A Arte Cristã em um Mundo Desencantado
Parte I
Rodolfo Amorim Carlos de Souza *1
L’Abri Brasil e AKET
Já não é nova a afirmativa de que o ocidente compartilha de uma imagem de mundo pós-cristã e secularizada, e de que a forma de se conhecer e relacionar com a realidade modificara-se profundamente, conduzidos pelo avanço técnico e científico e sua eficiência na conquista de progresso em vários campos da vida humana. A moralidade de agora, diz-se, seria mais autêntica e menos dogmática. As visões religiosas tradicionais não teriam satisfeito as novas demandas de um homem emancipado e conhecedor do mundo. Porém, neste breve artigo, argumentamos que uma visão moderna e desencantada do mundo, com origens no período renascentista, é incapaz de fornecer uma visão integradora e profunda da realidade, cooperando para a criação de uma cultura sem princípios orientadores para a vida pessoal e comunitária, conduzindo ao achatamento da vida em suas ricas possibilidades.
Defendemos nas próximas páginas que somente pelo retorno a uma narrativa bíblica da realidade e sua reinserção apropriada no terreno da cultura ocidental, pode o homem contemporâneo voltar a florescer em toda sua potencialidade e desfrutar da shalom, ou plenitude, que procedem da vida intencionada pelo Criador. Neste contexto de retorno a um encantamento maduro da realidade, argumentamos que a arte se apresenta como uma aliada estratégica fundamental, pois possui um modo distinto de acesso e interação com a realidade criada, crescentemente ignorada e incultivada pela mentalidade fragmentada e reducionista de um mundo em desencanto. A partir da constatação sobre o papel estratégico da arte, apontamos caminhos e atitudes passíveis de cultivo pela comunidade cristã na esperança de oferecer uma opção viável ao quadro cultural de desencanto apresentado.
Do Jardim ao Caos: Um mundo em desencanto
Já não encontramos no seio da cultura ocidental uma imagem da realidade na qual os homens se encontrem conscientemente cercados de uma rica ordem criada, com propósito, profundidade e beleza procedente e mantida providencialmente pelo Deus Criador. Distante de nossa rotina está a expressão de uma alma que exulta diante da riqueza da vida na criação, dizendo “Oh Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas” (Sl. 104: 24). O homem moderno já não se percebe como dádiva e imagem de Deus, “pouco menor do que os anjos, coroado de glória e honra” (Sl. 8: 5). Outrora pequeno diante da grandeza de Deus e em espanto em sua rica criação, o homem moderno se tornou simultaneamente maior do que é perante o Criador e menor do que é perante Suas criaturas. Perdido entre sua gloriosa dignidade e comparativa insignificância, controlador de tudo, o homem contemporâneo se encontra entediado com as rotinas vazias de um mundo à deriva no imenso e impessoal cosmo. O acolhedor jardim de Deus fora abandonado pelo indiferente caos. O mistério que inspirava grandes obras e sacrifícios de amor é substituído pela crueza de fatos sem sentido e a legitimada vontade de poder. O homem ocidental, na celebração de sua suposta emancipação das forças de um mundo impessoal e desafiador, encontra-se em um estado de profundo tédio e cinismo, pois se pensa descobridor das causas por trás dos fenômenos que movem a realidade.
Este estado interior enfermo revela-se de forma crescente em múltiplos sintomas. A constante ameaça ao equilíbrio ambiental, a opção preferencial pelo controle racional e técnico da vida e da sociedade, uma base econômica pautada na manutenção de níveis artificiais de consumo, as relações pessoais pautadas no interesse pragmático e na competição *2, o olhar cínico para o fundamento das relações no mundo e das pessoas *3, uma arte altamente abstrata e carente de temática e sentido metafórico *4 e o enfraquecimento da razão em questões de sentido e verdade *5 são alguns dos vários sintomas de uma crise cultural originada pela modernidade e seu afastamento de Deus e suas direções para a vida humana. Pois, como falar em pós-modernidade quando se colhem agora os frutos maduros do abandono pródigo dos domínios do Pai? De fato, vivemos em um mundo desencantado, entediado em sua raiz mais profunda e, reconhecidamente, doente. Um mundo que, não obstante seus expressivos avanços técnicos e sua aparência de liberdade, encontra-se fragilizado e vulnerável diante das grandes questões que envolvem a vida, como o sentido da existência e do cosmo, o consolo real diante da eminente morte, a base da dignidade do homem e uma orientação promissora e justa aos projetos culturais e o trabalho humano. Sem que fundamentos básicos estejam postos, o caminho de uma cultura desencantada está constantemente ameaçado pela barbárie e pelo abuso nas relações entre os homens e a natureza criada.
A Desconfiança de Deus na Raiz do Desencanto
O processo de desencanto já fora percebido e delatado há algum tempo por distintas vozes que reconheceram, em meio ao frenesi e agitação cultural dos séculos XVIII e XIX, o deslocamento de um fundamento que apresentaria mudanças sem precedentes na cultura e vida ocidental. Nietzsche descreveu com as seguintes palavras o que percebeu em meados do século XIX:
Este é o maior evento recente – que Deus está morto. Que a crença no Deus cristão se tornou inaceitável – está começando a lançar suas primeiras sombras sobre a Europa. Para aqueles poucos cujos olhos, a suspeita em cujos olhos são fortes e sutis o suficiente para este espetáculo, algum tipo de sol se pôs; uma antiga confiança se tornou em dúvida; para estes, nosso mundo se tornou mais outono, mais desconfiado, mais estranho, mais velho. Mas no principal alguns podem dizer: este evento é grande demais, distante demais, ainda fora de questão para que estas pistas sejam tidas por presentes. (Nietzsche 1887/2001, p.199).
Segundo o pensamento de Nietzsche, que discerniu de forma incisiva seu próprio tempo, uma aberta desconfiança se instaurou no centro da civilização ocidental em relação à idéia de Deus e suas orientações os homens, evento que apenas iniciava seu processo de transformação da realidade, e que fora percebido por poucos em suas consequências certas e profundas. Com um foco voltado às conseqüências desta reorientação cultural para as práticas sociais da sociedade ocidental Max Weber descreve, em inícios do século XX, como uma profunda racionalização da vida surgira na esteira do abandono de Deus:
Agora as rotinas de nossa vida do dia a dia desafiam a religião. Muitos deuses de outrora levantam-se de seus túmulos; eles estão desencantados, e assim, eles tomam a forma de forças impessoais (…) o que é difícil para o homem moderno, e especialmente para a geração mais jovem, é se mostrar apto para a experiência do trabalho diário (…) o destino de nosso tempo é caracterizado pela racionalização, intelectualização e, acima de tudo, pelo desencantamento do mundo.” (Weber, 1948/2004, p. 149)
Weber, como Nietzsche, percebera de forma clara as conexões entre a dessacralização do mundo e o surgimento de novas forças de controle e organização da vida. Porém, estas novas forças impessoais não apresentam a inspiração necessária para que a vida siga seu ritmo com sentido e propósito. Segundo Kolakowski, em uma análise mais valorativo deste processo cultural moderno:
A cultura, quando perde seu sentido sagrado, perde todo o sentido. Com o desaparecimento do sagrado, que colocava limites a todas as perfeições que poderiam ser alcançadas pelo profano, faz levantar uma das mais perigosas ilusões de nossa civilização – a ilusão de que não há limites para as mudanças pelas quais a vida humana pode passar. De que a sociedade, em princípio, é uma coisa indefinidamente flexível.“ (Kolakowsky, apud Graham, 1990, p. 72)
Uma rica imagem da realidade fora abertamente descartada e substituída. Em seu livro The Discarded Image (1964), C. S. Lewis descreve as diferenças que caracterizam o modelo de representação medieval e o moderno na compreensão da realidade e seu reflexo em produções culturais como as artes, literatura e a ciência. Segundo Lewis, na era medieval, não obstante o desconhecimento sobre variados fenômenos que caracterizam o cosmo material, havia uma conexão interna e profundidade na imaginação humana e concepção da realidade, mais rica e plena de significado em comparação com a era moderna posterior. A centralidade da terra no cosmo, bem como a centralidade de Deus na vida dava, ao mundo medieval, um toque de encanto e de acolhimento. As realidades que circundavam os negócios humanos eram amadas e descritas em seus minuciosos detalhes, consideradas em proporção ao objetivo da própria vida. Segundo Lewis, concluindo sobre os resultados de seu estudo, “poucas construções da imaginação parecem-me ter combinado esplendor, sobriedade e coerência no mesmo grau” que o velho modelo medieval 6.
Mas quais são as motivações centrais e consequências observáveis deste processo de desencantamento na história da civilização ocidental? Como esta forma de imaginar, entender e interagir com a realidade se formou historicamente? Somente a partir deste diagnóstico podemos encontrar caminhos e possibilidades de inserção consciente em nossa cultura, além de trabalhar em possíveis direções de uma recondução saudável da vida humana na criação.
CONTINUA….
*1 Rodolfo Amorim Carlos de Souza é professor universitário com mestrado em Sociologia pela UFMG, especialização em Gestão do Terceiro Setor e graduação em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Estudou teologia no IBIOL de Londres, é obreiro do L’Abri Brasil e membro fundador da Associação Kuyper para Estudos Transdisciplinares (AKET).
*2 Para a discussão dos limites ambientais e econômicos intrínsecos ao sistema capitalista moderno e seu foco no progresso, cf. Goudzwaard, Bob. Capitalism and Progress: A Diagnosis of Western Society. Wedge Publishing Foundation, Toronto, 1978, pp. 121-142. Schuurman, E. Faith and Hope in Technology. Clements Publishing, Toronto, 2003, pp. 111-133.
*3 Para uma penetrante análise sobre as raízes e consequências do cinismo contemporâneos, cf. Keyes, Dick. Seeing Through Cynicism: A Reconsideration of the Power of Suspicion. IVP Books, Downers Grove, 2006.
*4 Sobre a crise moderna das artes, cf. Rookmaaker, Hans. Modern Art and the Death of a Culture. Crossway Books, Downers Grove, 1994.
*5 Para uma discussão sobre a crise contemporânea no sentido de verdade, cf. Midleton, R. J. e Walsh, B. J. Truth is Stranger than it Used to Be: Biblical Faith in a Post Modern Age. IVP Books, Downers Grove, 1995, pp. 28-45.
*6 Cf Lewis, C. S. The Discarded Image: An Introduction to Medieval and Renaissance Literature. Cambridge, Cambridge University Press, 1964, p. 198-216.
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há 2 anos atrás
Caro Rodolfo,
Acho no mínimo estranho eu comentar aqui, quando na verdade eu ainda aguardo seu comentário em nossa discussão sobre o mesmo tema em meu blog.
Peculiaridades da Rede que possibilita esta autonomia em forma de mobilidade sem que isto pareça indelicadeza ou coisa pior.
Mas vamos lá… Seu pensamento se ancora no pressuposto de que, se a modernidade decretou a morte de Deus e a soberania da racionalidade humana, toda a criação artística deste momento bem como aquela influenciada por ele, estará comprometida, longe de Deus e, espera-se, longe da fruição daqueles que o buscam. Pela lógica aqui exposta, se estas manifestações culturais não revelam Deus e sua criação, não será através delas que estaremos mais próximos de Deus e sua realidade criada.
Antes de mais nada, creio que em seu próprio texto encontramos evidência do contrário. Você cita muito bem Nietzsche como o filósofo que talvez melhor reconheceu seu tempo, arrisco dizer que mais do que qualquer cristão do seu tempo, que tenhamos notícia. Por mais que você defenda o reencantamento, não pode deixar de reconhecer a dívida que tem com almas “desencantadas” (deixo claro que não as considero) como Nietzsche e Foucault, por exemplo.
Não pode deixar de reconhecer que a arte desencantada de Pablo Picasso, nos deu uma Guernica, simplesmente a obra que talvez melhor representou o que foi a segunda guerra em uma imagem.
Guardada as devidas proporções, sua linha de raciocínio se assemelha em muito a dos nazistas quando o assunto é arte moderna. Já ouviu falar na mostra de arte degenerada realizada em 1937 em Munique? Conhece o documentário Arquitetura da Destruição?
Pois bem, para Hitler e seus camaradas a arte moderna com suas representações caóticas e abstratas da realidade eram a prova mais evidente da degeneração das raças não arianas. A boa representação da realidade que deveria voltar a ser seguida era a representação grega clássica com sua pureza e beleza estonteante, feita com rigor e decoro (para lembrar Rook), sempre obediente as normas de composição e proporção. A representação daquilo que você chama de realidade criada e que foi realizada no passado por uma arte típica de um mundo mais encantado, está próxima desta mesma arte clássica defendida pelos nazistas. O que estes chamavam de degenerado há decadas atrás, você chama hoje de desencantado. Se para aqueles o problema era a raça (corpo) para você e suas influências teóricas a questão é o espirito. A história provou que o problema mesmo era da ordem da ignorância.
Para além disto, gostaria que você entendesse, algo que venho tentando explicar desde meus comentários no blog. Você e autores como Rookemaaker querem medir a arte moderna com uma régua clássica, no máximo pré-moderna. Tal empreendimento é anacrônico e só gera equívocos.
O artista moderno, diferente do passado, não se coloca diante do publico como simples testemunha ou intérprete da realidade, mas como operador. Não se trata mais de só representar realidades, mas constituir e legítimar a arte enquanto uma nova área de conhecimento, tão relevante quanto qualquer outra. Do espectador não se espera mais a contemplação passiva, mas reações que o tornam mais que mero participante, um co-autor da obra. Estas mudanças auteraram as regras do jogo tornandoo não pior ou melhor, mas diferente e definitivamente mais complexo. Se você começa a entender este novo paradigma, passa a compreender a relevante contribuição de toda arte moderna na introdução de signos que nos permitem melhor entender nosso mundo. Começa a sacar que Agostinho e Calvino são muito bons, mas que Sartre e Kant trouxeram contribuições também importantes das quais preciso conhecer e respeitar.
Sua declaração sobre arte moderna: “é uma arte altamente abstrata e carente de temática e sentido metafórico” só revela um juízo apressado e ignorante sobre o assunto. Longe de carência, o que temos a partir da arte moderna é uma ampliação das temáticas, bem como das formas, materiais e linhas de construção de sentido.
Bem próximo a Belo Horizonte no municipio de Brumadinho, temos o Instituto Inhotim, maior centro de arte contemporânea da América Latina. Atualmente trabalho em Inhotim com arte e educação e estou a sua disposição para uma visita, creio que a partir daí, essa visão de carência e total desencanto possa se transformar, ou no mínimo reconhecer a existência legítima de outros pontos de vista.
Finalmente, não considero a categoria “arte cristã”, pelo mesmo motivo que não considero comidas cristãs ou roupas cristãs, ciente de que a culinária e o estilismo são manifestações artísticas. Tanto para o universo da Arte quanto para os conhecedores do Reino, a categoria arte cristã não existe.
Porém, gostaria de lhe dar um toque. Se eu acreditasse em arte cristã como você, sugeriria ao artista cristão que, antes de se preocupar com temas e uma estética que represente com fidelidade a realidade criada, se alfabetizase visualmente. É muito importante saber que antes de lançar um livro, se aprende primeiro a ler e escrever. A chamada música cristã atual é carente em termos de tema e musicalidade por falta de uma alfabetização musical antes do impulso em transmitir valores.
Entenda que o momento em que vivemos este cristianismo brasileiro é de defasagem cultural e o foco é no sentido da formação tanto de publico quanto de produção. Já passou da hora do discurso evangélico preocupado com cultura caminhar no sentido do incentivo ao conhecimento, no humilde reconhecimento de sua ignorância histórica e conceitual da arte. Vamos correr atrás do tempo perdido antes de impor mais barreiras àquilo que sequer conhecemos.
há 2 anos atrás
Olá Leandro.
Antes de tudo gostaria de agradecer a visita a nosso Blog.
Em resposta ao seu comentário queria informar que o enviamos ao autor do texto (Rodolfo Amorim), para que o mesmo tenha a oportunidade de respondê-lo da forma que lhe agradar.
O movimento Arte em Foco busca instigar e fomentar no meio cristão a discussão sobre a Arte, por isso mais uma vez agradecemos sua colaboração através de seu comentário. Por se tratar de um assunto de muita polêmica no meio, gostaria de pedir que continue acompanhando as postagens de nosso Blog para que com sua contribuição possamos a cada dia fortalecer o movimento Arte em Foco.
Mais uma vez obrigado pelo comentário e deixo o convite: Participe de algum de nossos fóruns em 2011 (em breve as datas no Blog), para que possamos debater e caminhar para um denominador comum em relação a Arte. Sua presença será relevante!
Atenciosamente
Jonathan Anchieta
Administrador Blog Arte em Foco
há 2 anos atrás
Caro Leo,
Respondi, em seu blog há uns dois dias suas observações. Peço perdão pela demora. Não consegui postar a segunda parte, pois sempre uma era apagada. Tentarei novamente em breve.
Antes de responder às suas apressadas críticas (pois faltam pelo menos umas quatro partes do texto), antecipo que muito de seu argumento se assemelha ao que defendo em relação à arte e o cristão. Creio que há uma falta de aprofundamento mútuo nas visões de arte aqui inclusas. Muito do que teme em relação à arte também compartilho, apesar de não parecer À primeira vista. Ao afiarmos nossa discussão, e compreendermos melhor os conceitos um do outro, creio que isso virá à tona.
Uma nota cabe no momento. Seu temor de uma expressão semi-nazista e totalitária em posições como a introduzida neste pedaço de texto é, ao meu ver, exagerada, beirando ao cômico (…sem desrespeito). Sou mais pós-moderno do que pensa. Estou apenas assumindo uma posição a partir de uma tradição específica. Não tenho pretensões de transcendê-la e assumir um ponto de vista mais elevado e neutro de arte. O que inicio a desconfiar, e temo, seja seu caso. E antecipo que não sou Rookmaakeriano em minha concepção do belo e do estético.
Mas em breve, à medida que o texto se desenvolver, e se continuar na mesma posição, respondo suas observações de forma apropriada.
Gostaria, sim, que me mostrasse um dia algo no Inhotim que me impressionasse mais do que seus lindos jardins.
Abs,
Rodolfo Amorim.
há 2 anos atrás
Caro Leandro,
Eu não tenho nada a ver com o Arte em Foco (além de acompanhar), mas preciso dizer algumas coisas, com toda a franqueza (sei que vou irritá-lo, mas tenho que dizê-lo), depois de ver um pouquinho do seu trabalho:
1) Há uma desproporção entre as suas dimensões (ao menos pelo que vi no Blog) e a gravidade das suas críticas. Para quem sabe um pouco de Rookmaker e do movimento que ele representa, é claro como o dia que você nada sabe sobre Rookmaker sobre do movimento que ele representa.
Bem, isso não é um defeito. Ninguém tem que saber tudo. Mas o problema é que você fala de Rookmaker como se o conhecesse. Só não parece mais ridículo do que é porque quase ninguém conhece Rookmaker por aqui. Mas ouça bem: metade dos melhores pensadores cristãos no campo da arte atualmente apenas sorriria diante das suas críticas.
Jeremy Begbie, por exemplo; ex-professor da Universidade de Cambridge, atualmente professor na universidade Duke (EUA), músico, teólogo e historiador da arte. Ele considera Rookmaker uma de suas matrizes intelectuais. Mas há muitos (muitos) outros.
Bem, o que Begbie pensaria? Talvez ele dissesse a si mesmo: “puxa, que sujeito corajoso. Ele deve ser muito fera mesmo, talvez um gênio ainda não descoberto”. Mas acho que provavelmente ele diria o seguinte: “é cada um que aparece…”
Enfim, não vou dizer que não estou desmerecendo as suas críticas, porque estou mesmo. Acho que se você tivesse um pouco de autocrítica, não teria feito seus ataques com tanta ousadia, como se fosse a cereja do Bolo.
Sim, é um “Ad Hominen”. Mas no seu caso, é merecido.
2) O problema está provavelmente mais embaixo. Tem um monte de gente, especialmente gente ligada as certas correntes do movimento cristão Underground, que pensam que vão tornar o cristianismo mais dinâmico e palatável interpretando-o à luz de uma ou outra forma de pensamento humanista secular. Só para dar exemplo da política (nada a ver com o seu caso): há uma turma que pensa que vai conseguir fundir cristianismo e anarquismo. Que viagem, né?
Bem, dei esse exemplo para sugerir-lhe que você reconsidere suas categorias de análise. Ou, em outros termos: de que forma a sua fé cristã interfere nas suas categorias de análise? Como você vê a relação entre cristianismo e cultura/pensamento teórico? A impressão que você passa é que não tem categoria nenhuma. Se estou errado, mostre as suas cartas.
Guilherme
há 2 anos atrás
Rodolfo,
aguardo ansiosamente o complemento do seu texto, para que possamos continuar esta conversa virtual de forma sadia e agradável. Quanto aos jardins de Inhotim, nunca será minha pretenção lhe apresentar uma obra que rivalize. Esta comparação “lugar comum”que ouvimos muito de visitantes na realidade não possui razão de ser.
Um abraço.
há 2 anos atrás
Guilherme,
Muito me surpreendeu seu comentário. Veja bem, como atores sociais estamos em um campo (ainda que virtual) onde o seu capital simbólico é infinitamente maior que o meu, se é que possuo algum. Como pastor, filósofo, teólogo, e outras coisas mais, você se constituiu como parte da intelligentsia cultural evangélica do país. Dadas as proporções, é triste ver como os escritos de um amador, sem categoria alguma, parte do chamado underground cristão, um reles mortal pseudo pós-moderno, pôde fazer “descer do salto” um homem tão culto e de aparência amável como você. Por um momento, juro que cheguei a duvidar que o comentário acima fosse mesmo seu. Suas palavras aqui cheiram à mais fétida soberba acadêmica, e contra o quê? Provocações de um jovem rebelde? Esperava mais, muito mais…
Pelo visto você vasculhou a crítica que faço ao livro de Rookmmaker em meu blog, mas talvez não tenha visto o mea culpa que faço nos comentários ao Rodolfo. Deixo aqui as palavras lá contidas para você também:
“Reconheço primeiramente, que minha crítica possui vários excessos, faltando em alguns pontos humildade e respeito. Reconheço também ser um amador. Como jovem, tenho muito ainda o que aprender. Tirando os excessos que em nada acrescentam, há questões importantes que defendo no texto e que gostaria de continuar partilhando e discutindo com você.”
Acredito não ser necessário o conhecimento das obras completas de um autor para criticar ou discordar de determinada idéia do mesmo. Muito menos acredito de forma tão veemente na relevância do fato de acadêmicos cristãos terem Rook como matriz intelectual, seria surpreendente se não o tivessem. Aliás, só metade? Não me interessa este tipo de peso e medida, mas mesmo que chegue a interessar, tal modelo de aferição virá como prejuízo para seu argumento. Alguns cristãos podem ter Rook como referência, mas no contexto geral da Arte suas idéias não têm ressonância significativa. É um discurso que só encontra refúgio no gueto evangélico com suas estranhas categorias como: arte cristã, artista cristão, crítico cristão, museu de arte cristã (?!)
Você se apresenta neste comentário com uma arrogância tal, que tem coragem de falar por Jeremy Begbie no intuito de ganhar mais legitimidade. Para que isso, meu irmão?
O problema Guilherme, é que para você uma simples conversa se transformou num jogo, onde você desesperadamente quer ganhar, mesmo que seja de um iniciante. Mostrar as cartas? O espaço aqui é Arte em Foco, pelo visto você perdeu o foco da arte e de outras coisas mais neste comentário infeliz.
O foco principal do meu comentário crítico nesta discussão e que até agora foi ignorado é este:
“O artista moderno, diferente do passado, não se coloca diante do público como simples testemunha ou intérprete da realidade, mas como operador. Não se trata mais de só representar realidades, mas constituir e legitimar a arte enquanto uma nova área de conhecimento, tão relevante quanto qualquer outra. Do espectador não se espera mais a contemplação passiva, mas reações que o tornam mais que mero participante, um co-autor da obra. Estas mudanças alteraram as regras do jogo tornando não pior ou melhor, mas diferente e definitivamente mais complexo. Se você começa a entender este novo paradigma, passa a compreender a relevante contribuição de toda arte moderna na introdução de signos que nos permitem melhor entender nosso mundo”.
A brincadeira agora não se trata mais de “mimeses” simplesmente, mas de “diegeses”, sacou?
O que penso até o momento sobre cultura e cristianismo é muito pouco e em permanente contrução, considerações pobres para um intelectual da sua envergadura, mas espero um dia chegar a sua estatura, livre da arrogância que só a maturidade parece oferecer, e que podemos ver, não é uma regra.
há 2 anos atrás
Leandro,
não fui arrogante com você não. Eu quis apenas aplicar-lhe um choque para ajudá-lo a voltar para o real. Arrogante foi a sua crítica desinformada.
Olha só: você foi extremamente arrogante com o Rodolfo e com Rookmaker. Daí, leva uma sentada e chora? Meu amigo, vê se cresce. Temos um nome para essa síndrome de auto-vitimização: “Fraldinha”. Se não queria levar safanão, não deveria ter jogado pedra. A propósito, já que vc gosta de Nietszche: não vamos deixar você “virar” o jogo e virar vítima não, tá? Para o seu próprio bem.
Bem, eu sabia que ia doer, e que vc não ia engolir bem. Mas que seja. Ao menos se lembre do que eu disse – tenha mais respeito por grandes autores cristãos antes de desfiar críticas pesadas na internet, achando que ninguém está vendo.
Amabilidade: bem, há tempo pra tudo, de acordo com Eclesiastes. Por alguma razão, não penso que sua crítica (que não foi só teórica, mas desproporcional e injustamente banalizante) merecesse respostas amáveis. A sua palmada foi merecida. Foi uma palmada espartanamente merecida, para que você não pense que se protegerá bancando a vítima.
Enfim, podemos discutir idéias. Mas pense bem: você disse que “traduzir Rookmaker foi um desserviço”, e depois comparou as idéias do Rodolfo a “Hitler”. Isso não é discutir idéias, nem é jogar limpo. Agora assuma que sua aproximação foi perfeitamente inadequada e recomece. Sem chororô.
Eu, “intelligentsia”? Ah, me ajuda. Se eu fosse do establishment eu nem estava lhe respondendo, meu amigo.
há 2 anos atrás
Guilherme,
O Rodolfo, além de homem grandinho, se revela bem mais sábio que você. Não entendo a necessidade de sua defesa tipo mãe magoada. Seu filhinho já é grande e sabe bater, mas elegantemente não se mostrou ferido, você sim.
Em nenhum momento me coloquei como vítima, apenas servi a carapuça que me deu, colocando nós dois em seus devidos lugares. Convenhamos, quer você goste ou não, a soberba ficou mais feio em você que em mim.
Se algo doeu nessa história, doeu em você, papai. E para destribuir tanta “palmadinha e sentada”, parece ter doído muito.
Ah, quando te coloco como parte da intelligentsia evangélica, não me refiro ao grande establishment, mas ao neo-establishment calvinista que por aqui gira em torno de você e outros. As dimensões são menores, claro, mas a arrogância parece caminhar na mesma proporção, e isto já é notável para muitos, creia se quiser.
Em todo caso, quando a mágoa passar, tente entrar na discussão sobre Arte, sei que você pode, aliás, faça isso em meu blog, na crítica ao Rook, muita coisa aqui já não tem sentido, o bonde lá já andou. Desconstruindo minhas idéias, talvez você consiga me deixar verdadeiramente doído, e será aquela dor do aprendizado. Com suas “palmadas” você só me faz rir e sentir pena.
há 2 anos atrás
Leandro,
bem, num ponto vc está certo. Em mim doeu mesmo, e isso está evidente. Afinal, eu gosto muito de Rookmaker. Não apenas “gosto”; acho que ele é um pensador essencial para futuros avanços genuínos na questão da relação entre arte e cristianismo. Me senti mesmo “doído” e até penalizado com seu desprezo apressado e ignorante desse autor.
Agora, não tente diminuir o que você fez não, Leandro. Você se adiantou para desmerecer e diminuir a obra do cara antes mesmo de outros o lerem, e antes mesmo de você entendê-lo. Cara, isso foi mau, muito mau. Eu me senti ofendido com isso porque entendo Rookmaaker, e que o você fez foi mau. Coisa de gente ressentida, que trabalha nas entrelinhas, promovendo preconceitos antes mesmo de formar conceitos.
Exemplo: eu sou especialista em um teólogo do qual discordo completamente: Paul Tillich. Já li quase tudo o que ele escreveu. Sou membro da Sociedade Tillich, ja apresentei vários trabalhos sobre ele nos congressos da associação, escrevi uma dissertação sobre ele. Mas entendo que as conclusões dele sobre as coisas essenciais foram completamente erradas.
Mesmo assim, Tillich é um inimigo intelectual digno de respeito. Do tipo que a gente faz uma mesura respeitosa, depois de abatê-lo no duelo (caso sejamos capaz de fazê-lo).
Eu JAMAIS diria, apesar de considerar Tillich um herético, que traduzir suas obras para o português seria um “desserviço”. Isso, sim, seria nazismo. Mas foi o que você disse sobre Rookmaker. E até agora não ouvi nenhuma retratação sua.
Você não se mostrou um oponente digno. Você foi desonesto, com o autor e com aqueles como o Rodolfo que promovem a obra, tentando desqualificá-la antes mesmo de engajar-se de modo responsável com ela. Não tente maquiar isso, nem desviar os olhos de ninguém. Se alguém aqui foi arrogante, esse alguém foi o Leandro. Ouviu bem? O LEANDRO.
Não escondi de ninguém o meu desconforto e a minha “dor” com seu tratamento da questão. Mas que fique claro; meu desconforto não foi com a divergência. Já cansei de ir a congressos científicos e divergir de forma responsável. O seu caso foi completamente diferente, pois suas críticas não se fundamentam no conhecimento, mas no ressentimento (que saiu sei lá de onde. Provavelmente Rookmaker tocou em algum trauma seu).
Finalmente: ria se quiser. Mas não devia ter rido. Devia é ter se envergonhado. Devia engolir o seu riso. E também não devia dizer que sentiu “pena”, pois isso foi mentira, e quem fala mentira não vai pro céu não.
Não vejo propósito em discussões teóricas com alguém que fala do que não sabe com o tom de voz que você usa. Disponho-me conversar com pessoas que fazem perguntas honestas, Agora isso sou eu: o Rodolfo é outra pessoa. Se ele der conta de você palmas pra ele.
E mesmo que acabe se irritando definitivamente comigo, não se irrite com Rookmaker, Leia Rookmaker com a mente aberta. Leia direito, e não leia apenas o livro mais simples, fininho e resumidinho que ele escreveu na vida (a partir do qual você chegou às suas ousadas conclusões). Isso poderá ajudá-lo a fazer uma genuína contribuição intelectual.
há 2 anos atrás
Guilherme,
Fico feliz com a mudança em seu tom, começa a cair bem melhor em você.
Você não ter visto nenhuma retratação minha se deve ao fato de você não ter acompanhado a discussão que promovo com Rodolfo em meu blog e ter vindo aqui expor sua ira fora do contexto. Lá, depois de minha retratação, demos inicio a uma ótima conversa livre da arrogância. Com nobreza, seu amigo Rodolfo me fez reconhecer os excessos e bobagens em meu texto, depois disso e até agora, o debate lá foi produtivo, diferente deste aqui com você.
Para você ficar mais calmo, deixo aqui parte de minha última resposta ao Rodolfo, onde continuo me retratando:
“Creio que muita coisa mudou desde que escrevi minha crítica ao livro. Se fosse fazê-lo hoje seria em um tom de mais humildade, respeito, e de forma mais curiosa do que arrogante. Em meu comentário no Arte em Foco, também não fui feliz na relação que fiz com a estética nazista. Entenda que em momento algum associei você ao nazismo diretamente (pelo amor de Deus), a única relação possível que tentei fazer, em um momento inoportuno, está na adoção de um juízo de valor estético, ancorado em Uma Verdade, que considera como degradante, pobre, desencantado, etc, outros modelos estéticos. Pelo tom que tenho visto nas palavras de Rook e Kuyper acerca do uso ilegítimo da arte, não seria espantoso, caso tivessem a oportunidade, se eles colocassem toda esta produção ilegítima em uma grande fogueira redentora.“
Quanto ao seu rigoroso modelo acadêmico de produção intelectual genuína, não me interessa, muito menos impressiona. Como disse no comentário anteiror:
“Acredito não ser necessário o conhecimento das obras completas de um autor para criticar ou discordar de determinada idéia do mesmo.”
A única especialização que me interessa é a anti-especialização. Seu discurso acadêmico super moderno acaba por produzir palavras sintomáticas que aparecem no seu discurso como: duelo, oponente, inimigo, etc. Prefiro caminhar na contramão deste discurso, soltando o que penso na rede. Não tenho pretensões maiores. Sua participação aqui enquanto especialista só comprova a potência deste novo modelo pós-moderno, enquanto você diz” não querer dar conta de mim” já perdeu boa parte do seu tempo nessa discussão, palmas para você.
E sim, senti pena ao ver você “descendo do salto” e partindo para o “Ad Hominem”, não é mentira não!
há 2 anos atrás
Ok Leandro.
Dou-me por satisfeito que você tenha começado a consertar a aproximação inadequada do assunto. Do jeito que a coisa estava andando, ia acabar prestando um “desserviço” ao diálogo fé+arte.
O “meu” modelo de aproximação “rigorosa” não é moderno, nem de especialista. Eu não sou especialista em Rookmaker. O “meu” modelo é mais velho que a Academia de Platão. É o modelo: “Entenda primeiro, critique depois”.
Vc não precisa conhecer as obras completas de Rookmaker não, de jeito nenhum. Eu acho que se você conseguir entender “A Arte não Precisa de Justificativas”, já será um bom começo.
Vi sua última resposta ao Rodolfo e achei louvável o seu reconhecimento de que chegou junto de forma inadequada. Bom sinal. Espero novos e melhores desdobramentos. Acredito que você tem condições de entrar em um bom diálogo com o Rodolfo, que sabe muito mais do que eu sobre arte, cristianismo e Rookmaker. A questão é que alguém precisava ajudá-lo a acordar, então eu usei o meu copo d’agua. Agora você pode me esquecer e conversar direto com quem entende do assunto.
“senti pena ao ver você “descendo do salto” ???
Não sei de onde você tirou essa história de “descer do salto”. Eu nunca tentei cultivar uma imagem de “bonzinho=palerma”. Quem me conhece sabe que eu sou bonzinho só às vezes. Dependendo da besteira que eu ouço, e de quem a pronuncia, não sou mais bonzinho. Não tenho posições denominacionais, políticas ou o que seja para proteger. Aliás, se alguém acha que ser bonzinho é nunca ficar bravo, então saiba desde já: eu sou um cara mau.
A propósito, se dentro dos seus padrões de bondade o cristão nunca deve irar-se, agir e denunciar a injustiça, vc está com sérios problemas, do seu primeiro ao seu último comentário. Nesse caso, sinta pena de você mesmo, não de mim. Eu só estou sendo eu. Agora, você está sendo o que acha que não deveria ser.
“Duelo, oponente, inimigo” – ora, isso é ser honesto e ter hombridade. Não é possível juntar tudo não, Leandro. A propósito, Deus tem inimigos. Jesus tinha inimigos. E não há nada errado em ter um oponente intelectual. Eu tenho amigos (veja bem, amigos) que são meus oponentes intelectuais. Agora, estabelecer uma oposição evidente e mordaz como a que vc estabeleceu com Rookmaker e dizer que “não trabalha com essas categorias” é hipocrisia. Nada mais honesto que um bom debate feito dentro das regras. Agora, quem sai das regras não pode reclamar. Aí, meu amigo, é “Ad Hominem”.
Agora, há uma questão que você ainda não encarou, Leandro. E é uma questão séria. Você criticou Rookmaker empregando categorias modernas-seculares, e em nenhum momento demonstrou compreensão de como o cristianismo deve alterar e informar essas categorias. Mas cara, cristianismo não é só um estado de espírito não. Ele tem impacto material e categorial. Eu ainda acho que a sua crítica não se deve apenas a uma divergência teórica não. O problema é mais embaixo, e isso é o que o incomodou.
Sugiro que na verdade você não percebeu que está mais comprometido com a mente secular do que com a fé cristã no que tange ao seu pensamento sobre arte. Não porque eu tenha algum acesso misterioso à sua alma, mas com base na sua avaliação do pensamento de Rookmaker. Continuo perguntando: onde o cristianismo entra em suas categorias de avaliação do pensamento secular?
há 2 anos atrás
Acho que as outras partes do texto do Rodolfo estarao a disposiçao em pouco tempo. Gosto da historicidade do texto para que o se firme e se construa ideias. Enquanto aguardo as outras partes gostaria de citar o Marcos da Ultimato…”A arte não é neutra. O estilo de vida, os relacionamentos, o modo de pensar, as atitudes formam um belo — ou horrível — retrato da influência dos diferentes campos da cultura sobre os nossos tempos. E, exatamente por isso, é importante lembrar Abraham Kuyper: “Não há um único centímetro quadrado em todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: é meu!”.
Marcos Bontempo.
Na Esperança.
há 2 anos atrás
Vejo que você quer mesmo dar conta de mim, hein! Pelos meus cálculos você já perde mais tempo comigo do que o Rodolfo, e agora com ares até de psicanalista ou discipulador.
Você diz que eu não entendi “A Arte não Precisa de Justificativas” e ao mesmo tempo diz que não é um especialista em Rookmaaker. Estranho. Não neguei até agora que minha crítica contenha uma série de erros, mas aquilo que entendi e discordo teoricamente e subjetivamente, continua em plena discussão com o Rodolfo que é o entendido do cara.
Veja bem, quando digo que você “desceu do salto” não quero dizer que você tenha sido mau ou que deveria ter sido bonzinho. Sua atitude foi mais idiota mesmo. Primeiro, você me colocou como uma criança chorona e sem categoria, para logo em seguida me colocar como um oponente. Ao mesmo tempo em que você dizia bater na criança, queria jogar e ganhar dela (adulto com atitude de adolescente). Primeiro você vem dizendo que vai me irritar e fazer doer, em seguida confessa que quem ficou doído foi você. Eu cutuquei a onça com vara curta sim, e ver você irritadinho do alto da sua intelectualidade e posição foi no mínimo engraçado. Da próxima, faça como você acha que Jeremy Begbie teria feito.
Onde o cristianismo entra em minhas categorias de avaliação do pensamento secular?
Eu só poderia responder que sei mais sobre o que não quero e não compartilho, do que aquilo que considero ser o certo. Não possuo e nem desejo possuir nenhuma teoria sistemática da relação entre arte e cristianismo. Aliás, sua pergunta no momento não faz nenhum sentido para mim, haja vista que não acredito nesta relação cristianismo X secular.
Os meus poucos pensamentos não sistemáticos, fragmentados e até absurdos, não poderiam estar de outra forma, se não em permanente construção e desconstrução. O que penso sobre Rook é uma prova disso. Talvez em breve eu escreva algo sobre o que penso até agora sobre arte e fé, mas por enquanto dá pra você sacar acompanhando minha conversa com o Rodolfo no blog.
Continuo afirmando que não defendo as categorias belicosas de debate, muito menos suas regras. Você tem razão quando diz que na crítica ao livro usei destas categorias, o que me arrependi. Por algum motivo algumas falas de Rook me fizeram perder a compostura, mas isto deixemos a cargo do meu “psicanalista”.
Já me dei por satisfeito como você, e seguirei seu conselho, a partir de agora irei lhe esquecer e conversar direito com quem entende do assunto.
Se você considera isto um jogo ou batalha, declaro-o vencedor. “Ao vencedor as batatas!”
há 2 anos atrás
Não, Leandro, eu não venci nada. Pra mim não é jogo nem batalha. Nem quero ser seu psicanalista, nem seu Pai, nem seu discipulador.
Eu só acho que vc deveria admitir que não foi injustiçado. O que aconteceu é que vc se expôs demais, do jeito errado, e fica aí tentando se justificar. Pára com isso homem!
Olha, Leandro, você, por alguma razão, fez uma imagem falsa de mim (boa demais? talvez) antes da minha entrada dura em sua canela. Vou desculpá-lo por me chamar de idiota, porque sei que doeu.
Mas não vou fazer o que Jeremy Begbie faria, porque eu não sou o ex-professor de Cambridge. Eu sou militante, e não sou um acadêmico. Assim sendo, lembre-se de como eu sou chato antes de tecer seus comentários ousados. Pois eu não vou ignorá-los (como Begbie provavelmente faria). Critique a tradição reformada, o neocalvinismo, a teologia evangélica, a filosofia cristã, se quiser. Mas saiba que se eu estiver por perto você terá que me engolir.
E certamente eu concordo que você fará bem conversando com o Rodolfo.
Quanto à minha última pergunta: de fato, você confirma explicitamente o que as observações anteriores aparentam. Que você tem pouco interesse em relacionar seu cristianismo com seu pensamento sobre arte. Mas isso é um problema cara. Essa é razão porque você não entendeu Rookmaker. É porque você não entendeu que não dá pra manter o coração cristão e a mente pagã. Tudo bem se vc fosse simplesmente um pagão fazendo isso, mas como você é cristão (e acredito em você), então vc não deveria se surpreender que eu questione suas categorias de análise. Quem se diz cristão e quer analisar as coisas, tem a OBRIGAÇÃO de ter categorias cristãs de análise.
O que faz um pensamento correto não é somente ele estar de acordo com o “mainstream” do campo (no seu caso, arte contemporânea), mas ele fazer justiça ao Evangelho. Todo cristão tem direito de questionar o outro sobre isso. E a Bíblia manda a gente renovar a mente a partir do evangelho. Esse negócio de “metamorfose ambulante” não funciona pra crente não.
No fim das contas, o fato de você não ter nenhuma teologia é problema grave, pois vc termina desse jeito aí, super “dogmático” quanto ao que o establishment artístico contemporâneo diz (afinal, as discussões do Rookmaker “ficaram para trás”, né?), e sem opinião sólida quanto ao que a teologia cristã diz. Que tipo de pensamento vai sair disso, meu Deus?
Quanto a mim, eu admito que sou reativo mesmo. Fiquei “irritadinho”, como disse. Mas ficar irritadinho é coisa de gente (especialmente diante de coisas irritantes
). O fato de eu ter ficado irritadinho só mostra que nisso eu não sou tão diferente de você. Porque a surpresa?
Bem, eu não queria ficar chamando vc de criança, mas esse negócio de espiaçar os outros e depois ficar rindo quando eles se irritam é coisa de adolescente. Falando desse jeito, você acaba justificando a minha linguagem de “palmadas”.
Uma citação sua:
“Você diz que eu não entendi “A Arte não Precisa de Justificativas” e ao mesmo tempo diz que não é um especialista em Rookmaaker. Estranho.”
Tem nada de estranho não. Eu não disse que é preciso ser especialista para dizer nada (a gente concordou sobre isso, né? Afinal, vc também disse que é contra essa cultura acadêmica do especialista). O que eu disse é que a crítica precisa ser proporcional e dentro das regras do debate intelectual.
Para criticar o Rookmaker vc não precisa ser especialista, basta entendê-lo, compreender seu contexto, as categorias que ele empregou. O problema é que você o criticou duramente antes de entendê-lo. Você quis dinamitar a ponte inteira usando uma granada de mão. Você inclusive admitiu acima que lhe faltam categorias teológicas e filosóficas cristãs para julgar qualquer coisa. Se isso é verdade, você não deveria ter ido mais devagar?
Mas ok, vc já admitiu isso para o Rodolfo, ao menos. Ficamos assim, então.
há 2 anos atrás
Seus comentários anteriores contradizem boa parte deste último e nem vou perder meu tempo apontando, mas entendo também que a contradição faz parte da contemporaneidade.
De resto, você agora parte para uma tentativa, novamente digna de pena, de intimidação (como se isto fosse possível). “Cuidado hein, estou por aí apostos e de olho em você!” Você vai ter de me engolir! Rsss..
Por fim, sem me conhecer e na ausência de uma opinião sistematizada, a partir de poucos comentários, julga minha fé , crenças e até preferências artísticas com base na sua teologia (vindo de um calvinista nenhuma surpresa). Para você, pode fazer todo o sentido, mas para quem possui conceitos diferentes acerca do que seja cristão, religião, teologia, não faz sentido algum este tipo de análise.
Você tocou em um ponto chave. Eu não tenho teologia, talvez até tenha, dependendo do que chamamos teologia. Se tiver, é do tipo aberta, bem aberta! Isto é grave mesmo, gravíssimo, ao mesmo tempo em que nos torna menos “graves”.
Agora, você associar a falta de teologia com ser dogmático quanto ao que o “establishment artístico contemporâneo” diz, é julgar alguém que você não conhece, o mesmo erro que você apontou em mim quanto ao Rook.
O que o establishment artístico contemporâneo diz? Você sabe? De que establishment você fala?, porque é mais de um. Até agora o que publiquei sobre arte contemporânea foi um comentário simples acerca de sua importância, mas daí ser dogmático quanto a suas estruturas é bem diferente. Se há um discurso dogmático aqui, é o que você defende. O meu, além de aberto, ainda mal se delineou.
há 2 anos atrás
Caro Leandro você demonstrou nível intelectual tão pequeno diante dos outros comentaristas que deve desculpas pra todos os internautas! Mais humildade cara.