*Por Paulo Brito

 “Deus escreve o evangelho, não somente na Bíblia, mas também nas árvores, nas flores, nas nuvens, e nas estrelas.” Martinho Lutero

 Várias pessoas já me perguntaram como que eu comecei a envolver-me com questões ambientais. Tudo começou quando eu retornei de uma programa de intercâmbio em Londres, Reino Unido, em 1999. Eu ainda tinha mais um ano e meio de estudos na faculdade antes da graduação em economia pela Universidade Mackenzie. Nesse meio tempo comecei um estágio no Instituto de Economia Agrícola (IEA) do Estado de São Paulo no início de 2000.Esse instituto era um departamento do Ministério da Agricultura do Estado de São Paulo. O estágio era na área de economia agrícola e práticas sustentáveis de cultivo.A medida que o tempo passava no instituto, eu ficava cada vez mais interessado no campo de pesquisa sobre economia e meio ambiente. Quando terminei meu estágio, eu comecei uma disciplina chamada economia ambiental no meu último ano da faculdade na qual meu interesse pelo assunto aumentou ainda mais. A partir daí pensei em trabalhar nessa área. Percebi também que Deus estava me guiando nessa direção. Entretanto, como qualquer jovem, ainda tinha muitas dúvidas quanto ao meu futuro profissional. Na verdade não tinha a menor ideia do que poderia fazer depois da graduação.

Nos meus últimos anos no Mackenzie, eu frequentava os encontros semanais da Aliança Bíblica Universitária (ABU) no campus da universidade. Num desses encontros foi anunciada a publicação do livro “A Rocha: Uma Comunidade Evangélica lutando pela Conservação do Meio Ambiente”, de Peter Harris. O livro tinha acabado de ser lançado pela ABU Editora na época. O anúncio falava que era um livro que discutia a relação entre conservação ambiental e fé cristã; um assunto que eu não sabia muito a respeito, mas que me interessou. Decidi então comprar o livro e comecei a lê-lo. A medida que eu o lia, eu queria saber mais sobre o assunto. Foi nesse momento que eu comecei a perceber que eu poderia unir minha profissão com a fé que professava.

Quando cheguei nas últimas páginas do livro, dei uma olhada nos locais que A Rocha tinha escritórios e projetos no mundo. Foi aí que Deus me deu um sinal muito claro que eu não consegui ignorá-lo. Um dos países que A Rocha atuava era o Reino Unido. Quando eu olhei para o endereço do escritório britânico eu fiquei surpreso com o que vi. O endereço administrativo da A Rocha UK era exatamente o mesmo endereço onde morei em Londres em 1999: “13 Avenue Rd, Southall, UB1 3BL, United Kingdom”

Fechei os olhos, esperei um pouco e olhei para o endereço novamente. Não conseguia acreditar na “coincidência”. A primeira coisa que pensei foi que Deus estava me chamando para buscar mais informações sobre a organização e como poderia me envolver. Eu entrei então em contato com A Rocha UK imediatamente através do e-mail publicado no livro. Foi em contato com o escritório na Inglaterra que descobri que a família que me hospedou durante meu intercâmbio tinha se mudado para outra cidade inglesa e que aquela casa tinha sido então usada para estabelecer a Rocha UK, exatamente 1 ano depois que voltei ao Brasil.

Depois desse contato comecei a pesquisar mais sobre cristianismo e cuidado da criação de Deus. Continuei os contatos com A Rocha UK que levaram-me a contatar o escritório da A Rocha Portugal. Foi nessa época que entrei em contato com o diretor do escritório português, Marcial Felgueiras. Foi nessa época também que as conversas sobre a possibilidade de iniciar um projeto da A Rocha no Brasil desenvolveu-se. Marcial então ajudou-me a conectar com outros brasileiros que também tinham interesse em abrir uma A Rocha no Brasil.

Além da minha pessoa, dois outros rapazes entraram em contato com o Marcial relativamente na mesma época que eu. Marcial então nos apresentou um ao outro via e-mail e assim começamos a nos comunicar. Ali estávamos então, 3 jovens rapazes de diferentes partes do nosso imenso Brasil. Éramos pessoas sem experiência nenhuma em cuidado da criação ou conservação ambiental, nem mesmo conhecimento em como abrir um organização não–governamental. Na verdade, não sabíamos nem por onde começar. Mas uma coisa sabíamos, que queríamos fazer parte desta grande jornada: construir A Rocha no Brasil.

Este sonho de reconstruir a história da criação de Deus na Terra baseada em Romanos 8:18-25 parecia bem longe de tornar-se realidade. Mas, tudo o que Deus queria de nós era um passo de FÉ!

Aprendendo a medida que caminhávamos no processo, e com muita fé, tentativas e erros, desses três rapazes, dois terminaram sendo fundadores da A Rocha Brasil em 2006. Um deles fui eu. A Rocha Brasil tem agora 3 empregados período integral, uma diretoria nacional, conselhos fiscal, cientifico e de referência, além de um número significativo de voluntários ao redor do país. Não tínhamos nenhum projeto ou programa em 2006. A Rocha Brasil tem dois projetos práticos atualmente. Não tínhamos dinheiro nenhum. A Rocha hoje opera com uma receita anual de R$ 162.000,00 fruto de doações e projetos.

Uma das lições mais importantes que aprendi deste capítulo de minha vida é que mesmo quando não sabemos por onde e como começar, Deus nos guia e nos capacita com habilidades e conhecimento necessários ao longo do caminho. Deus também traz outras pessoas com habilidades complementares para se unir ao sonho. Tudo o que precisamos é fé, coragem e força para perseverar. De tudo isso o que mais me lembro é que foi uma linda jornada aprendendo a sonhar com Ele.

Paulo e Jill Brito*Paulo R. B. de Brito (ou simplesmente Paulo Brito se preferir) é economista, mestre em ciência ambiental pela USP e mestre em economia agrícola e ambiental pela Colorado State University, Colorado, Estados Unidos. Trabalhou no Instituto de Economia Agrícola de SP e foi um dos fundadores da ARB durante sua permanência no Brasil. É co-organizador de dois livros no Brasil: “Missão Integral: Ecologia & Sociedade”, pela W4 Editora; e “Jardim da Cooperação: evangelho, redes sociais e economia solidária”, pela Editora Ultimato. Já atuou como membro de diretoria em diversas ONGs norte-americanas. Atualmente trabalha como professor universitário na Front Range Community College, CCCOnline e Colorado State University nos Estados Unidos. Desenvolve e administra atividades de sustentabilidade e co-lidera uma horta comunitária em sua igreja local em Fort Collins, Colorado. Paulo gosta de ler bons livros e escrever em seu blog. Um dos seus passatempos favoritos é fazer hiking nas montanhas rochosas do Colorado onde reside. É casado com Jill Wallace de Brito. Será papai em março de 2014.