Por Dave Bookless

Os problemas ambientais da atualidade são tão complexos que muitas vezes parecem não ser passíveis de tratamento.  Para lidar com eles precisamos não apenas de política, economia, ciência e tecnologia.  Também necessitamos de muita sabedoria para avançarmos rumo a um mundo mais justo e sustentável.  Mas onde podemos encontrá-lo?

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O rei Salomão ficou conhecido por sua sabedoria.  Em resposta à oferta SURPREENDENTE de Deus “Peça o que quiser que eu lhe faça” poderia ter pedido segurança, prosperidade, saúde ou felicidade, mas, em vez disso, escolheu sabedoria.  Sendo assim, “Deus deu sabedoria à Salomão e muito discernimento, e uma porção de discernimento sem medida como a areia do mar”.  Hoje tendemos a pensar em sabedoria primeiramente como autoconhecimento e compreensão da sociedade humana.  Ao arbitrar sobre questões humanas sabiamente (como no caso famoso em que duas mulheres se diziam mães de um mesmo bebê) o cerne da sabedoria de Salomão repousava em outro lugar.

O mestre Ellen Davis, ao escrever sobre o livro de Provérbios, diz que “sabedoria significa ser detentor de duas coisas ao mesmo tempo: ter discernimento a respeito do mundo aliado à obediência a Deus (Davis, p. 43).  Os cristãos estão familiarizados com o segundo aspecto a partir da passagem bíblica: “O temor [assombro reverente] do Senhor é o princípio da Sabedoria” (Pv 1.17, Sl 111.10) mas o que dizer do “discernimento” do mundo natural?

De acordo com 1Re 4.33-34, Salomão foi um naturalista dedicado: “Falou sobre a flora, do cedro do Líbano ao hissopo que cresce nos muros externos da cidade.  Também falou sobre animais e aves, répteis e peixes.  De todas as nações chegavam pessoas, enviadas por diversos reis do mundo, ouvir da sabedoria de Salomão, pois haviam ouvido falar sobre ela.”  No cerne da sabedoria de Salomão havia a observação detalhada da flora e da fauna do velho Oriente.  Assim como Jesus instruiu seus seguidores a se tornarem botânicos e ornitólogos para terem vidas livres de preocupação, também a sabedoria de Salomão não tinha origem em livro ou discussão filosófica, mas em reflexão profunda nas obras de Deus.

Em meio à história do Cristianismo há exemplos daqueles que andaram pelo caminho da sabedoria natural de Salomão. Os pais do deserto e os primeiros santos celtas aliaram meditação, acerca da revelação de Deus na natureza, e também na Escritura.  Francisco de Assis personificou uma espiritualidade cristocêntrica que reconheceu outras criaturas como membros parceiros da comunidade da criação. John Ray, Gilbert White e William Carey encontram-se, entre muitos outros, cuja sabedoria emergiu da profunda contemplação das maravilhas do mundo criado por Deus.

Hoje em dia precisamos retomar esse tipo de sabedoria. Estudos de campo deveriam fazer parte da grade curricular de todo jovem.  Estudar Ecologia e a vida selvagem profissionalmente precisa ser afirmado como um chamado cristão importante e santo.  No entanto, o estudo da natureza não pode ser relegado apenas aos cientistas.  O que se requer para a sabedoria não é apenas o questionamento racional da Ciência desconectado mas também a contemplação meditativa profunda por parte de artistas e poetas.

Para Ellen Davis, “É digno de arrependimento o fato de a Igreja ter perdido, nos últimos três séculos, de visão o fato de que ‘a sabedoria da natureza’ é indispensável para se avaliar o papel humano específico na criação de Deus.  Talvez tenha chegado o tempo para um reavivamento de tal ramo da Teologia” (Davis, p. 56).  Num mundo cada vez mais digital, virtual e globalizado todos os que deveriam buscar sabedoria precisam olhar atentamente para o meio ambiente.  Buscar o conhecimento de espécies locais e habitats deveria ser parte da adoração e da sabedoria divina em todo cristão.  Não somos capazes de entender o caráter e propósitos de Deus sem olhar para o que Deus fez.  Não podemos entender o que significa ser um humano a menos que saibamos como os ecossistemas funcionam e como se dá nossa conexão com eles.  Jesus de forma bem humorada pontuou que as flores ao longo do caminho estavam melhor vestidas até mesmo do que o rei Salomão.  Não encontramos sabedoria suplementar ao lermos livros de pessoas sábias.  Nós a encontramos ao buscarmos a Deus e ao conhecermos nosso lugar, dentro dos locais onde Deus nos estabeleceu.

Davis, Ellen F. Proverbs, Ecclesiastes, and the Song of Songs. Louisville, KY: Westminster John Knox, 2000.

Tradução: Ana Luisa Barreiros

Revisão: Billy Viveiros

Texto original em http://blog.arocha.org/post/why-we-need-the-wisdom-of-solomon/

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