Por Peter Harris

2014-07-Wolves

A pesquisa científica não “prova” a verdade religiosa embora cada conjunto de crenças leve à mesma realidade.  Então, não seria surpresa que uma ideia recente dentro da disciplina da Ecologia se alinhasse, de uma forma bela, com o fundamento da perspectiva bíblica de que os seres humanos têm a responsabilidade, dada por Deus, de cuidar de toda a Criação.

Ao menos parece que foi isso o que aconteceu com nossa percepção do significado de cascatas tróficas.  Para uma explicação interessante do conceito de cascatas, assista ao pequeno, porém, grande filme, de George Monbiot: How wolves change rivers.  Ele alega que hoje entendemos que os ecossistemas assumem sua forma, e mudam, de cima para baixo.  É a influência de sua megafauna que geralmente faz a maior diferença e, portanto, os ecossistemas não são exclusivamente estabelecidos em suas formas pela geologia de base, desenvolvendo-se, como se imaginava anteriormente, de baixo para cima.

Até muito recentemente o significado de pessoas como definitivos ‘mega’ talvez tenha sido subestimado pelo mundo preservado.  Éramos todos espécies a serem salvas e isso significava trabalhar com habitats e fauna.  Podíamos relegar as pessoas aos “humanitários” e aos entusiastas do desenvolvimento social.  Hoje tem-se o claro entendimento de que as escolhas humanas, estabelecidas em valores e, portanto, fundamentalmente em crenças, estão quase literalmente formatando a ecologia do planeta. Sendo assim duas coisas poderiam nos fazer parar para pensar.

Em primeiro lugar, as crenças e valores que inspiram a forma como tratamos o mundo precisam ser profundamente coerentes e ajustadas a um propósito – e o dogma obviamente egoísta que prevalece nas sociedades de consumo de que “quanto mais coisas acumular mais feliz eu serei” não é verdadeiro.

Em segundo lugar, os que se preocupam em encontrar uma forma voltada a um futuro mais sustentável não podem se esquivar de  se engajar em comunidades de pessoas com todas as realidades contraditórias e complexas, que têm nos corações crenças e convicções profundamente estabelecidas.

O trabalho de conservação tornou-se, então, mais complicado e fundamentalmente muito mais gratificante na medida em que o florescer do ser humano agora encontra-se no cerne da questão.  Gus Speth coloca a questão da seguinte maneira,

 Pensava que os maiores problemas ambientais globais eram a perda da biodiversidade, o colapso do ecossistema e a mudança climática.  Pensei que com 30 anos de boa ciência poderíamos lidar com tais problemas mas eu estava errado.  Os maiores problemas ambientais são o egoísmo, a ganância e a apatia e para lidar com isso precisamos de transformação cultural e espiritual e nós, cientistas, não sabemos como fazer isso.

Dito como uma verdadeira cascata trófica.

 

Tradução: Ana Luisa Barreiros

Revisão: Billy Viveiros

Texto original em http://blog.arocha.org/post/conservation-from-the-top-down/

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