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Por Dave Bookless.

 

Quando eu era criança, crescendo na Índia, havia uma canção que cantávamos frequentemente na escola. O primeiro verso era assim:

Esta terra é sua terra, esta terra é minha terra,

Dos Himalaias até o Cabo Comorim

Da cidade de Bombaim até a velha Calcutá,

Esta terra foi feita pra você e pra mim.

Apesar de meus pais serem britânicos, eu nasci na Índia e cantava de coração. Eu sentia uma profunda conexão com a Índia. Era ‘minha terra’. Mais tarde eu descobri que a canção foi adaptada de um clássico do folclore norte-americano, de autoria de Woody Guthrie, originalmente a respeito dos Estados Unidos (“Esta terra é sua terra, esta terra é minha terra, da Califórnia à ilha de Nova Iorque; da floresta de sequóias às águas da corrente do Golfo…”), mas que havia sido reescrita para muitos lugares diferentes ao redor do mundo. A conexão a um lugar é algo bom e importante. Em Atos 17, Paulo conta aos atenienses que Deus havia delimitado a época e as fronteiras de quando e onde os povos vivem, “para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo” (verso 27). Somos intencionalmente posicionados, e encontramos Deus nos contextos nacionais e ecológicos particulares onde ele nos coloca.

Mas a canção de Woddy Guthrie vai longe demais: ‘esta terra foi feita pra você e pra mim’. Há uma grande diferença entre pertencer a um lugar e o lugar pertencer a nós. Infelizmente, cristãos comumente confundem as duas coisas. Eu aprendi na igreja quando criança que Deus nos deu este mundo para dele desfrutarmos à vontade. Trata-se de uma perigosa meia-verdade. É meia-verdade porque Deus de fato quer que desfrutemos do mundo, que nos alegremos em sua beleza e diversidade. Mas é perigoso porque sugere que temos direito de propriedade sobre o planeta e seus ‘recursos’.

A percepção do quanto a Bíblia é radical a respeito de propriedade pode ser chocante: “Do Senhor é a Terra e tudo o que nela existe”, diz o Salmo 24:1. Não apenas o planeta em si, mas tudo o que ele contém: montanhas, oceanos, florestas, depósitos de petróleo e carvão, plantas e animais … Sim, até os seres humanos … Pertencem a Deus (Salmo 50). Este mundo não foi feito para nós. Ele foi feito – segundo Colossenses 1:16 – ‘por e para Cristo‘. Até aos israelitas vivendo na Terra Prometida Deus disse, de forma um tanto abrupta: “[Esta] terra é minha, e vocês são apenas estrangeiros e imigrantes” (Levítico 25:23). Crocodilo Dundee, do filme de mesmo nome, disse: “Pessoas discutindo sobre a quem pertence a terra em que vivem são mais ou menos como duas moscas discutindo sobre a quem pertence o cachorro onde vivem!

Então, como devemos ver o mundo? A ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher acertou em cheio num discurso em 1988: “Nenhuma geração tem propriedade livre sobre esta terra. Tudo o que temos é um arrendamento vitalício – com total responsabilização por danos ao bem locado”.

 

Biblicamente, nós devemos ver o mundo e tudo o que ele contém como um presente de Deus em regime de empréstimo, como uma linda casa compartilhada e emprestada. Uma vez que compreendemos a terra como empréstimo, isso muda nossa relação com posses, pessoas e outras espécies… E através disso, nossa relação com Deus. Somos libertos para reconhecer nossa dependência e interdependência, para compartilhar livremente e doar generosamente, dizendo a Deus juntamente com o Rei Davi: ”Tudo vem de ti, e nós apenas te demos o que vem das tuas mãos” (I Crônicas 29:14).

 

Por favor, compartilhe.

 

Tradução: Juliana Pereira / Revisão: Sabrina Visigalli

 

Você pode ler o texto original e outros aqui: http://blog.arocha.org/

 

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