Todos somos atraídos por situações extremas. Nas novelas, são pontos centrais. O noticiário as “fareja”. Talvez porque revelem o que há de mais genuíno nas pessoas, sejam fraquezas, sejam virtudes insuspeitas.

 

 

Essa é a razão da atração que a última ceia de Jesus exerce sobre nós. Trata-se de um último encontro, de uma despedida. E antecede o momento mais extremo da vida do Mestre: sua morte.

Ao se despedir, Jesus dramatiza sua última parábola: a parábola do lava-pés. Já não mais ensinando o que fazer. Isso havia sido feito nos últimos anos. Agora, ele lhes ensinará um modo de exercer o ministério da reconciliação.

Quero crer que, mais que uma lição de humildade, Jesus estava estabelecendo uma ordem sacerdotal. O “sacerdócio universal do lava-pés”, que reúne em confraria aqueles que, tendo compreendido seu ensino, e crido nele, buscam no poder do Espírito as habilitações necessárias para iniciarem-se nela. Tornar-se-ão cavaleiros do serviço anônimo, agentes secretos do reino, construtores de uma nova ordem civilizatória. A ordem do “maior-menor”; a ordem menor do lava-pés.

Do cerne desse momento dramático surge nova lição, proveniente do quase divertido desentendimento entre Pedro e Jesus. Recorto, daquele diálogo desconcertante, a expressão do Mestre: “se eu não te lavar, não tens parte comigo”.

“Pedro, Pedro”, diz o Mestre: “estou instituindo o meu reino; e dele fazem parte aqueles que servem e que aceitam ser servidos. Se você não me permite lavar seus pés, símbolo do serviço, você está se excluindo dessa ordem espiritual que instituo. Você se coloca fora do ministério da reconciliação”.

Vale um pensamento tão sério quanto pitoresco? Serei respeitoso. Ao instituir essa nova ordem, Jesus batizou seus discípulos nos pés. Com água. Por aspersão. Ele fundava, assim, a mais “baixa” ordem sacerdotal do universo: a ordem menor de “reino e sacerdotes” que herdarão a terra.

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