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Por Dave Bookless

Louis Armstrong cantou, milhões dentre nós acompanhamos: ‘What a wonderful world.’ (Que mundo maravilhoso). Mas isso é verdade? Claro, Deus fez o mundo bom – Gênesis nos conta isso repetidas vezes e termina com Deus declarando tudo ‘muito bom’. Note que Deus nunca disse que a chegada da humanidade tornou tudo ‘muito bom’. Deus declarou o todo muito bom, implicando que o que é especial é a maravilhosa variedade da criação incluindo, mas em nenhum momento exclusivamente, a nós.

No entanto, se a criação foi feita muito boa, o que aconteceu? E quanto à predação, às doenças, à crueldade, aos vírus, vulcões, deficiências, terremotos? David Attenborough, o famoso apresentador de vida selvagem, ao ser repreendido por nunca atribuir a Deus as maravilhas inspiradoras em seus programas de TV, disse: «Eles sempre se referem a coisas bonitas como beija-flores. Eu sempre respondo que eu penso numa criancinha no leste da África com um verme escavando seu globo ocular. Este verme não consegue viver de nenhuma outra forma, a não ser escavando globos oculares. Eu acho isso difícil de reconciliar com a noção de um criador divino e benevolente.»

A resposta cristã instintiva é que o sofrimento, a morte e a desordem no mundo se explicam pelo pecado e pela queda. Adão comeu a maçã e agora a Terra está apodrecida até o cerne. O paraíso está perdido. A criação está caída.

Eu costumava concordar, mas confesso que não tenho mais tanta certeza. Por quê?

  • § Cientistas, filósofos e qualquer observador astuto de como a natureza realmente funciona nos dizem que o sofrimento, a morte e o movimento das placas tectônicas são partes vitais do que faz a Terra girar e a natureza prosperar. Na costa pacífica da América do Norte, salmões precisam ser devorados por ursos e águias ou os nutrientes de seus corpos jamais chegarão do fundo do mar para fertilizar o solo, criando um rico ecossistema. O que não é bom nessa história? A não ser que você seja um salmão…
  • § Acreditar que a criação perdeu sua ‘bondade’ talvez resolva um problema teológico, mas rapidamente levanta vários outros. Se a criação já não é boa, o que levou todos aqueles salmistas a utilizarem a natureza como ponto de partida para a adoração? E o que dizer de Jó 38-41, onde terríveis criaturas além do entendimento e controle humano são celebradas como parte do bom mundo de Deus? Ao enfatizarmos a queda da natureza, não estaríamos rejeitando a declaração de Paulo em Romanos 1:20 de que a boa criação revela o caráter de Deus?
  • § A Bíblia é clara em dizer que a humanidade está caída, mas e quanto ao resto da natureza? Sim, ela está ‘gemendo’ e em ‘escravidão de decadência’ (Romanos 8), mas seria apenas por causa do pecado humano, ou há algo mais estranho e mais profundo acontecendo como parte dos últimos planos de Deus?

Então como ficamos? O sofrimento e a morte seriam parte da base de uma criação que é boa, mas ainda não chegou à perfeição? Deveríamos descartar um conceito antropocêntrico e confortável do que significa ‘bom’, e reconhecer que o mundo selvagem e perigoso de Deus tem uma bondade maior e mais misteriosa? Estou oferecendo perguntas, não respostas… mas às vezes até observadores de pássaros precisam pôr lenha na fogueira.

Tradução: Juliana Pereira

Revisão: Sabrina Visigalli

Postado em 30 de abril de 2012,  em http://blog.arocha.org/post/rotten-to-the-core-in-what-sense-is-creation-good/

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