cova da áspide, a criança pequena porá a mão na cova da víbora …. Ninguém fará o mal nem destruição nenhuma em todo o meu santo monte, porque a terra ficará cheia do conhecimento do SENHOR,
    Como as águas enchem o mar” (Isaías 11, 6-9)

    Os riscos todos desaparecerão.
    As
    orações,
    Tornar-se-ão
    Desnecessárias.
    Quando
    A VIVÊNCIA da PALAVRA de DEUS
    For uma
    REALIDADE,
    na
    VIDA,
    De cada um,
    De todo aquele que
    CRER
    em
    CRISTO JESUS.
    Com carinho,
    Marlúzia Leão.
    Maceió, 29 de maio de 2008.

    Com carinho,
    Marlúzia Leão.

  2. Estaremos também em oração e vamos levantar intercessores mirins em nossa Igreja para também estarem intercedendo, crianças por crianças e adolescentes por adolescentes orando… Que Deus proteja a todas as crianças e adolescentes e possa livra-las de todo o mal, amém!

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