ult344_31Captura de Tela 2012-01-06 às 14.46.23ercebo entre os jovens que se casam hoje uma certa preocupação em relação aos filhos que virão. Muitos temem que as crianças sofram a dor e as consequências da separação de seus pais. Percebem que a chance de isso acontecer é crescente.

De fato, as Estatísticas do Registro Civil 2011, recentemente divulgadas pelo IBGE, dizem que 56,5% dos casais estará divorciada antes de completar 15 anos de união.

Parece que eles já perceberam, também, que isso está acontecendo cada vez mais cedo. Nas palavras do referido estudo do IBGE: “o grupo que mais chama a atenção é o que esteve junto pelo período de 1 a 4 anos: na última década, o porcentual de divórcios entre eles mais do que dobrou, passando de 8,5% em 2001 para 19% em 2011. Os que nem chegaram a completar um ano de casados, e que antes não constavam entre as dissoluções, agora já representam 1,8% do total.”

Ou seja, em cada cinco casamentos, um não chegará ao quarto aniversário. E isso atinge os corações dos pretendentes sinceros como uma fatalidade atemorizante. Acrescente-se que, com quatro anos de casados, a grande maioria já terá pelo menos um filho. Daí sua preocupação. E mais: o número de casamentos está crescendo. Sim, as pessoas estão se casando de novo, depois da separação.

Na igreja, nota-se um certo conformismo. Afinal, as estatísticas não diferem muito entre crentes e não crentes. E o pastor deve pensar, com desânimo: “fazer o quê? Queira Deus que este casal seja uma exceção”.

Esse conformismo não chega a alarmar os sociólogos do IBGE. Afinal, é a vida. Mas a realidade retratada pelas estatísticas acaba por se transformar também em causa do “índice de mortalidade infantil” das famílias cristãs.

Explico: por um lado, a igreja, os pais e mesmo os pastores vão se tornando misericordiosos em relação à falência dos casamentos dos moços da igreja. Esse ambiente acolhedor e compreensivo de algum modo facilita a decisão de casar, mesmo que as coisas não estejam bem entre os dois, e os prognósticos não sejam os melhores (quem irá julgá-los?). Pastores e pais se consolam, pensando que podem estar evitando um “mal maior”: adultos solteiros, vulneráveis ao modo secular de viver, para não falar em sexo.

Alguns casais, mais temerosos, “fazem o que podem”: evitam filhos, para não ter de carregar essa culpa extra pela eventual falência de seu relacionamento. Essa atitude, extrema e triste, revela que não veem como enfrentar esse poder irresistível que as estatísticas estão revelando. Quem pode garantir que não seremos os próximos?

Nesse momento, me vem à mente a confissão de fé de Habacuque: “Ainda que a figueira não floresça…” (3.17). Não se preocupe, não vou “espiritualizar” levianamente a situação. É que continuo crendo na família. Entendo que família é matéria de fé. Crer nela, é crer que ela foi concebida por Deus; que é parte do “mistério oculto aos antigos”. Crer nela é crer que, por meio do Filho, o Pai a restaurou à imagem e semelhança da Trindade. É crer que em Pentecostes ele lhe concedeu poder para resistir ao mundo, e promete sustentá-la. Se tão-somente, no seu seio, seu nome for invocado, em espírito e em verdade.

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