No princípio, era o Verbo, que proferia existência sobre a face do abismo. Bastava o Haja do Espírito de Deus para que o que antes fora caos se recompusesse em luz e vida. E esse verbo era Deus e seria também a alegria dos homens.
Ocorre que as almas humanas em algum momento também se tornaram “sem forma e vazias”, e houve trevas sobre elas. Ao ponto de se perderem em dor e desorientação.
Entretanto, também sobre essas águas turvas pairaria o Espírito de Deus. E com ele, a possibilidade de uma ação restauradora.
No primeiro princípio, ele não pediu licença. Dirigiu-se ao caos e lhe deu ordem. E a criação retomou seu curso, até à perfeição do sétimo dia. Já no segundo princípio, o Verbo de Deus esperou convite para brilhar sobre as vidas em trevas.
Quando doenças, desemprego, morte, culpas e outras perdas nos chegam, ficamos confusos e atônitos, como se nossa normalidade tivesse sido roubada.
Sentimo-nos defraudados. Não sabemos como reagir aos fatos ou como ordenar nossos sentimentos. Não conseguimos “juntar os cacos”, rapidamente. E nossa vida sai do seu eixo. As atividades cotidianas se tornam penosas; o sol já não brilha com a mesma intensidade; as noites se tornam espessamente escuras; sentimo-nos perdidos e solitários em nossa própria cidade, em nosso local de trabalho ou mesmo em família.
Essas trevas podem também sobrevir a uma comunidade inteira, ou mesmo a uma nação. “O povo que andava em trevas…” (Is 9:2) Talvez estejamos vivendo essa experiência no Brasil. Nossa realidade é que “a vida se tornou sem forma e vazia”; que “houve trevas sobre a face do abismo”.
Em momentos assim, importa trazer à lembrança que “a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1:5). Se a escuridão nos parece desanimadora, vale lembrar que a vida ainda está no Verbo, e a vida continua sendo a luz dos homens. Para essas águas — pessoais, familiares ou mesmo nacionais — Deus ainda pode ser convidado a proferir seu “Haja luz! Aleluia!
O resultado da primeira visitação, todos sabemos: “… e houve luz; e viu Deus que a luz era boa”. O resultado da segunda visitação, agora na pessoa de um menino deitado em humilde manjedoura, pode ser o mesmo, se nossas almas o reconhecerem como “a tua salvação”, como fez Simeão (Lc 2:30), e o receberem dizendo: “Senhor meu e deus meu” como fez Tomé (Jo 20:28). Passaremos então a gozar a alegria que vem com a luz. E as trevas não prevalecerão contra ela.

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