Meu telefone deu defeito. No conserto, descobri que sairia mais barato comprar um novo. Minha máquina de lavar não deu mais, depois de 25 anos. Troquei. Mas a nova, com cinco anos, já começa a pedir conserto.

Comprei um computador novo, pela Internet. Último tipo. Mas quando a encomenda chegou ele já estava ultrapassado. A oferta de novos computadores de mesa, no Brasil, subiu de 476, em 2009, para 835, em 2011.

A taxa de obsolescência aumenta à medida em que a taxa de inovação se acelera e o processo de produção fica mais barato. Fred Seixas, gerente da LG, afirma que o tempo das coisas está, de fato, menor. “A gente observa que o intervalo de troca de refrigeradores e lavadoras de roupa, que era de dez anos na década de 1990, hoje está em cinco ou seis anos”, diz.

Inevitavelmente, esses fenômenos pós-modernos têm efeito sobre nossas almas. Já sofremos transtornos provenientes da idade dos móveis, dos aparelhos, da decoração da sala. Temos vergonha de dizer o ano do nosso carro; e quando compramos este celular. Encontramos amigos antigos e ficamos constrangidos de dizer que ainda moramos naquele mesmo endereço — “você ainda mora lá?! (Matusalém!)”.

Temos dores de abstinência se não checamos nossos emails a cada dez minutos, ou nosso celular a cada minuto. O celular ligado tornou-se vital. E no culto, são poucos os que o colocam no modo silencioso. Afinal, corremos o risco não ouvir a chamada, distraídos que estaremos com a oração.

À mesa, com os amigos, tuitamos, pelo celular, com outros amigos. Mais que um conviva chato, incomoda-nos a ausência de mensagens. Então, se ela não chega, nós ligamos. Só para agitar. Só pra fazer alguma coisa.

De repente, essa obsolescência das coisas quer contaminar também nossas relações. E buscamos amigos novos em folha. Já não temos resistência para longas amizades, do tipo “de infância”, “casamento”, família etc. De repente, precisamos mudar, trocar. Afinal, a fila anda.

Ainda não sabemos bem como é este “dia” que chamamos de “pós”. Se soubéssemos, não o chamaríamos assim. Pós-modernidade é o tempo que sucede a modernidade. Mas ainda não temos um nome para ele. Segunda-feira é o dia que sucede o domingo. Se estivéssemos vivendo a primeira segunda-feira de nossas vidas, talvez a chamássemos de pós-domingo (em que houve uma feira).

Mas como discernir esse tempo tão louco e… gostoso? Na dúvida, precisamos preservar o essencial, até compreendermos bem o que ele traz de bom ou de perigoso. Seu computador ainda lhe atende? Fique com ele. Sua lavadora está nova? Fique com ela. Seu marido…

Eis um tema para a Escola Dominical. Já tenho o verso áureo: “e não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus” (Rm 12: 2). Que século? Que fôrma? Que “trans-fôrma-ção”? A Bíblia nos ensina que fomos feitos seres relacionais, que se assentam à mesa, com o Pai e com os irmãos, num imenso banquete, servido de pão e de vinho. Comunhão é da nossa essência e identidade. E para isso o pão se partiu e o vinho se verteu.

Decifremos, então, este dia, tateando no claro; tendo o essencial como referência. E se este século nos propuser obsolescência e superficialidade naquilo que faz parte da nossa constituição espiritual, digamos-lhe não. Isso será sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; um culto racional. Eis um caminho; a ser percorrido — de joelhos.

  1. De fato vivemos mais de 50 anos sem essas porcarias agora são imprecíndiveis…..celulares,notebooks, e outras coisitas mais que nem lemos,nem conversamos,só temos amigos no face, quando nos encontram na rua não nos conhecem e nós não o comhecemos também, reunião os amigos nos cortam para mandar mensagens ou para receber …………tá difícil aquele papo gostoso…..e estou pensando em desligar tudo e ir embora para Passargáda ou seja meu sítio……………

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