Adorador“Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és”, diz o ditado popular.

Será a influência das companhias tão forte a ponto de modificar o caráter de uma pessoa? Para o bem ou para o mal? Será esse fenômeno tão concreto e visível que tenha sido destilado em sabedoria resistente ao desgaste dos séculos?

Creio que sim, e que também é verdadeiro: “dize-me com que deus andas e dir-te-ei quem és”. Ou seja: “somos parecidos com o deus que adoramos”. Inclusive, se somos adoradores nominais, displicentes, formais, ou apenas “frequentadores”, certamente nosso “caráter cristão” refletirá essas características devocionais.

Será, então, apropriado usar a expressão “mau-caráter espiritual”? Ou que alguém tenha “um problema de caráter” no que toca à religião? Meu pensamento é, também, que sim. Acredito que haja uma simetria entre os processos relacionais humanos e dos humanos com a divindade. E essas influências (que deixam as mães tão inseguras) são verdadeiras.

Com que deus nos parecemos nós? Depende do deus que adoramos. E de como o adoramos.

De pronto, descobrimos que se trata de um Deus triúno; uma emulação em santidade de três pessoas que, não se contentando com essa autossuficiência, decide ampliar suas relações de amor e criar-nos à sua imagem e semelhança, para vivermos também nós, em harmonia e unidade, na plena felicidade de uma família perfeita. E dessa concepção eterna (Ef 1:4-6), tomou o nome do Pai toda a família, tanto do céu como da terra (Ef 3: 14,15).

Parecemo-nos com um Deus afetuoso. Um Deus que nos propõe uma relação de amor. Melhor, de “(e)ternos afetos e misericórdias”, a transbordar horizontalmente para os irmãos. Em vez das bases pagãs de medo e interesse, materializadas em trocas, oferendas, sacrifícios de apaziguamento e liturgias herméticas e obrigatórias, ecoa pelos séculos sua busca por intimidade conosco: “dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos” (Pv 23:26).

Mas o que dizer de suas leis e ordenanças? Elas dirão muito do seu caráter. São muito duras, complicadas, exigentes? Ouçamos Jesus resumi-las em apenas duas: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22:37-39). Aí estão a lei e os profetas: uma família construída por, e ambientada em, “ternos afetos e misericórdias”. Dá para acreditar?! Sim, eu sei que dá. Mais que isso, é matéria para a fé; é influência para mudar quem sou.

Sou encantado com esse Deus. Espero ser mais e mais encantado pela sua intimidade. De modo que meu caráter mude, sob a influência de sua companhia.

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