Bem, está chegando a hora de me aposentar. É incrível a diversidade de pensamentos e preocupações que esse momento traz. A gente começa a ler a respeito, a conversar com amigos na mesma condição; começa a perguntar se é bom aos já aposentados; a se preocupar com o temível pijama (dizem que quem o veste morre mais cedo); a se perguntar se não tem jeito de continuar no emprego; se não seria o caso de montar um negócio qualquer; quem sabe uma consultoria… pensamentos sem fim. A gente acaba tendo que decidir: hoje não penso mais nisso, para não ficar pinel. Ouvi dizer que tem gente com tanta força de vontade que consegue.

Entre tantas coisas que povoam minha mente, uma tem martelado ritmadamente, ao longo do dia. Talvez como o som de uma goteira, no meio da madrugada. Mas não chega a ser irritante; apenas curioso, um pensamento a ser pensado, mas cujo alcance não alcanço e a cuja conclusão não consigo chegar. É o seguinte, em três palavras: venci na vida!

Conheço muitos jovens que estão iniciando sua carreira. Estão procurando emprego; estão se casando, tendo o primeiro filho; estão estudando para concurso, estão comprando seus primeiros pertences, abrindo contas bancárias, escrevendo currículos, planejando, planejando, planejando (ou sendo criticados por não planejar). Tem jovem falando de PGBL vs VGBL, Tesouro Direto, seguridade privada, plano de saúde, curso no exterior, pós-graduação e tantos outros investimentos, financeiros, pessoais ou profissionais e familiares, para o futuro.

Hora de pensar em financiamento para aquela kit? Mas e o carro novo? Para os dois a renda familiar não dá. E se vier mais um filho, então…

Mas será que é isso mesmo que eu quero da vida (leia-se casamento e carreira profissional)? pensa outro, ainda em fase de definição. Puxa, quanta coisa para definir! Sem falar que todos os cursos preparatórios para vestibular ou concursos públicos repetem, à exaustão, palavras como “vencer” ou “vencer na vida”. Se você passar neste vestibular ou concurso, você está feito na vida. “Olhe para estes nomes; gente que estudou conosco e venceu” — diz a propaganda dos cursinhos (melhor não perder tempo descrevendo a pose da foto).

Olho para esse batalhão em início de carreira. Vejo alguns jovens idealistas e corajosos, outros menos seguros; alguns com dificuldade de “pegar no tranco”, outros apressados para garantir logo um lugar no futuro. Então eu penso: bem ou mal, eu já cheguei lá. Onde? Nesse “lugar no futuro”; nesse estágio da vida em que você já pode parar. Ah, o sonho de todos! Poder parar de trabalhar e o salário continuar a chegar todo final de mês. Ou então, agora poder escolher em quê você vai trabalhar. Se vai ter chefe ou não; se vai levantar cedo ou tarde, se vai “se dar” férias de dois, três ou seis meses… Ou mesmo se você vai viver de férias e, como férias das férias, você vai trabalhar um pouco, hehehe. Vencer, no caso, significa sombra, rede e água de coco. Ou assemelhados.

Mas a cabeça não para. E agora, passados 35 anos, a pergunta está lá: será que é isso mesmo que eu quero da vida? E a gente percebe que muito do que planejou quando era moço, teve que ser “negociado” com a realidade, com a própria vida. Sem falar que muito do que fizemos e realizamos não foi nem planejado; portanto, nem houve negociação. Foi mais para Zeca Pagodinho: “deixa a vida me levar…”. Sim, planejar o futuro é coisa para quem tem a cabeça que tenho hoje. Com toda a experiência desses trinta e cinco anos de planejamento feito para chefes e patrões.

E aí começam as surpresas. Será que consigo planejar meu futuro, hoje, melhor do que fiz há três décadas? Se a resposta for não, surge logo uma dúvida: que tipo de vencedor é esse, que não aprendeu nada nesse tempo todo? Mas se a resposta é positiva, então preciso verificar o que tenho nas mãos para isso. Uma coisa é verdade: não há nenhum cursinho fazendo propaganda do tipo “conquiste o seu futuro” para a minha faixa etária. Embora nunca seja tarde para começar a estudar, com certeza, já não me impressiono com as ofertas de vitória e sucesso que fazem (muito menos com as poses de “vencedor” das fotos). Afinal, eu já venci na vida. Ou não?

Bem, o que tenho nas mãos? Já comprei meu apartamento e meu carro (isso sempre aparece nas fotos dos vencedores). Até já terminei de pagá-los. Já me casei, formei família, criei meus filhos e plantei árvores. Já fiz meus cursos, minhas “pós”, meus treinamentos etc. Já assumi as chefias que me pareceram desafiadoras e motivadoras. Elas me fizeram crescer bastante. Adquiri experiência. Tudo feito. E agora? Bem, agora estou superpreparado.

Para quê? Para vestir o famigerado pijama?

Hum, estou chegando à conclusão de que venci muitas batalhas mas estou longe de ter ganhado a guerra. Descubro que, pelos padrões correntes, sou um vencedor. Cheguei lá. E fico feliz com isso. Mas não muito. Essa felicidade é meio boba. Talvez, sim, um senso de realização. Realizei muitas coisas. Algumas delas até boas. Esse pensamento é bom, pois fico com o gostinho de que, daqui pra frente, tudo é lucro.

Desta posição alta da escada da vida dou uma parada para respirar e percebo que posso olhar para baixo e ver muita gente lá nos primeiros degraus; e gente subindo em todos os níveis. Posso conversar com gente que está na mesma parada que eu. Mas também posso olhar para cima. Tem muito degrau acima. Ora, se a escada continua para cima, então não cheguei ao final. Foi só uma parada!

Uma constatação óbvia e, ao mesmo tempo, nova: a aposentadoria não é o fim da vida, ou da guerra. É apenas o fim de uma das muitas batalhas. Mas a luta continua (companheiro). E preciso pensar em uma estratégia para as novas batalhas que virão. Primeiro, preciso compreender bem o novo cenário que se apresenta. Segundo, preciso examinar os desafios, as oportunidades e os limitados recursos disponíveis. De novo, o óbvio: hoje disponho de novos recursos; os antigos, como saúde, energia, força e resistência físicas etc. são substituídos pelos da maturidade, como paciência, experiência, vivência, serenidade etc. E há aqueles que permanecem (ou que nunca existiram), como coragem, inteligência, idealismo ou fé.

E ainda posso decidir que, daqui em diante, será no estilo Zeca Pagodinho.

Que farei? A vida continua interessante. (Continua).

Se eu lhe confessar
O meu pecado e iniqüidade;
Se eu lhe falar da falsidade
Do meu andar…

Eu sei que tanto me calei,
E o coração fechei;
Deus sabe quanta escuridão,
Cansei, chorei, sem seu perdão.

Se eu lhe confessar
E derramar-lhe a ansiedade,
Sim, suplicar-lhe piedade,
Se eu confessar…

Eu sei que tudo vai mudar,
E a paz vou reencontrar;
Pois os meus ossos vão sarar,
Quando eu lhe confessar.

Palavras de amor
Queremos dizer;
Canções de louvor
Viemos trazer.
Aceita, ó Senhor,
A nossa oração;
Recebe o ardor
Da nossa canção.

Chegamos aqui
Com vinho e com pão;
Erguemos a ti
Os olhos e as mãos.

Sabemos, porém,
Que amor, comunhão,
Provêm de tua mão,
Que a tudo sustém.

A nossa união
Recebe, Senhor;
Confirma, em amor,
O vinho e o pão.

Ó Senhor, quando será
Que a tua igreja provará
Restauração, restauração, restauração.

Porque hoje, o que acontece,
É que o teu povo padece
Desolação, desolação, desolação.

Quando o Senhor mudar
A sorte de Sião,
Nós ficaremos como quem sonha;
E a nossa boca cheia de riso,
De novo, de novo, de novo.

Ó Senhor, quando será
Que a tua igreja enfim terá
Consolação, consolação, consolação.

Tenho esperado por ti, Senhor.
Entronizado, por teu amor,
Assentado à direita de teu Pai,
Pois sofreste e morreste,
mas Venceste em meu lugar.

Olha pra mim,
Olha pra mim,
Volta pra mim.

Naquele dia que só tu tens
Quero estar vivo, seja onde for,
E gritar para o alto, de onde vens:
Maranata, meu Senhor!
Vem pra nós! Te recebemos.

Olha pra mim,
Olha pra mim,
Volta pra mim.

Santo, és santo,
No entanto, Jesus,
Tanto sofreste a cruz,
Hora de espanto.
Grande, é grande
Teu nome, Senhor,
Pois tu venceste a dor
E herdaste um nome
Santo, grande, nobre:
Jesus.

Afinal, como nascem os missionários? De onde vêm? Para onde vão? O que fazem? E por que fazem o que fazem? Se a fábrica de brinquedos do Papai Noel fica no pólo norte, a fábrica de missões fica em Jerusalém. Se do pólo norte vem o Papai Noel, de Jerusalém vêm os missionários.

Para mim, Jerusalém é a cidade onde vivemos. E o “ide” de Jesus não significa que eu não possa ficar. E, mais, não é apenas uma questão de geografia.

Fábrica de Missionários aponta para uma compreensão mais abrangente e bíblica da palavra “missionário”.

* * *

“Existem duas palavras que o diabo gosta de usar na igreja: “leigo” e “missionário”. A primeira desqualifica a maioria dos cristãos, colocando-os como coadjuvantes na tarefa missionária. A segunda qualifica uma minoria como sendo os únicos sobre quem pesa a responsabilidade de realizá-la. Os que vão para outros países têm uma forte convicção de chamado; os que ficam não têm convicção alguma. Não deve ser assim. Fábrica de Missionários nos apresenta um novo desafio.”
— Ricardo Barbosa